antigas Publicado: 9/01/2008 | 08:43

Pedras no caminho da promessa de cargos

Izabelle Torres e Daniel Pereira
Correio Braziliense

Governo terá dificuldades para efetuar nomeações de segundo e terceiro escalões antes de fevereiro e garantir apoio da base aliada

O governo enfrentará dificuldades para cumprir a promessa de realizar nomeações para cargos de segundo e terceiro escalões antes de fevereiro, como pretende o ministro de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro. Apesar da intenção de atender as demandas dos parlamentares em cargos federais nos estados, a briga por poder entre os partidos e os cenários das políticas regionais serão obstáculos aos planos do governo, que planeja trocar nomeações pela boa vontade dos aliados nas votações da proposta orçamentária para 2008 e da medida provisória que aumentou em seis pontos percentuais a alíquota da Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL) cobrada dos bancos.

Ontem, durante reunião de mais de duas horas, três ministros desenharam o cenário problemático que terá de ser enfrentado para efetivar a promessa do governo. José Múcio e os colegas Paulo Bernardo (Planejamento) e Luiz Dulci (Secretaria-Geral da Presidência) avaliaram os pedidos dos parlamentares e concluíram que, mesmo nos casos de postos sobre os quais há consenso, as indicações feitas por Brasília esbarram em obstáculos erguidos nos estados. Para tentar contornar esses problemas, o ministro José Múcio Monteiro gastou boa parte da tarde de ontem tentando resolver uma queda-de-braço entre duas legendas por uma diretoria de estatal. “Agora, é só briga de poder”, disse Monteiro.

Prioridades
Cientes de que as nomeações são fundamentais para acalmar as bancadas, os ministros decidiram dar prioridade às nomeações para vagas que não são alvos de disputa. A idéia é nomeá-los o mais rapidamente possível. A fim de cumprir o objetivo, Múcio visitou ontem os ministros da Agricultura, Reinhold Stephanes, e da Justiça, Tarso Genro. Hoje, terá reunião com o titular da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima.

Em conversas reservadas, dois líderes aliados declararam que o governo só atendeu 5% das indicações para cargos federais nos estados. A ofensiva governista repercutiu bem no Congresso. Aliados dissidentes afirmaram que a morosidade para atender as demandas parlamentares nos estados foi a principal causa para a rejeição da proposta que prorrogava a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).

Reconhecimento
Para o senador Sergio Zambiasi (PTB-RS), a nomeação para cargos seguindo indicações de aliados representa um sinal de que o governo dará mais reconhecimento ao papel dos partidos que votam de acordo com a indicação do Planalto. “É uma atitude de mudança de comunicação. Isso é bom. Mesmo que meu partido não tenha pedido cargos, é bom que haja reconhecimento por meio de novas indicações”, disse o senador.

O ministro das Relações Institucionais sabe disso. Para Múcio, foi o atraso em atender antigas solicitações que prejudicou as negociações para garantir a aprovação da proposta. “Tem pedidos de indicações para cargos nos estados que foram acordados há mais de 10 meses. Esse tipo de acordo será nossa prioridade”, declarou. O governo espera negociar todos os cargos até o final do mês. A pressa é decorrente da tentativa governista de resolver as pendências com os aliados antes de consolidar o corte de R$ 20 bilhões nas despesas do orçamento para 2008.

Postos cobiçados

PMDB

Ministério de Minas e Energia

Presidência da Eletrobrás

Presidência da Eletronorte

Diretoria Internacional da Petrobras

PR

Superintendência do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (DNIT) em Santa Catarina

Superintendência do DNIT na Paraíba

Diretoria da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT)

Presidência da Chesf

PP

Presidência do BB Seguros

Diretoria da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)

Presidência da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) no Ceará

Secretaria Nacional de Programas Urbanos do Ministério das Cidades

Izabelle Torres e Daniel Pereira
Correio Braziliense

Governo terá dificuldades para efetuar nomeações de segundo e terceiro escalões antes de fevereiro e garantir apoio da base aliada

O governo enfrentará dificuldades para cumprir a promessa de realizar nomeações para cargos de segundo e terceiro escalões antes de fevereiro, como pretende o ministro de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro. Apesar da intenção de atender as demandas dos parlamentares em cargos federais nos estados, a briga por poder entre os partidos e os cenários das políticas regionais serão obstáculos aos planos do governo, que planeja trocar nomeações pela boa vontade dos aliados nas votações da proposta orçamentária para 2008 e da medida provisória que aumentou em seis pontos percentuais a alíquota da Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL) cobrada dos bancos.

Ontem, durante reunião de mais de duas horas, três ministros desenharam o cenário problemático que terá de ser enfrentado para efetivar a promessa do governo. José Múcio e os colegas Paulo Bernardo (Planejamento) e Luiz Dulci (Secretaria-Geral da Presidência) avaliaram os pedidos dos parlamentares e concluíram que, mesmo nos casos de postos sobre os quais há consenso, as indicações feitas por Brasília esbarram em obstáculos erguidos nos estados. Para tentar contornar esses problemas, o ministro José Múcio Monteiro gastou boa parte da tarde de ontem tentando resolver uma queda-de-braço entre duas legendas por uma diretoria de estatal. “Agora, é só briga de poder”, disse Monteiro.

Prioridades
Cientes de que as nomeações são fundamentais para acalmar as bancadas, os ministros decidiram dar prioridade às nomeações para vagas que não são alvos de disputa. A idéia é nomeá-los o mais rapidamente possível. A fim de cumprir o objetivo, Múcio visitou ontem os ministros da Agricultura, Reinhold Stephanes, e da Justiça, Tarso Genro. Hoje, terá reunião com o titular da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima.

Em conversas reservadas, dois líderes aliados declararam que o governo só atendeu 5% das indicações para cargos federais nos estados. A ofensiva governista repercutiu bem no Congresso. Aliados dissidentes afirmaram que a morosidade para atender as demandas parlamentares nos estados foi a principal causa para a rejeição da proposta que prorrogava a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).

Reconhecimento
Para o senador Sergio Zambiasi (PTB-RS), a nomeação para cargos seguindo indicações de aliados representa um sinal de que o governo dará mais reconhecimento ao papel dos partidos que votam de acordo com a indicação do Planalto. “É uma atitude de mudança de comunicação. Isso é bom. Mesmo que meu partido não tenha pedido cargos, é bom que haja reconhecimento por meio de novas indicações”, disse o senador.

O ministro das Relações Institucionais sabe disso. Para Múcio, foi o atraso em atender antigas solicitações que prejudicou as negociações para garantir a aprovação da proposta. “Tem pedidos de indicações para cargos nos estados que foram acordados há mais de 10 meses. Esse tipo de acordo será nossa prioridade”, declarou. O governo espera negociar todos os cargos até o final do mês. A pressa é decorrente da tentativa governista de resolver as pendências com os aliados antes de consolidar o corte de R$ 20 bilhões nas despesas do orçamento para 2008.

Postos cobiçados

PMDB

Ministério de Minas e Energia

Presidência da Eletrobrás

Presidência da Eletronorte

Diretoria Internacional da Petrobras

PR

Superintendência do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (DNIT) em Santa Catarina

Superintendência do DNIT na Paraíba

Diretoria da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT)

Presidência da Chesf

PP

Presidência do BB Seguros

Diretoria da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)

Presidência da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) no Ceará

Secretaria Nacional de Programas Urbanos do Ministério das Cidades