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Publicado: 18/02/2008 | 08:35
Protesto reúne 700 pessoas na orla
| Ana Paula Verly |
| Jornal do Brasil |
A reação do governador, que minimizou o caso e exonerou o comandante e vários oficiais da corporação depois do primeiro protesto, não esvaziou o movimento por reajuste salarial na PM. Pelo contrário. Ontem, 700 manifestantes fizeram nova passeata em favor de bombeiros e policiais, na orla do Leblon. A marcha chegou perto da residência de Cabral, cuja rua foi bloqueada por dezenas de militares do 23º BPM.
Apesar da pressão do governo estadual, que ameaçou punir novamente agentes da PM que participassem da segunda manifestação por melhores salários, cerca de 700 pessoas, entre policiais militares, bombeiros e parentes engrossaram o movimento e fizeram ontem uma caminhada pacífica na orla. O ato é uma prova de que parte da corporação está disposta a desafiar o governador Sérgio Cabral, que anunciou castigar, até com a expulsão da tropa, alguns policiais. O protesto começou no Posto 10, em Ipanema, e terminou no Posto 12, no Leblon, a poucos metros da residência do governador. Para evitar a aproximação dos manifestantes, policiais do 23º BPM (Leblon) bloquearam o trecho da Rua Aristídes Espínola entre as avenidas Delfim Moreira e General San Martin, onde mora Cabral.
Durante a semana passada, o chefe do Estado-Maior da corporação, coronel Antônio Carlos Suarez David, diante da informação de que os coronéis barbonos estavam visitando batalhões para conquistar adesões à passeata, divulgou de forma verbal uma orientação para os comandantes de unidades - os coronéis que visitassem cada quartel da PM deveriam ser levados diretamente à sala do comandante. E, de lá, só sairiam diretamente para a rua, sem poder andar pelo pátio ou ter acesso a quaisquer instalações internas da unidade. De acordo com os organizadores, isso pode contribuído para uma redução da presença de policiais em até 30%. Mesmo assim, dois comandantes que compareceram em Ipanema foram aconselhados pelos próprios colegas a não participarem do protesto para não sofrerem represálias. Para poupá-los, a organização preferiu não divulgar seus nomes.
Aderiram ao movimento bombeiros, funcionários do Judiciário e das ONGs MV Brasil e Gabriela Sou da Paz. Um carro de som abriu caminho na Vieira Souto, tocando o hino da PM, o rap Código 800, composto para a ocasião e que fala do código usado pelos policiais para pedir auxílio pelo telefone 190 da polícia, e a música Apesar de você, de Chico Buarque. Organizador do protesto e ex-corregedor da PM, o coronel Pedro Paulo Paúl, do grupo dos barbonos, disse que a música composta na época da ditadura militar retrata também a situação atual.
- Vivemos uma ditadura de terno e gravata. A nossa luta é para resgatar a cidadania de bombeiros e PMs. Queremos que o governador cumpra as promessas de campanha. Se não tem condição de cumprir, pede para sair - disse, em referência explícita ao bordão do filme Tropa de elite.
O presidente da Associação dos Militares Auxiliares e Especialistas (Amae), tenente Melquisedec Nascimento, lembrou a promessa de Cabral, feita aos policiais militares durante a campanha eleitoral, de promover uma correção de 54% no salário dos policiais.
- O governador disse que não há previsão orçamentária para o reajuste - destacou Melquisedec. - Ele está descumprindo uma promessa de campanha. A manifestação tem a finalidade de chamar a atenção para que ele abra a negociação.
Policiais são miseráveis
Hoje, um PM em início de carreira ganha entre R$ 840 e R$ 900, dependendo do estado civil. Policiais rodoviários federais, quem ganham R$ 5.400, estão entrado em greve para ter 44% de aumento.
