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Publicado: 16/11/2007 | 14:29
Mais dinheiro sujo no país
Volume de inquéritos abertos pela Polícia Federal contra lavagem de dinheiro dobrou no último ano. Somadas as iniciadas e as em andamento, foram 21.633 investigações
Edson Luiz
Da equipe do Correio
A Bola de Fogo, uma das operações desencadeadas pela PF no ano passado, envolveu crimes de lavagem de dinheiro, sonegação e contrabando
Apenas em 2006 a Polícia Federal instaurou mais inquéritos contra a lavagem de dinheiro e crimes financeiros do que nos últimos três anos juntos. A maior parte dos casos envolveu dinheiro público, evasão de divisas e corrupção. Os números levantados pela PF mostram um aumento de 300% e o aparecimento de fatos que marcaram a história política do país, como o mensalão, cuja denúncia foi aceita pelo Supremo Tribunal Federal (STF) ou os dólares na cueca de um dirigente do PT cearense, que caíram no esquecimento e ninguém foi preso. As estatísticas revelam que em 2003 houve um crescimento de inquéritos, mas nos dois anos seguintes houve uma queda acentuada, aumentando novamente no ano passado.
Para delegados que atuam na área, o aumento é decorrente da modernização dos métodos dos criminosos e uma atuação mais eficaz da Polícia Federal. “Antes, os três crimes que mais se acentuaram foram o contrabando, a evasão de divisas e a sonegação fiscal. Com o passar dos anos, novos delitos apareceram, como o roubo a contas bancárias pela internet. A investigação também mudou e se modernizou. Hoje se apura um fato durante dois anos para pegar um grupo inteiro de criminosos, não apenas um”, observa um delegado do setor de inteligência.
A metodologia de investigação também se modificou. E é mais freqüente o envolvimento de servidores públicos nos crimes financeiros, principalmente onde há recursos da União. “Antes sabíamos que havia participação de funcionários, mas era difícil chegar a eles pela falta de provas”, diz o delegado, explicando que a utilização da escuta telefônica foi um meio eficaz para prender um integrante do governo. Os primeiros casos começaram a ser constatados em 2003, quando a Polícia Federal prendeu pelo menos 33 de seus agentes envolvidos com a criminalidade, em Foz do Iguaçu. Depois, surgiram fatos que marcaram a crônica política e policial, com a caso Waldomiro Diniz, quando o ex-subchefe de Assuntos Legislativos do Palácio do Planalto foi flagrado pedindo propina a um bicheiro, quando era presidente da Loteria do Rio de Janeiro (Loterj).
Estatística
Somados os inquéritos abertos, os em andamento e os encerrados, foram 21.633 casos de lavagem de dinheiro e crimes financeiros investigados pela Polícia Federal. Em 2003, quando o levantamento começou a ser feito, 2.107 inquéritos foram abertos, quase mil a mais que no ano seguinte, contabilizadas 1.055 apurações, número semelhante a 2005, que teve apenas quatro casos a mais. No entanto, no ano passado o volume de inquéritos foi de 4.611, mais que o dobro que nos anos anteriores. “Tivemos fatos grandes, mas também tivemos muitos sem relevância, que colocamos no rol de crimes financeiros”, explica o delegado.
Enquanto alguns casos tiveram grande repercussão nacional, como o de Waldomiro Diniz, ou do ex-funcionário dos Correios Maurício Marinho, que recebeu R$ 3 mil de propina, outros não tiveram divulgação, apesar de envolver vultosas quantias. É o caso da Operação Ajuste Fiscal, desencadeada pela PF em 2005 para desarticular uma quadrilha que desviava anualmente R$ 1 bilhão da Previdência Social, resultando em prisões de 11 auditores do órgão. A explicação da polícia é a de que a dimensão dos casos depende dos protagonistas. No de Diniz, por exemplo, resultou na demissão do então poderoso Chefe da Casa Civil do Palácio do Planalto, José Dirceu. E o de Marinho, nada mais do que o mensalão, a maior crise política que o atual governo já passou.
Nos inquéritos da Polícia Federal na área de crimes financeiros, cada vez mais aparecem o envolvimento de servidores. Em fevereiro de 2005, em 10 grandes operações, seis tinham funcionários públicos. Outro exemplo aconteceu no ano passado. A PF realizou apenas quatro grandes ações em abril de 2006 (Paralelo 251, Cerrado, Piraíba e Galiléia), prendendo mais empregados do governo do que cidadãos comuns. Para o delegado Getúlio Bezerra, que nos últimos quatro anos chefiou a Diretoria de Combate ao Crime Organizado da PF, uma outra causa do aumento dos inquéritos são os desmembramentos dos casos. “Há casos em que um inquérito se transforma em outros. O inquérito do Banestado, por exemplo, pode gerar outros oito mil”, diz Bezerra, que deixou o setor em setembro.
