antigas Publicado: 8/01/2008 | 08:36

Lula aponta alto lucro de bancos

Izabelle Torres
Correio Braziliense

Presidente diz em programa de rádio que rendimentos elevados explicam por que o setor financeiro não se queixou do aumento de impostos para compensar perdas com a derrubada da CPMF

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem feito pouco caso do barulho da oposição contra o pacote de medidas adotado pelo governo para tentar compensar a perda na arrecadação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Por dois motivos. O primeiro é que o governo tem adotado um discurso de que tudo já foi decidido e ficará como está. Para dar suporte a esse comportamento, a cúpula econômica do governo analisou o mercado financeiro nos últimos dias e avaliou positivamente a repercussão do anúncio das medidas. Além disso, o silêncio do setor bancário — atingido pelo aumento da alíquota da Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL) e do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) — é avaliado pelo próprio presidente da República como um indicador de que, diante de um cenário de crescimento favorável, até quem pagará mais imposto não tem do que reclamar.

Para Lula, a ausência de protestos do setor bancário ao reajuste de 9% para 15% na alíquota da CSLL é uma demonstração de que o setor lucrou tanto nos últimos anos que aceitou bem a decisão do governo. “Não reclamaram por quê? Porque os bancos tiveram muito lucro. Agora, os bancos estão ganhando, eles vão poder pagar um pouco mais. E nós resolvemos, então, taxar o lucro líquido deles”, disse Lula ontem, durante entrevista ao programa de rádio Café com o Presidente.

Ao comentar o pacote de medidas anunciado na semana passada, Lula disse que os reajustes nas alíquotas e o corte de gastos foram as melhores soluções para garantir a adequação do governo à perda de R$ 40 bilhões no orçamento por conta do fim da CPMF. Segundo ele, o reajuste na CSLL vai render aos cofres públicos cerca de R$ 2 bilhões, enquanto o reajuste do IOF — que sobe de 0,0041% para 0,0082% ao dia, mais uma taxa adicional de 0,38% — deve resultar na arrecadação de R$ 10 bilhões ao longo deste ano. “Esses valores serão somados aos 20 bilhões que nós vamos cortar do orçamento e a outros R$ 10 (bilhões) que nós achamos que vamos poder arrecadar com o crescimento da economia”, disse Lula. Durante a entrevista, o presidente afirmou que a redução dos gastos será um “corte na veia” e assegurou que os investimentos nas áreas de saúde, educação e nos programas sociais serão preservados.

Repercussão
As declarações de Lula repercutiram mal na oposição. Segundo o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), a avaliação positiva do presidente sobre o pacote econômico, tendo como base a reação dos banqueiros, significa um equívoco de prioridades do governo. “Ele tinha de se preocupar com os brasileiros correntistas que vão pagar a conta no final, depois que os bancos reajustarem as tarifas. É claro que os donos de bancos não estão preocupados. A conta final não será deles”, analisou.

O líder do DEM no Senado, José Agripino (RN), disse que as declarações do presidente representam a continuidade do absurdo que foram as medidas que constam no pacote. “Essa análise que ele fez foi só mais uma demonstração de que ele não só descumpriu o acordo (com a oposição) de não aumentar impostos, como tem insistido em falar que a decisão foi acertada e que os setores atingidos não estão reclamando”, criticou o líder. Para o vice-presidente do DEM, deputado José Carlos Aleluia (BA), o presidente demonstrou incoerência, visto que no fim de 2006 deu declarações comemorando o aumento do consumo e meses depois adotou medidas que vão frear o crédito.

Izabelle Torres
Correio Braziliense

Presidente diz em programa de rádio que rendimentos elevados explicam por que o setor financeiro não se queixou do aumento de impostos para compensar perdas com a derrubada da CPMF

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem feito pouco caso do barulho da oposição contra o pacote de medidas adotado pelo governo para tentar compensar a perda na arrecadação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Por dois motivos. O primeiro é que o governo tem adotado um discurso de que tudo já foi decidido e ficará como está. Para dar suporte a esse comportamento, a cúpula econômica do governo analisou o mercado financeiro nos últimos dias e avaliou positivamente a repercussão do anúncio das medidas. Além disso, o silêncio do setor bancário — atingido pelo aumento da alíquota da Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL) e do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) — é avaliado pelo próprio presidente da República como um indicador de que, diante de um cenário de crescimento favorável, até quem pagará mais imposto não tem do que reclamar.

Para Lula, a ausência de protestos do setor bancário ao reajuste de 9% para 15% na alíquota da CSLL é uma demonstração de que o setor lucrou tanto nos últimos anos que aceitou bem a decisão do governo. “Não reclamaram por quê? Porque os bancos tiveram muito lucro. Agora, os bancos estão ganhando, eles vão poder pagar um pouco mais. E nós resolvemos, então, taxar o lucro líquido deles”, disse Lula ontem, durante entrevista ao programa de rádio Café com o Presidente.

Ao comentar o pacote de medidas anunciado na semana passada, Lula disse que os reajustes nas alíquotas e o corte de gastos foram as melhores soluções para garantir a adequação do governo à perda de R$ 40 bilhões no orçamento por conta do fim da CPMF. Segundo ele, o reajuste na CSLL vai render aos cofres públicos cerca de R$ 2 bilhões, enquanto o reajuste do IOF — que sobe de 0,0041% para 0,0082% ao dia, mais uma taxa adicional de 0,38% — deve resultar na arrecadação de R$ 10 bilhões ao longo deste ano. “Esses valores serão somados aos 20 bilhões que nós vamos cortar do orçamento e a outros R$ 10 (bilhões) que nós achamos que vamos poder arrecadar com o crescimento da economia”, disse Lula. Durante a entrevista, o presidente afirmou que a redução dos gastos será um “corte na veia” e assegurou que os investimentos nas áreas de saúde, educação e nos programas sociais serão preservados.

Repercussão
As declarações de Lula repercutiram mal na oposição. Segundo o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), a avaliação positiva do presidente sobre o pacote econômico, tendo como base a reação dos banqueiros, significa um equívoco de prioridades do governo. “Ele tinha de se preocupar com os brasileiros correntistas que vão pagar a conta no final, depois que os bancos reajustarem as tarifas. É claro que os donos de bancos não estão preocupados. A conta final não será deles”, analisou.

O líder do DEM no Senado, José Agripino (RN), disse que as declarações do presidente representam a continuidade do absurdo que foram as medidas que constam no pacote. “Essa análise que ele fez foi só mais uma demonstração de que ele não só descumpriu o acordo (com a oposição) de não aumentar impostos, como tem insistido em falar que a decisão foi acertada e que os setores atingidos não estão reclamando”, criticou o líder. Para o vice-presidente do DEM, deputado José Carlos Aleluia (BA), o presidente demonstrou incoerência, visto que no fim de 2006 deu declarações comemorando o aumento do consumo e meses depois adotou medidas que vão frear o crédito.