antigas Publicado: 7/12/2007 | 09:25

Empresa ameaça paralisação

Lilian Tahan
Correio Braziliense

Companhia contratada por associação para prestar serviços bancários deixa de receber recursos



Uma das empresas terceirizadas pela Associação Nacional dos Bancos (Asbace) para prestar serviço ao BRB — com quem a entidade mantém contrato — ameaça interromper as operações nos postos de auto-atendimento do banco na próxima segunda-feira. Há três meses os pagamentos à Diebold/Procomp estão suspensos em função das denúncias de irregularidades apontadas pelo Ministério Público nos contratos envolvendo o BRB e a Asbace.

Com o início da Operação Aquarela, que investiga os contratos suspeitos no BRB, os depósitos do banco à Asbace passaram a ser feitos em juízo. E a Justiça, por sua vez, bloqueou a movimentação bancária referente a esses recursos. Há um montante de R$ 5 milhões de um contrato entre o banco e a associação para suporte de tecnologia nos postos de auto-atendimento. O serviço acertado a princípio com a Asbace foi terceirizado para a Diebold/Procomp. Mas com o embargo judicial, a Asbace não consegue transferir o dinheiro.

A demora do acerto de contas levou a direção da Diebold/ Procomp a dar um ultimato à Asbace. “A empresa trabalha em seu limite e ameaçou finalizar o atendimento na próxima segunda-feira se não efetivarmos o pagamento”, confirmou o secretário-geral da Asbace, Silvano Gianni. O executivo, que substituiu Juarez Lopes Cançado — um dos denunciados na Operação Aquarela —, argumenta que as “as eventuais lambanças cometidas por alguns personagens não podem prejudicar o prosseguimento de serviços essenciais ao banco e à população”.

Bloqueio


Em documento enviado à Justiça, os promotores do Núcleo de Combate às Organizações Criminosas (NCOC) defendem a permanência do bloqueio das contas da Asbace. Na opinião do MP, o atual contrato entre o BRB e a Asbace contém vício de origem, já que a parceria é terceirizada com dispensa de licitação. Foi justamente essa prática que levantou a suspeita de desvios de dinheiro do banco estimados em R$ 50 milhões. O juiz responsável pelo caso, Roberval Casemiro Belinati, acolheu o entendimento do Ministério Público e, na terça-feira, negou o pedido do BRB e da Asbace para liberar o dinheiro do convênio com a Diebold/Procomp.

A decisão acendeu o sinal de alerta do governo, que teme um colapso na rede de auto-atendimento do BRB. Mais da metade dos correntistas do banco (56%) preferem os terminais às agências. A interrupção abrupta dos serviços nos 485 postos disponíveis no Distrito Federal, portanto, significaria uma sobrecarga difícil de ser administrada na avaliação da atual diretoria do BRB. Por isso, um dia depois do despacho que negou o desbloqueio da conta da Asbace, o comando do banco, além do procurador-geral do GDF, Túlio Arantes, se reuniram com o juiz autor da decisão e pediram que ele reconsiderasse.

Um dos argumentos dos dirigentes do BRB é que a instituição vai lançar em breve licitação pública para a escolha de nova empresa prestadora de serviço na área de tecnologia bancária. Outra proposta levantada durante o encontro foi a de que em 90 dias o banco passasse ele próprio a operar o serviço de auto-atendimento. A hipótese, no entanto, foi descartada por meio da assessoria de imprensa da instituição, que confirmou a manutenção da parceria com a Diebold e explicou ser praticamente impossível o BRB ter condições de em três meses assumir tal tarefa. “Orientei que fosse feita uma petição com as propostas do banco e prometi reavaliar o caso depois de conversar com os promotores a respeito”, afirmou Roberval Belinati.


Lilian Tahan
Correio Braziliense

Companhia contratada por associação para prestar serviços bancários deixa de receber recursos



Uma das empresas terceirizadas pela Associação Nacional dos Bancos (Asbace) para prestar serviço ao BRB — com quem a entidade mantém contrato — ameaça interromper as operações nos postos de auto-atendimento do banco na próxima segunda-feira. Há três meses os pagamentos à Diebold/Procomp estão suspensos em função das denúncias de irregularidades apontadas pelo Ministério Público nos contratos envolvendo o BRB e a Asbace.

Com o início da Operação Aquarela, que investiga os contratos suspeitos no BRB, os depósitos do banco à Asbace passaram a ser feitos em juízo. E a Justiça, por sua vez, bloqueou a movimentação bancária referente a esses recursos. Há um montante de R$ 5 milhões de um contrato entre o banco e a associação para suporte de tecnologia nos postos de auto-atendimento. O serviço acertado a princípio com a Asbace foi terceirizado para a Diebold/Procomp. Mas com o embargo judicial, a Asbace não consegue transferir o dinheiro.

A demora do acerto de contas levou a direção da Diebold/ Procomp a dar um ultimato à Asbace. “A empresa trabalha em seu limite e ameaçou finalizar o atendimento na próxima segunda-feira se não efetivarmos o pagamento”, confirmou o secretário-geral da Asbace, Silvano Gianni. O executivo, que substituiu Juarez Lopes Cançado — um dos denunciados na Operação Aquarela —, argumenta que as “as eventuais lambanças cometidas por alguns personagens não podem prejudicar o prosseguimento de serviços essenciais ao banco e à população”.

Bloqueio


Em documento enviado à Justiça, os promotores do Núcleo de Combate às Organizações Criminosas (NCOC) defendem a permanência do bloqueio das contas da Asbace. Na opinião do MP, o atual contrato entre o BRB e a Asbace contém vício de origem, já que a parceria é terceirizada com dispensa de licitação. Foi justamente essa prática que levantou a suspeita de desvios de dinheiro do banco estimados em R$ 50 milhões. O juiz responsável pelo caso, Roberval Casemiro Belinati, acolheu o entendimento do Ministério Público e, na terça-feira, negou o pedido do BRB e da Asbace para liberar o dinheiro do convênio com a Diebold/Procomp.

A decisão acendeu o sinal de alerta do governo, que teme um colapso na rede de auto-atendimento do BRB. Mais da metade dos correntistas do banco (56%) preferem os terminais às agências. A interrupção abrupta dos serviços nos 485 postos disponíveis no Distrito Federal, portanto, significaria uma sobrecarga difícil de ser administrada na avaliação da atual diretoria do BRB. Por isso, um dia depois do despacho que negou o desbloqueio da conta da Asbace, o comando do banco, além do procurador-geral do GDF, Túlio Arantes, se reuniram com o juiz autor da decisão e pediram que ele reconsiderasse.

Um dos argumentos dos dirigentes do BRB é que a instituição vai lançar em breve licitação pública para a escolha de nova empresa prestadora de serviço na área de tecnologia bancária. Outra proposta levantada durante o encontro foi a de que em 90 dias o banco passasse ele próprio a operar o serviço de auto-atendimento. A hipótese, no entanto, foi descartada por meio da assessoria de imprensa da instituição, que confirmou a manutenção da parceria com a Diebold e explicou ser praticamente impossível o BRB ter condições de em três meses assumir tal tarefa. “Orientei que fosse feita uma petição com as propostas do banco e prometi reavaliar o caso depois de conversar com os promotores a respeito”, afirmou Roberval Belinati.