antigas
Publicado: 14/12/2007 | 11:29
Petistas criticam liderança de Jucá
Correio Braziliense
Atuação do peemedebista durante a votação do imposto do cheque provoca crise na base do governo
A derrota do governo na votação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) no Senado reabriu uma briga na base aliada. Em conversas reservadas ontem, os senadores petistas não pouparam críticas ao líder do governo na Casa, Romero Jucá (PMDB-RR). E ensaiam mais um pedido ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para reassumirem o posto. O PT não engoliu ainda a perda da liderança para Jucá. O peemedebista assumiu a vaga em outubro do ano passado, depois que o então líder, Aloizio Mercadante (PT-SP), foi envolvido no escândalo do dossiê da máfia dos sanguessugas contra políticos do PSDB. De lá para cá, os petistas procuram motivos para criticar Jucá, nem tanto pelas negociações com a oposição, mas principalmente por deixar o PT de fora das articulações.
O desconforto ficou evidente durante a votação da CPMF. Enquanto a líder do PT, Ideli Salvatti (SC), anunciava posição favorável ao adiamento da votação, Jucá subia à tribuna para defender o contrário. Ideli reclamou com senadores de sua bancada da falta de informação sobre as negociações com a oposição. Deixada de lado, tem dito que Jucá não discute com o PT a estratégia governista. O líder teria mantido em sigilo, por exemplo, as conversas sobre a carta enviada por Lula aos senadores na noite de quarta-feira.
Irritada, Ideli chegou a ir sozinha ao Palácio do Planalto naquela tarde para averiguar as chances do governo. Jucá evitou polemizar ao ser perguntado sobre a pressão petista para retirá-lo do posto. “O cargo pertence ao presidente Lula. Se houver reclamação, tem que ser feita a ele.”
Preferido do PT para assumir o lugar de Jucá, Tião Viana (PT-AC) elevou o tom com o peemedebista na frente dos outros senadores no plenário. O petista não concordou com a decisão de Jucá de votar separadamente a Desvinculação de Receitas da União (DRU) da CPMF. A DRU permite ao governo usar como quiser 20% dos impostos carimbados, inclusive o do cheque. Esse dispositivo gera cerca de R$ 80 bilhões ao governo. Parte do dinheiro é usada, por exemplo, para pagar dívidas da União com o sistema financeiro.
Saia-justa
Uma mesma emenda constitucional tratava dos dois assuntos. Favorável à DRU, a oposição ameaçou derrubá-la caso fosse votada junto com o imposto do cheque. Preocupado, Jucá propôs separá-las, com o aval de DEM e PSDB. Viana discordou. Avaliava que, ao votar as duas ao mesmo tempo, colocaria a oposição numa saia-justa, o que poderia dificultar a derrubada da CPMF. Valeu a tese do líder. Viana então se rebelou e preferiu não votar. Foi o único senador que votou pela contribuição, mas ficou de fora da apreciação da DRU. A CPMF perdeu, mas a DRU passou.
A disputa pela liderança do governo reacende uma velha ânsia petista pelo comando das articulações com o Congresso. Hoje, o Ministério de Relações Institucionais está com o PTB, representado pelo deputado José Múcio Monteiro (PE), ex-líder na Câmara. Além de Jucá, o PMDB ocupa também a liderança do governo no Congresso, com Roseana Sarney (MA). Resta ao PT apenas a liderança da Câmara, ocupada por Henrique Fontana (PT-SP), que substituiu Múcio.
Aliados de Jucá evitaram o confronto com o PT. Para alguns, parte da derrota para a CPMF também deve ser creditada a Mercadante. O senador paulista articulou a reunião fracassada entre o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e senadores do PSDB.
Correio Braziliense
Atuação do peemedebista durante a votação do imposto do cheque provoca crise na base do governo
A derrota do governo na votação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) no Senado reabriu uma briga na base aliada. Em conversas reservadas ontem, os senadores petistas não pouparam críticas ao líder do governo na Casa, Romero Jucá (PMDB-RR). E ensaiam mais um pedido ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para reassumirem o posto. O PT não engoliu ainda a perda da liderança para Jucá. O peemedebista assumiu a vaga em outubro do ano passado, depois que o então líder, Aloizio Mercadante (PT-SP), foi envolvido no escândalo do dossiê da máfia dos sanguessugas contra políticos do PSDB. De lá para cá, os petistas procuram motivos para criticar Jucá, nem tanto pelas negociações com a oposição, mas principalmente por deixar o PT de fora das articulações.
O desconforto ficou evidente durante a votação da CPMF. Enquanto a líder do PT, Ideli Salvatti (SC), anunciava posição favorável ao adiamento da votação, Jucá subia à tribuna para defender o contrário. Ideli reclamou com senadores de sua bancada da falta de informação sobre as negociações com a oposição. Deixada de lado, tem dito que Jucá não discute com o PT a estratégia governista. O líder teria mantido em sigilo, por exemplo, as conversas sobre a carta enviada por Lula aos senadores na noite de quarta-feira.
Irritada, Ideli chegou a ir sozinha ao Palácio do Planalto naquela tarde para averiguar as chances do governo. Jucá evitou polemizar ao ser perguntado sobre a pressão petista para retirá-lo do posto. “O cargo pertence ao presidente Lula. Se houver reclamação, tem que ser feita a ele.”
Preferido do PT para assumir o lugar de Jucá, Tião Viana (PT-AC) elevou o tom com o peemedebista na frente dos outros senadores no plenário. O petista não concordou com a decisão de Jucá de votar separadamente a Desvinculação de Receitas da União (DRU) da CPMF. A DRU permite ao governo usar como quiser 20% dos impostos carimbados, inclusive o do cheque. Esse dispositivo gera cerca de R$ 80 bilhões ao governo. Parte do dinheiro é usada, por exemplo, para pagar dívidas da União com o sistema financeiro.
Saia-justa
Uma mesma emenda constitucional tratava dos dois assuntos. Favorável à DRU, a oposição ameaçou derrubá-la caso fosse votada junto com o imposto do cheque. Preocupado, Jucá propôs separá-las, com o aval de DEM e PSDB. Viana discordou. Avaliava que, ao votar as duas ao mesmo tempo, colocaria a oposição numa saia-justa, o que poderia dificultar a derrubada da CPMF. Valeu a tese do líder. Viana então se rebelou e preferiu não votar. Foi o único senador que votou pela contribuição, mas ficou de fora da apreciação da DRU. A CPMF perdeu, mas a DRU passou.
A disputa pela liderança do governo reacende uma velha ânsia petista pelo comando das articulações com o Congresso. Hoje, o Ministério de Relações Institucionais está com o PTB, representado pelo deputado José Múcio Monteiro (PE), ex-líder na Câmara. Além de Jucá, o PMDB ocupa também a liderança do governo no Congresso, com Roseana Sarney (MA). Resta ao PT apenas a liderança da Câmara, ocupada por Henrique Fontana (PT-SP), que substituiu Múcio.
Aliados de Jucá evitaram o confronto com o PT. Para alguns, parte da derrota para a CPMF também deve ser creditada a Mercadante. O senador paulista articulou a reunião fracassada entre o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e senadores do PSDB.