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Publicado: 1/02/2008 | 10:14
Votações podem ser comprometidas
Paulo de Tarso Lyra
Valor Econômico
Valor Econômico
A demora em concluir as nomeações exigidas pelos partidos aliados criará dificuldades para o governo em votações no Congresso, na reabertura do ano legislativo. A advertência é dos líderes de partidos da coalizão governista. Ontem, o ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro (PTB), admitiu a lentidão. "O mês de janeiro passou rápido demais", ironizou. Os mais céticos apostam em uma solução definitiva apenas em março. "Não há hipótese! Precisamos resolver isso antes que comecem as votações importantes do Congresso", alertou o líder do PMDB na Câmara, deputado Henrique Alves (RN).
O pemedebista lembra que a retomada dos trabalhos legislativos, prevista para a Quarta-Feira de Cinzas, traz uma série de riscos para o Palácio do Planalto, como o debate sobre os cortes do Orçamento de 2008 e a votação da medida provisória que elevou de 9% para 15% a alíquota de CSLL das instituições financeiras. "Não tem por que demorar na definição dos cargos. Isso vai se refletir numa insatisfação enorme nas bancadas", alertou Alves. "Não podemos começar o ano com a casa desarrumada, porque senão, vai ser muito pior lá na frente."
O líder do PSB na Câmara, Márcio França (SP), acha que o governo precisa definir se pretende ter de fato uma coalizão ou uma aliança restrita ao PT e ao PMDB. França admite que o presidente Lula tem todo o direito de escolher, para o seu segundo mandato, um ministério mais técnico e menos político. E de perguntar aos partidos da bancada governista se, mesmo assim, eles apóiam ou não o Executivo. O que não pode é manter o cenário como está. "Se ele quer um governo técnico sem gerar problemas com os aliados, basta empossar um Congresso apenas com concursados", ironizou.
França tenta poupar o ministro José Múcio Monteiro. Diz que é um parlamentar respeitado, cordial, que tende a deixar as coisas mais claras, mas assusta-se ao ver, pela imprensa, que ele está indo de ministério em ministério para pedir aos titulares das Pastas que aceitem novas nomeações. "Meu Deus! Isso o Walfrido (dos Mares Guia, o articulador político anterior) começou a fazer em março do ano passado. De lá para cá, nem 10% dos cargos foram preenchidos."
O líder do PSB diz que gostava de Walfrido, mas lembra que, por dificuldades como as que Múcio está enfrentando, o ex-ministro foi apelidado pelos aliados de "o ministro do futuro". França espera que Múcio mude esse cenário, por ser "muito mais cirúrgico", embora saiba que nem tudo depende apenas dele. "Ou ele consegue se impor perante os demais ministros ou ficará tão desautorizado que não caberão em sua biografia justificativas políticas para permanecer onde está", afirmou França, que adota metáfora futebolística para dizer que Múcio é o centroavante do time "político" e a ministra Dilma Rousseff, a do time "técnico". "Acho louvável que em setores estratégicos, como a Petrobras, privilegiem-se nomes técnicos. Mas o governo não é só a Petrobras."
Alguns líderes aliados defenderam, quando o presidente Lula foi reeleito, que a divisão de cargos se desse pelo sistema de "porteira fechada". Cada ministério seria entregue, integralmente, a uma legenda, e ela se tornaria responsável por tudo o que acontecesse na Pasta. "O governo não quis, preferiu que reuníssemos os aliados estaduais para fechar os nomes", informou França.
O líder afirma que esse consenso "quase inimaginável" foi obtido em 25 Estados e as indicações foram unificadas. "Os nomes são levados à apreciação de Múcio e dos demais ministros. Há alguns que não aceitam para não melindrar quem lá estava. Não se faz um omelete sem quebrar alguns ovos", reclamou. O líder do PR na Câmara, Luciano Castro (RR), diz que nada do que a legenda reivindicava foi atendido, mas tenta tirar de sua bancada a pecha de "chantagista". "Não quero crer que o PMDB vá obstruir votações por cargos nos segundos e terceiros escalões. Eles já estão no comando dos ministérios que queriam", disse Castro.
Múcio, que se reúne quase diariamente com o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, e com os demais líderes aliados, promete solucionar as pendências. Não necessariamente em março, mas adianta que nem tudo estará pronto em breve. "Avançamos muito em janeiro e vamos continuar avançando até o início dos trabalhos do Congresso. A Quarta-Feira, que um dia foi de Cinzas, este ano será de trabalho", prometeu.
Apesar de todas as dificuldades, Múcio torce para que o governo consiga virar essa agenda, pois sabe que, apesar de ter um ano eleitoral pela frente - o que diminui o tempo de atividades no parlamento -, o Executivo planeja encaminhar algumas propostas importantes, como a reforma tributária. "A agenda do governo não pode ficar restrita a cargos e emendas. Precisamos discutir as reformas necessárias ao país", disse ele. "Estamos lidando com pessoas da nossa própria base. Quando atendemos a um pedido, significa, necessariamente, que estamos desatendendo outro companheiro."
