antigas Publicado: 11/12/2007 | 09:38

A força da contribuição nos estados

Fernanda Odilla
Correio Braziliense

Governo tenta seduzir senadores ao destacar que 12 unidades da Federação recebem repasses maiores do que arrecadam com a CPMF


 


Um dos últimos apelos do Palácio do Planalto para aprovar a prorrogação da CPMF é um documento elaborado pelo gabinete pessoal do presidente da República e atualizado no dia 29 de novembro. Com o título de “Importância Social da CPMF”, o texto foi distribuído a integrantes do pelotão acionado para convencer senadores a votarem a favor do tributo e mostra como é a partilha da CPMF no Brasil e em cada um dos 26 estados, além do Distrito Federal.

O governo aposta no retorno social da CPMF que, de acordo com o texto, praticamente banca todos os investimentos de três áreas: Previdência Rural, saúde e o Bolsa Família. Cuidadosamente preparado, o documento mostra quanto o país e os estados dependem do imposto que incide sobre as movimentações financeiras. Doze unidades da Federação recebem hoje repasses maiores do que o valor arrecadado com o tributo no estado.

O Maranhão é o maior beneficiado com a CPMF. Os bancos do estado arrecadam com o tributo R$ 640,6 milhões por ano e o estado tem um retorno de R$ 1,1 bilhão investidos em programas sociais. Assim como a média brasileira, 76% dos recursos do Bolsa Família no Maranhão vêm da CPMF. Mais de 735 mil famílias são beneficiadas com o programa.

O líder do governo na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS), é um dos integrantes da tropa de elite que tem usado como argumento a responsabilidade social da CPMF. Com o relatório elaborado pelo gabinete do presidente, Fontana tem mantido conversas com parlamentares mostrando como o tributo se transforma em investimentos sociais. “Os senadores têm se sensibilizado com esses argumentos”, garante Fontana que, na semana passada, esteve com Pedro Simon (PMDB-RS) destacando o impacto da CPMF no estado.

Os gaúchos pagam à CPMF mais de R$ 2,6 bilhões ao ano e recebem de volta R$ 1,9 bilhão investidos em programas sociais. Quem menos tem retorno com o imposto é São Paulo: 64% do que se paga é revertido para o estado.



Campos quer intermediar


O governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), afirmou ontem que poderá ser intermediador entre a oposição e o governo para a apresentação de uma contraproposta para a CPMF. “Se houver sugestão, que seja algo factível. Mas se houver algo possível de ser feito para evitarmos uma surpresa desagradável, eu me comprometo a ser o mediador e levar a proposta para o Guido (ministro da Fazenda, Guido Mantega). O que não pode é o país perder por um ou dois votos uma arrecadação de R$ 40 bilhões”, disse após participar de evento promovido pela Associação Comercial do Rio de Janeiro.

O governador deixou o Rio, com direção a São Paulo, e afirmou que estaria hoje em Brasília. Apesar de não revelar com quem ele se reuniria na capital paulista, lembrou que “hoje estão ocorrendo conversas intensas” na tentativa de garantir a aprovação da prorrogação da CPMF no Senado. “Eu espero sair com algo de lá (de São Paulo)”, disse.

Segundo ele, todos os governadores da base aliada, e até mesmo os tucanos José Serra (São Paulo) e Aécio Neves (Minas Gerais) estão “conversando” com os senadores de seus estados para indicar a posição favorável ao tributo.

Serra afirmou que a questão da CPMF depende muito mais do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva do que da própria oposição. “Sem dúvida nenhuma, a bola sempre esteve mais nos pés do governo”, destacou ele.


Fernanda Odilla
Correio Braziliense

Governo tenta seduzir senadores ao destacar que 12 unidades da Federação recebem repasses maiores do que arrecadam com a CPMF


 


Um dos últimos apelos do Palácio do Planalto para aprovar a prorrogação da CPMF é um documento elaborado pelo gabinete pessoal do presidente da República e atualizado no dia 29 de novembro. Com o título de “Importância Social da CPMF”, o texto foi distribuído a integrantes do pelotão acionado para convencer senadores a votarem a favor do tributo e mostra como é a partilha da CPMF no Brasil e em cada um dos 26 estados, além do Distrito Federal.

O governo aposta no retorno social da CPMF que, de acordo com o texto, praticamente banca todos os investimentos de três áreas: Previdência Rural, saúde e o Bolsa Família. Cuidadosamente preparado, o documento mostra quanto o país e os estados dependem do imposto que incide sobre as movimentações financeiras. Doze unidades da Federação recebem hoje repasses maiores do que o valor arrecadado com o tributo no estado.

O Maranhão é o maior beneficiado com a CPMF. Os bancos do estado arrecadam com o tributo R$ 640,6 milhões por ano e o estado tem um retorno de R$ 1,1 bilhão investidos em programas sociais. Assim como a média brasileira, 76% dos recursos do Bolsa Família no Maranhão vêm da CPMF. Mais de 735 mil famílias são beneficiadas com o programa.

O líder do governo na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS), é um dos integrantes da tropa de elite que tem usado como argumento a responsabilidade social da CPMF. Com o relatório elaborado pelo gabinete do presidente, Fontana tem mantido conversas com parlamentares mostrando como o tributo se transforma em investimentos sociais. “Os senadores têm se sensibilizado com esses argumentos”, garante Fontana que, na semana passada, esteve com Pedro Simon (PMDB-RS) destacando o impacto da CPMF no estado.

Os gaúchos pagam à CPMF mais de R$ 2,6 bilhões ao ano e recebem de volta R$ 1,9 bilhão investidos em programas sociais. Quem menos tem retorno com o imposto é São Paulo: 64% do que se paga é revertido para o estado.



Campos quer intermediar


O governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), afirmou ontem que poderá ser intermediador entre a oposição e o governo para a apresentação de uma contraproposta para a CPMF. “Se houver sugestão, que seja algo factível. Mas se houver algo possível de ser feito para evitarmos uma surpresa desagradável, eu me comprometo a ser o mediador e levar a proposta para o Guido (ministro da Fazenda, Guido Mantega). O que não pode é o país perder por um ou dois votos uma arrecadação de R$ 40 bilhões”, disse após participar de evento promovido pela Associação Comercial do Rio de Janeiro.

O governador deixou o Rio, com direção a São Paulo, e afirmou que estaria hoje em Brasília. Apesar de não revelar com quem ele se reuniria na capital paulista, lembrou que “hoje estão ocorrendo conversas intensas” na tentativa de garantir a aprovação da prorrogação da CPMF no Senado. “Eu espero sair com algo de lá (de São Paulo)”, disse.

Segundo ele, todos os governadores da base aliada, e até mesmo os tucanos José Serra (São Paulo) e Aécio Neves (Minas Gerais) estão “conversando” com os senadores de seus estados para indicar a posição favorável ao tributo.

Serra afirmou que a questão da CPMF depende muito mais do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva do que da própria oposição. “Sem dúvida nenhuma, a bola sempre esteve mais nos pés do governo”, destacou ele.