antigas Publicado: 3/02/2009 | 11:08

Eis os generais da marcha para 2010

PMDB COM AS CARTAS PARA 2010
Autor(es): Gustavo Krieger e Daniel Pereira
Correio Braziliense - 03/02/2009
 
Vitória no Senado e na Câmara consolida o partido no Legislativo e o torna peça-chave na sucessão de Lula

Aconteceu o que todos os outros partidos temiam. O PMDB venceu nas duas Casas do Congresso. No Senado, com 49 votos, José Sarney teve uma vitória tranquila. Na Câmara, apesar das traições, Michel Temer (SP) recebeu 304 votos e levou no primeiro turno. A soma dos resultados consolida a legenda como a principal força dentro do Legislativo e o aliado mais disputado para as eleições de 2010. O PMDB continua dividido em dois grupos, mas, agora, cada facção comanda um dos lados do Congresso Nacional.

Não era o resultado sonhado pelo Palácio do Planalto, nem pela oposição. Tampouco foi resultado de uma estratégia combinada. Os peemedebistas da Câmara e do Senado não apenas correram em faixa própria, mas fizeram o possível para atrapalhar os planos um do outro. Mesmo assim, os dois lados estão mais fortes.

No Senado, Sarney venceu contra a vontade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do governador de São Paulo, José Serra (PSDB). Na Câmara, Temer recebeu o apoio dos dois. Em ambos os casos, pesaram as projeções para 2010.

Lula deixou clara sua preferência pelo petista Tião Viana (AC), que obteve 32 votos. Acreditava que o PMDB ficaria forte demais se comandasse Câmara e Senado. Entre Sarney e Temer, preferiu investir no deputado, aliado mais recente e menos confiável. Lula acreditava que conseguiria controlar o grupo do Senado, que o apoia desde o primeiro mandato. Nos últimos dias de campanha, Sarney procurou o presidente para se queixar de integrantes do governo que embarcaram na campanha de Tião. Entre eles, Gilberto Carvalho, chefe de gabinete do próprio Lula.

Candidata de Lula à sucessão, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, fez o possível para minimizar os danos da disputa entre PMDB e PT. Foi a primeira vez que uma crise política desembocou em sua mesa. Embora mantenha boa relação com ela, Sarney já avisou ao Palácio do Planalto que apoiará o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, se ele for candidato à Presidência da República em 2010. O mineiro foi o único presidenciável que apoiou o peemedebista.

Câmara
Se, no Senado, governo e oposição se dividiam entre duas candidaturas, na Câmara todos embarcaram na campanha de Michel Temer. Ele recebeu o apoio do PT, DEM, PSDB e outros 11 partidos. Temer ocupa o estratégico cargo de presidente nacional do PMDB. Seu grupo venceu as últimas disputas internas com a ala do Senado. Terá um papel importante na definição da política de alianças do partido para 2010.

José Serra apostou nele por considerá-lo um antigo aliado. Nas duas últimas eleições presidenciais, Temer esteve no palanque tucano. Voltou a aliar-se ao governador nas eleições municipais de 2007. Serra aposta nele como um contraponto à influência de Sarney e seu grupo.

Exatamente por ver em Temer um aliado recente é que o Palácio do Planalto considerou fundamental sua eleição. A última coisa que o governo quer é vê-lo aliado aos tucanos. Por isso, Lula trabalhou mais pela vitória do peemedebista na Câmara que pela de Tião Viana no Senado.

O PMDB já vinha fortalecido das eleições municipais, nas quais teve o maior número de votos e conquistou o comando de 1,1 mil cidades, incluindo capitais importantes, como Rio de Janeiro e Porto Alegre. “Se o PMDB continuar dividido, será difícil negociar com as duas alas”, diz um ministro próximo a Lula. “Mas, se ele se unir, ficará impossível.”


Veja reportagem sobre a eleição na Câmara e no Senado

Resignação no encontro ministerial

Apesar de defender a candidatura de Tião Viana (PT-AC) no Senado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acabou resignado com o fato de o PMDB ter conquistado a presidência das duas Casas do Congresso. Para Lula, é mais fácil ter de cicatrizar mágoas do petista do que compensar as bancadas peemedebistas da Câmara e do Senado. Além disso, o presidente traçou como meta, desde o início da campanha, não melindrar o senador José Sarney e o deputado Michel Temer, que são cobiçados como aliados da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, em 2010.

Foi com base nesse cálculo que Lula aceitou, mesmo a contragosto, assistir à engorda do PMDB. “O Planalto tem a consciência tranquila porque o Congresso está em mãos responsáveis e experientes”, disse o ministro de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro. Mesmo sem constar da agenda, a eleição foi discutida ontem em reunião ministerial, com 10 horas de duração, na Granja do Torto. Lula abriu o encontro lamentando o fato de não ter conseguido unir a base em torno de candidaturas únicas. Durante os debates, os presentes foram informados dos rumos dos discursos no plenário e do resultado. “As duas Casas foram soberanas para escolher com independência”, declarou Múcio. A meta do governo é impedir que os candidatos derrotados, todos de legendas governistas, reajam provocando fissuras na base. A promessa é de que nem ministérios nem cargos públicos serão usados para reconfortá-los. (DP)
 

