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Publicado: 14/02/2008 | 08:45
PT quer blindar compras de Lula
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Daniel Pereira |
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Correio Braziliense |
Cúpula petista defende sigilo e teme que CPI dos Cartões atrapalhe votação de projetos importantes
O PT comemorou ontem 28 anos de idade, num jantar em Brasília, sem aquele ímpeto investigativo e a disposição para o embate político dos tempos em que liderava a oposição no país. Antes de participar da festa, líderes do partido defenderam um acordo com PSDB e DEM a fim de impedir que a comissão parlamentar de inquérito (CPI) sobre os gastos com cartões corporativos impeça a votação de projetos considerados prioritários e prejudique o crescimento do país. Além disso, pregaram a necessidade de os parlamentares manterem em sigilo as despesas realizadas em nome da segurança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e familiares.
“É importante que haja um entendimento de que não é conveniente para o país a paralisia dos trabalhos do Congresso. A reforma tributária não pode ficar sujeita a uma disputa política”, disse o deputado Ricardo Berzoini (SP), presidente nacional do PT. Entoando discurso caro ao Palácio do Planalto, Berzoini disse concordar com a possibilidade de a CPI analisar secretamente as despesas realizadas por meio do cartão para assegurar a segurança dos presidentes da República, e não apenas de Lula e familiares. Destacou, no entanto, ser fundamental manter o sigilo das informações.
O ministro da Justiça, Tarso Genro, seguiu a mesma linha. Declarou que a apuração, se for realizada pelos parlamentares, não pode desrespeitar as questões protegidas por lei. “Não pode vazar informação. Se vazar, tem de ser punido”, ecoou o presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia (PT-SP). “Essa questão de falar da família do presidente eu me recuso a comentar”, acrescentou. Calejado com a paralisia da Casa por três meses no ano passado, devido ao embate em torno da proposta de prorrogação da cobrança da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), Chinaglia manifestou o temor de que os colegas não votem matérias relevantes caso a comissão seja instalada.
Confronto
Tal receio não é à toa. Ontem, líderes da oposição ameaçaram obstruir as votações se não emplacarem um de seus quadros na presidência ou na relatoria da CPI. “A oposição está mais preocupada em criar confronto do que em investigar”, atacou Genro. Cotado para relator, o ex-líder do PT na Câmara Luiz Sérgio (RJ) deixou claro que, se for escolhido para o posto, lutará pela manutenção do sigilo das despesas realizadas em nome da segurança do presidente da República. “Nas embaixadas dos Estados Unidos, até a água mineral é importada”, declarou, sem entrar em detalhes sobre a relação entre os dois fatos.
Para Sérgio, a CPI tem de priorizar o trabalho produtivo. Leia-se: criar regras mais claras e específicas para o uso do cartão corporativo. “Há um número alto de uso sem regras rígidas de controle. Esse trabalho talvez seja até mais importante do que fiscalizar os gastos já realizados”. Genro não só concordou como ironizou, ao lembrar que o trabalho de investigação será “muito fácil”, uma vez que o governo federal divulga suas operações com cartões de crédito corporativo no Portal da Transparência da Controladoria-Geral da União (CGU).
O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, informou que o governo estuda divulgar no Portal da Transparência as justificativas dos gestores para saques com cartões corporativos.
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Daniel Pereira |
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Correio Braziliense |
Cúpula petista defende sigilo e teme que CPI dos Cartões atrapalhe votação de projetos importantes
O PT comemorou ontem 28 anos de idade, num jantar em Brasília, sem aquele ímpeto investigativo e a disposição para o embate político dos tempos em que liderava a oposição no país. Antes de participar da festa, líderes do partido defenderam um acordo com PSDB e DEM a fim de impedir que a comissão parlamentar de inquérito (CPI) sobre os gastos com cartões corporativos impeça a votação de projetos considerados prioritários e prejudique o crescimento do país. Além disso, pregaram a necessidade de os parlamentares manterem em sigilo as despesas realizadas em nome da segurança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e familiares.
“É importante que haja um entendimento de que não é conveniente para o país a paralisia dos trabalhos do Congresso. A reforma tributária não pode ficar sujeita a uma disputa política”, disse o deputado Ricardo Berzoini (SP), presidente nacional do PT. Entoando discurso caro ao Palácio do Planalto, Berzoini disse concordar com a possibilidade de a CPI analisar secretamente as despesas realizadas por meio do cartão para assegurar a segurança dos presidentes da República, e não apenas de Lula e familiares. Destacou, no entanto, ser fundamental manter o sigilo das informações.
O ministro da Justiça, Tarso Genro, seguiu a mesma linha. Declarou que a apuração, se for realizada pelos parlamentares, não pode desrespeitar as questões protegidas por lei. “Não pode vazar informação. Se vazar, tem de ser punido”, ecoou o presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia (PT-SP). “Essa questão de falar da família do presidente eu me recuso a comentar”, acrescentou. Calejado com a paralisia da Casa por três meses no ano passado, devido ao embate em torno da proposta de prorrogação da cobrança da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), Chinaglia manifestou o temor de que os colegas não votem matérias relevantes caso a comissão seja instalada.
Confronto
Tal receio não é à toa. Ontem, líderes da oposição ameaçaram obstruir as votações se não emplacarem um de seus quadros na presidência ou na relatoria da CPI. “A oposição está mais preocupada em criar confronto do que em investigar”, atacou Genro. Cotado para relator, o ex-líder do PT na Câmara Luiz Sérgio (RJ) deixou claro que, se for escolhido para o posto, lutará pela manutenção do sigilo das despesas realizadas em nome da segurança do presidente da República. “Nas embaixadas dos Estados Unidos, até a água mineral é importada”, declarou, sem entrar em detalhes sobre a relação entre os dois fatos.
Para Sérgio, a CPI tem de priorizar o trabalho produtivo. Leia-se: criar regras mais claras e específicas para o uso do cartão corporativo. “Há um número alto de uso sem regras rígidas de controle. Esse trabalho talvez seja até mais importante do que fiscalizar os gastos já realizados”. Genro não só concordou como ironizou, ao lembrar que o trabalho de investigação será “muito fácil”, uma vez que o governo federal divulga suas operações com cartões de crédito corporativo no Portal da Transparência da Controladoria-Geral da União (CGU).
O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, informou que o governo estuda divulgar no Portal da Transparência as justificativas dos gestores para saques com cartões corporativos.