- Essa diferença reforça a situação de miserabilidade do policial militar no Rio - compara Melquisedec. - Se o reajuste não for concedido aos PMs até 5 de abril, só poderá acontecer em 2009, pois este é um ano eleitoral.
| Ana Paula Verly |
| Jornal do Brasil |
A reação do governador, que minimizou o caso e exonerou o comandante e vários oficiais da corporação depois do primeiro protesto, não esvaziou o movimento por reajuste salarial na PM. Pelo contrário. Ontem, 700 manifestantes fizeram nova passeata em favor de bombeiros e policiais, na orla do Leblon. A marcha chegou perto da residência de Cabral, cuja rua foi bloqueada por dezenas de militares do 23º BPM.
Apesar da pressão do governo estadual, que ameaçou punir novamente agentes da PM que participassem da segunda manifestação por melhores salários, cerca de 700 pessoas, entre policiais militares, bombeiros e parentes engrossaram o movimento e fizeram ontem uma caminhada pacífica na orla. O ato é uma prova de que parte da corporação está disposta a desafiar o governador Sérgio Cabral, que anunciou castigar, até com a expulsão da tropa, alguns policiais. O protesto começou no Posto 10, em Ipanema, e terminou no Posto 12, no Leblon, a poucos metros da residência do governador. Para evitar a aproximação dos manifestantes, policiais do 23º BPM (Leblon) bloquearam o trecho da Rua Aristídes Espínola entre as avenidas Delfim Moreira e General San Martin, onde mora Cabral.
Durante a semana passada, o chefe do Estado-Maior da corporação, coronel Antônio Carlos Suarez David, diante da informação de que os coronéis barbonos estavam visitando batalhões para conquistar adesões à passeata, divulgou de forma verbal uma orientação para os comandantes de unidades - os coronéis que visitassem cada quartel da PM deveriam ser levados diretamente à sala do comandante. E, de lá, só sairiam diretamente para a rua, sem poder andar pelo pátio ou ter acesso a quaisquer instalações internas da unidade. De acordo com os organizadores, isso pode contribuído para uma redução da presença de policiais em até 30%. Mesmo assim, dois comandantes que compareceram em Ipanema foram aconselhados pelos próprios colegas a não participarem do protesto para não sofrerem represálias. Para poupá-los, a organização preferiu não divulgar seus nomes.
Aderiram ao movimento bombeiros, funcionários do Judiciário e das ONGs MV Brasil e Gabriela Sou da Paz. Um carro de som abriu caminho na Vieira Souto, tocando o hino da PM, o rap Código 800, composto para a ocasião e que fala do código usado pelos policiais para pedir auxílio pelo telefone 190 da polícia, e a música Apesar de você, de Chico Buarque. Organizador do protesto e ex-corregedor da PM, o coronel Pedro Paulo Paúl, do grupo dos barbonos, disse que a música composta na época da ditadura militar retrata também a situação atual.
- Vivemos uma ditadura de terno e gravata. A nossa luta é para resgatar a cidadania de bombeiros e PMs. Queremos que o governador cumpra as promessas de campanha. Se não tem condição de cumprir, pede para sair - disse, em referência explícita ao bordão do filme Tropa de elite.
O presidente da Associação dos Militares Auxiliares e Especialistas (Amae), tenente Melquisedec Nascimento, lembrou a promessa de Cabral, feita aos policiais militares durante a campanha eleitoral, de promover uma correção de 54% no salário dos policiais.
- O governador disse que não há previsão orçamentária para o reajuste - destacou Melquisedec. - Ele está descumprindo uma promessa de campanha. A manifestação tem a finalidade de chamar a atenção para que ele abra a negociação.
Policiais são miseráveis
Hoje, um PM em início de carreira ganha entre R$ 840 e R$ 900, dependendo do estado civil. Policiais rodoviários federais, quem ganham R$ 5.400, estão entrado em greve para ter 44% de aumento.
- Essa diferença reforça a situação de miserabilidade do policial militar no Rio - compara Melquisedec. - Se o reajuste não for concedido aos PMs até 5 de abril, só poderá acontecer em 2009, pois este é um ano eleitoral.