Fonte: Ministério do Planejamento

PMDB COM AS CARTAS PARA 2010
Autor(es): Gustavo Krieger e Daniel Pereira
Correio Braziliense - 03/02/2009
 
Vitória no Senado e na Câmara consolida o partido no Legislativo e o torna peça-chave na sucessão de Lula

Aconteceu o que todos os outros partidos temiam. O PMDB venceu nas duas Casas do Congresso. No Senado, com 49 votos, José Sarney teve uma vitória tranquila. Na Câmara, apesar das traições, Michel Temer (SP) recebeu 304 votos e levou no primeiro turno. A soma dos resultados consolida a legenda como a principal força dentro do Legislativo e o aliado mais disputado para as eleições de 2010. O PMDB continua dividido em dois grupos, mas, agora, cada facção comanda um dos lados do Congresso Nacional.

Não era o resultado sonhado pelo Palácio do Planalto, nem pela oposição. Tampouco foi resultado de uma estratégia combinada. Os peemedebistas da Câmara e do Senado não apenas correram em faixa própria, mas fizeram o possível para atrapalhar os planos um do outro. Mesmo assim, os dois lados estão mais fortes.

No Senado, Sarney venceu contra a vontade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do governador de São Paulo, José Serra (PSDB). Na Câmara, Temer recebeu o apoio dos dois. Em ambos os casos, pesaram as projeções para 2010.

Lula deixou clara sua preferência pelo petista Tião Viana (AC), que obteve 32 votos. Acreditava que o PMDB ficaria forte demais se comandasse Câmara e Senado. Entre Sarney e Temer, preferiu investir no deputado, aliado mais recente e menos confiável. Lula acreditava que conseguiria controlar o grupo do Senado, que o apoia desde o primeiro mandato. Nos últimos dias de campanha, Sarney procurou o presidente para se queixar de integrantes do governo que embarcaram na campanha de Tião. Entre eles, Gilberto Carvalho, chefe de gabinete do próprio Lula.

Candidata de Lula à sucessão, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, fez o possível para minimizar os danos da disputa entre PMDB e PT. Foi a primeira vez que uma crise política desembocou em sua mesa. Embora mantenha boa relação com ela, Sarney já avisou ao Palácio do Planalto que apoiará o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, se ele for candidato à Presidência da República em 2010. O mineiro foi o único presidenciável que apoiou o peemedebista.

Câmara
Se, no Senado, governo e oposição se dividiam entre duas candidaturas, na Câmara todos embarcaram na campanha de Michel Temer. Ele recebeu o apoio do PT, DEM, PSDB e outros 11 partidos. Temer ocupa o estratégico cargo de presidente nacional do PMDB. Seu grupo venceu as últimas disputas internas com a ala do Senado. Terá um papel importante na definição da política de alianças do partido para 2010.

José Serra apostou nele por considerá-lo um antigo aliado. Nas duas últimas eleições presidenciais, Temer esteve no palanque tucano. Voltou a aliar-se ao governador nas eleições municipais de 2007. Serra aposta nele como um contraponto à influência de Sarney e seu grupo.

Exatamente por ver em Temer um aliado recente é que o Palácio do Planalto considerou fundamental sua eleição. A última coisa que o governo quer é vê-lo aliado aos tucanos. Por isso, Lula trabalhou mais pela vitória do peemedebista na Câmara que pela de Tião Viana no Senado.

O PMDB já vinha fortalecido das eleições municipais, nas quais teve o maior número de votos e conquistou o comando de 1,1 mil cidades, incluindo capitais importantes, como Rio de Janeiro e Porto Alegre. “Se o PMDB continuar dividido, será difícil negociar com as duas alas”, diz um ministro próximo a Lula. “Mas, se ele se unir, ficará impossível.”


Veja reportagem sobre a eleição na Câmara e no Senado

Resignação no encontro ministerial

Apesar de defender a candidatura de Tião Viana (PT-AC) no Senado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acabou resignado com o fato de o PMDB ter conquistado a presidência das duas Casas do Congresso. Para Lula, é mais fácil ter de cicatrizar mágoas do petista do que compensar as bancadas peemedebistas da Câmara e do Senado. Além disso, o presidente traçou como meta, desde o início da campanha, não melindrar o senador José Sarney e o deputado Michel Temer, que são cobiçados como aliados da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, em 2010.

Foi com base nesse cálculo que Lula aceitou, mesmo a contragosto, assistir à engorda do PMDB. “O Planalto tem a consciência tranquila porque o Congresso está em mãos responsáveis e experientes”, disse o ministro de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro. Mesmo sem constar da agenda, a eleição foi discutida ontem em reunião ministerial, com 10 horas de duração, na Granja do Torto. Lula abriu o encontro lamentando o fato de não ter conseguido unir a base em torno de candidaturas únicas. Durante os debates, os presentes foram informados dos rumos dos discursos no plenário e do resultado. “As duas Casas foram soberanas para escolher com independência”, declarou Múcio. A meta do governo é impedir que os candidatos derrotados, todos de legendas governistas, reajam provocando fissuras na base. A promessa é de que nem ministérios nem cargos públicos serão usados para reconfortá-los. (DP)
 

Fonte: Ministério do Planejamento