Volume de inquéritos abertos pela Polícia Federal contra lavagem de dinheiro dobrou no último ano. Somadas as iniciadas e as em andamento, foram 21.633 investigações
Edson Luiz
Da equipe do Correio
A Bola de Fogo, uma das operações desencadeadas pela PF no ano passado, envolveu crimes de lavagem de dinheiro, sonegação e contrabando
Apenas em 2006 a Polícia Federal instaurou mais inquéritos contra a lavagem de dinheiro e crimes financeiros do que nos últimos três anos juntos. A maior parte dos casos envolveu dinheiro público, evasão de divisas e corrupção. Os números levantados pela PF mostram um aumento de 300% e o aparecimento de fatos que marcaram a história política do país, como o mensalão, cuja denúncia foi aceita pelo Supremo Tribunal Federal (STF) ou os dólares na cueca de um dirigente do PT cearense, que caíram no esquecimento e ninguém foi preso. As estatísticas revelam que em 2003 houve um crescimento de inquéritos, mas nos dois anos seguintes houve uma queda acentuada, aumentando novamente no ano passado.
Para delegados que atuam na área, o aumento é decorrente da modernização dos métodos dos criminosos e uma atuação mais eficaz da Polícia Federal. “Antes, os três crimes que mais se acentuaram foram o contrabando, a evasão de divisas e a sonegação fiscal. Com o passar dos anos, novos delitos apareceram, como o roubo a contas bancárias pela internet. A investigação também mudou e se modernizou. Hoje se apura um fato durante dois anos para pegar um grupo inteiro de criminosos, não apenas um”, observa um delegado do setor de inteligência.
A metodologia de investigação também se modificou. E é mais freqüente o envolvimento de servidores públicos nos crimes financeiros, principalmente onde há recursos da União. “Antes sabíamos que havia participação de funcionários, mas era difícil chegar a eles pela falta de provas”, diz o delegado, explicando que a utilização da escuta telefônica foi um meio eficaz para prender um integrante do governo. Os primeiros casos começaram a ser constatados em 2003, quando a Polícia Federal prendeu pelo menos 33 de seus agentes envolvidos com a criminalidade, em Foz do Iguaçu. Depois, surgiram fatos que marcaram a crônica política e policial, com a caso Waldomiro Diniz, quando o ex-subchefe de Assuntos Legislativos do Palácio do Planalto foi flagrado pedindo propina a um bicheiro, quando era presidente da Loteria do Rio de Janeiro (Loterj).
Estatística
Somados os inquéritos abertos, os em andamento e os encerrados, foram 21.633 casos de lavagem de dinheiro e crimes financeiros investigados pela Polícia Federal. Em 2003, quando o levantamento começou a ser feito, 2.107 inquéritos foram abertos, quase mil a mais que no ano seguinte, contabilizadas 1.055 apurações, número semelhante a 2005, que teve apenas quatro casos a mais. No entanto, no ano passado o volume de inquéritos foi de 4.611, mais que o dobro que nos anos anteriores. “Tivemos fatos grandes, mas também tivemos muitos sem relevância, que colocamos no rol de crimes financeiros”, explica o delegado.
Enquanto alguns casos tiveram grande repercussão nacional, como o de Waldomiro Diniz, ou do ex-funcionário dos Correios Maurício Marinho, que recebeu R$ 3 mil de propina, outros não tiveram divulgação, apesar de envolver vultosas quantias. É o caso da Operação Ajuste Fiscal, desencadeada pela PF em 2005 para desarticular uma quadrilha que desviava anualmente R$ 1 bilhão da Previdência Social, resultando em prisões de 11 auditores do órgão. A explicação da polícia é a de que a dimensão dos casos depende dos protagonistas. No de Diniz, por exemplo, resultou na demissão do então poderoso Chefe da Casa Civil do Palácio do Planalto, José Dirceu. E o de Marinho, nada mais do que o mensalão, a maior crise política que o atual governo já passou.
Nos inquéritos da Polícia Federal na área de crimes financeiros, cada vez mais aparecem o envolvimento de servidores. Em fevereiro de 2005, em 10 grandes operações, seis tinham funcionários públicos. Outro exemplo aconteceu no ano passado. A PF realizou apenas quatro grandes ações em abril de 2006 (Paralelo 251, Cerrado, Piraíba e Galiléia), prendendo mais empregados do governo do que cidadãos comuns. Para o delegado Getúlio Bezerra, que nos últimos quatro anos chefiou a Diretoria de Combate ao Crime Organizado da PF, uma outra causa do aumento dos inquéritos são os desmembramentos dos casos. “Há casos em que um inquérito se transforma em outros. O inquérito do Banestado, por exemplo, pode gerar outros oito mil”, diz Bezerra, que deixou o setor em setembro.