Paulo de Tarso Lyra
Valor Econômico
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A demora em concluir as nomeações exigidas pelos partidos aliados criará dificuldades para o governo em votações no Congresso, na reabertura do ano legislativo. A advertência é dos líderes de partidos da coalizão governista. Ontem, o ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro (PTB), admitiu a lentidão. "O mês de janeiro passou rápido demais", ironizou. Os mais céticos apostam em uma solução definitiva apenas em março. "Não há hipótese! Precisamos resolver isso antes que comecem as votações importantes do Congresso", alertou o líder do PMDB na Câmara, deputado Henrique Alves (RN).
O pemedebista lembra que a retomada dos trabalhos legislativos, prevista para a Quarta-Feira de Cinzas, traz uma série de riscos para o Palácio do Planalto, como o debate sobre os cortes do Orçamento de 2008 e a votação da medida provisória que elevou de 9% para 15% a alíquota de CSLL das instituições financeiras. "Não tem por que demorar na definição dos cargos. Isso vai se refletir numa insatisfação enorme nas bancadas", alertou Alves. "Não podemos começar o ano com a casa desarrumada, porque senão, vai ser muito pior lá na frente."
O líder do PSB na Câmara, Márcio França (SP), acha que o governo precisa definir se pretende ter de fato uma coalizão ou uma aliança restrita ao PT e ao PMDB. França admite que o presidente Lula tem todo o direito de escolher, para o seu segundo mandato, um ministério mais técnico e menos político. E de perguntar aos partidos da bancada governista se, mesmo assim, eles apóiam ou não o Executivo. O que não pode é manter o cenário como está. "Se ele quer um governo técnico sem gerar problemas com os aliados, basta empossar um Congresso apenas com concursados", ironizou.
França tenta poupar o ministro José Múcio Monteiro. Diz que é um parlamentar respeitado, cordial, que tende a deixar as coisas mais claras, mas assusta-se ao ver, pela imprensa, que ele está indo de ministério em ministério para pedir aos titulares das Pastas que aceitem novas nomeações. "Meu Deus! Isso o Walfrido (dos Mares Guia, o articulador político anterior) começou a fazer em março do ano passado. De lá para cá, nem 10% dos cargos foram preenchidos."
O líder do PSB diz que gostava de Walfrido, mas lembra que, por dificuldades como as que Múcio está enfrentando, o ex-ministro foi apelidado pelos aliados de "o ministro do futuro". França espera que Múcio mude esse cenário, por ser "muito mais cirúrgico", embora saiba que nem tudo depende apenas dele. "Ou ele consegue se impor perante os demais ministros ou ficará tão desautorizado que não caberão em sua biografia justificativas políticas para permanecer onde está", afirmou França, que adota metáfora futebolística para dizer que Múcio é o centroavante do time "político" e a ministra Dilma Rousseff, a do time "técnico". "Acho louvável que em setores estratégicos, como a Petrobras, privilegiem-se nomes técnicos. Mas o governo não é só a Petrobras."
Alguns líderes aliados defenderam, quando o presidente Lula foi reeleito, que a divisão de cargos se desse pelo sistema de "porteira fechada". Cada ministério seria entregue, integralmente, a uma legenda, e ela se tornaria responsável por tudo o que acontecesse na Pasta. "O governo não quis, preferiu que reuníssemos os aliados estaduais para fechar os nomes", informou França.
O líder afirma que esse consenso "quase inimaginável" foi obtido em 25 Estados e as indicações foram unificadas. "Os nomes são levados à apreciação de Múcio e dos demais ministros. Há alguns que não aceitam para não melindrar quem lá estava. Não se faz um omelete sem quebrar alguns ovos", reclamou. O líder do PR na Câmara, Luciano Castro (RR), diz que nada do que a legenda reivindicava foi atendido, mas tenta tirar de sua bancada a pecha de "chantagista". "Não quero crer que o PMDB vá obstruir votações por cargos nos segundos e terceiros escalões. Eles já estão no comando dos ministérios que queriam", disse Castro.
Múcio, que se reúne quase diariamente com o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, e com os demais líderes aliados, promete solucionar as pendências. Não necessariamente em março, mas adianta que nem tudo estará pronto em breve. "Avançamos muito em janeiro e vamos continuar avançando até o início dos trabalhos do Congresso. A Quarta-Feira, que um dia foi de Cinzas, este ano será de trabalho", prometeu.
Apesar de todas as dificuldades, Múcio torce para que o governo consiga virar essa agenda, pois sabe que, apesar de ter um ano eleitoral pela frente - o que diminui o tempo de atividades no parlamento -, o Executivo planeja encaminhar algumas propostas importantes, como a reforma tributária. "A agenda do governo não pode ficar restrita a cargos e emendas. Precisamos discutir as reformas necessárias ao país", disse ele. "Estamos lidando com pessoas da nossa própria base. Quando atendemos a um pedido, significa, necessariamente, que estamos desatendendo outro companheiro."