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Publicado: 27/02/2008 | 10:08
Para Lula, porrada não educa
Jornal do Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que esteve no Rio ontem, destacou que, só por meio da educação, o Brasil vai manter a estabilidade econômica. De acordo com Lula, é preciso combater a criminalidade intensamente. Em tom enfático e até usando um palavrão Lula ressaltou:
Se porrada educasse, bandido saía da cadeia santo.
Lembrou também que, em oito anos de mandato, o governo criou 214 escolas técnicas profissionais, enquanto todos os anteriores, durante 93 anos, inauguraram apenas 140.
O discurso ocorreu durante a visita às obras da ThyssenKrupp CSA (Companhia Siderúrgica do Atlântico), complexo siderúrgico em construção no distrito industrial de Santa Cruz, na Zona Oeste.
O presidente ressaltou também que vai passar a faixa para o sucessor com 10 novas universidades federais, 48 cursos de extensão espalhados pelo país e 14 escolas técnicas de capacitação profissional.
Eu não posso errar porque, quando encerrar o mandato, não vou para Paris ou Londres, voltarei para São Bernardo do Campo, a 800 metros do movimento sindicalista - assinalou o presidente.
Dez anos de sindicato
Segundo Lula, o Brasil viveu três décadas de descaso político, que prejudicaram os jovens, o que explica o desemprego de parte da juventude.
Vivi 10 anos como presidente do sindicato e presenciei o começo do avanço tecnológico. No auge da crise do desemprego, só existiam placas de "Precisa-se". Não havia vagas disponíveis - ponderou.
Lula destaca que o aperto fiscal feito em 2003, logo depois de assumir a presidência, e a manutenção da economia, foram cruciais para garantir a credibilidade política, mesmo com o débito de US$ 15,9 bilhões na conta do FMI.
A ortodoxia da política econômica, segundo Lula, permitiu que, dois anos depois, fosse possível descartar o FMI. O cenário de hoje, diz o presidente, aponta para uma economia estabilizada, que mantém reservas de US$ 190 bilhões.
Fizemos o trabalho da "formiguinha", e até agora a crise americana não atravessou o Atlântico - disse Lula, durante visita à inaguração da nova fábrica da Michelin.
Na inauguração da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Campo Grande, Lula e Cabral passaram por constrangimentos. Antes da chegada da comitiva presidencial, o deputado estadual Natalino Guimarães (DEM) usava um carro de som para protestar, em frente aos seguranças do presidente, contra a prisão de seu irmão, o vereador Jerominho (PMDB), preso por ser suspeito de chefiar um grupo de milícias atuante na Zona Oeste. Natalino só parou com os protestos depois de um pedido do secretário estadual de Turismo, Eduardo Paes. Mesmo assim, Natalino ainda deu um jeito de aparecer durante a solenidade. Atendendo aos pedidos de uma claque organizada, vestida com uma camisa com o nome de seu irmão, Natalino subiu no palco das autoridades no meio da cerimônia e sentou-se logo atrás de Lula.
Embora tenha sido aplaudido pela maioria da platéia, o governador Sérgio Cabral foi, de longe, o mais hostilizado. Seu discurso foi interrompido duas vezes por um grupo de candidatos que, embora tenha sido aprovado em um concurso da Secretaria Estadual de Administração Penitenciária em 2003, ainda não foi convocado. O governador tentou reagir com calma, considerando a manifestação democrática e, à moda lulista, chamando os candidatos de "companheiros". Diante da insistência do grupo, porém, reagiu mais energicamente.
Vocês não vão estragar a festa, não é isso? - questionou. - Sem discussão, sem valentia. Eu estou há um ano no governo, companheiros. Agüenta a mão aí, pô.
Os manifestantes incitaram o presidente a interceder a seu favor. Lula pediu para que Cabral, em vez de voltar a seu lugar, acompanhasse o início de seu discurso ao lado do púlpito. E, em uma só tacada, enalteceu o amigo e alfinetou o casal Garotinho, inquilino anterior do Palácio Guanabara.
No governo passado, não foi possível esta harmonia. Mandamos 80 ambulâncias que ficaram meses sem funcionar, porque o administrador achou que não eram necessárias. Hoje todas estão andando, graças ao Cabral - elogiou o presidente, que, mais cedo, já havia chamado o governador de "irmão de coração e de alma".
Em todos os eventos de sua agenda, Lula antecipou a programação de sua próxima vinda ao Estado, no dia 7 de março, quando começam as obras do Programa de Aceleração do Crescimento nos complexos do Alemão, Manguinhos e Rocinha. O presidente chegou a definir o projeto como a maior intervenção urbanística já sofrida pela cidade, que seria exageradamente considerada como um reduto da violência pelos meios de comunicação.
Não queremos ir lá com a polícia para bater nos moradores. Vamos como governo, oferecendo aos moradores condições de acesso às coisas que todo mundo tem direito.
À noite, no Teatro Municipal, Lula encontrou parte do elenco do filme Tropa de Elite, que lhe mostrou a estatueta do Leão de Ouro, prêmio máximo do Festival de Berlim.
Foi uma maneira de o presidente prestigiar o cinema brasileiro - elogiou o diretor da película, José Padilha.
Jornal do Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que esteve no Rio ontem, destacou que, só por meio da educação, o Brasil vai manter a estabilidade econômica. De acordo com Lula, é preciso combater a criminalidade intensamente. Em tom enfático e até usando um palavrão Lula ressaltou:
Se porrada educasse, bandido saía da cadeia santo.
Lembrou também que, em oito anos de mandato, o governo criou 214 escolas técnicas profissionais, enquanto todos os anteriores, durante 93 anos, inauguraram apenas 140.
O discurso ocorreu durante a visita às obras da ThyssenKrupp CSA (Companhia Siderúrgica do Atlântico), complexo siderúrgico em construção no distrito industrial de Santa Cruz, na Zona Oeste.
O presidente ressaltou também que vai passar a faixa para o sucessor com 10 novas universidades federais, 48 cursos de extensão espalhados pelo país e 14 escolas técnicas de capacitação profissional.
Eu não posso errar porque, quando encerrar o mandato, não vou para Paris ou Londres, voltarei para São Bernardo do Campo, a 800 metros do movimento sindicalista - assinalou o presidente.
Dez anos de sindicato
Segundo Lula, o Brasil viveu três décadas de descaso político, que prejudicaram os jovens, o que explica o desemprego de parte da juventude.
Vivi 10 anos como presidente do sindicato e presenciei o começo do avanço tecnológico. No auge da crise do desemprego, só existiam placas de "Precisa-se". Não havia vagas disponíveis - ponderou.
Lula destaca que o aperto fiscal feito em 2003, logo depois de assumir a presidência, e a manutenção da economia, foram cruciais para garantir a credibilidade política, mesmo com o débito de US$ 15,9 bilhões na conta do FMI.
A ortodoxia da política econômica, segundo Lula, permitiu que, dois anos depois, fosse possível descartar o FMI. O cenário de hoje, diz o presidente, aponta para uma economia estabilizada, que mantém reservas de US$ 190 bilhões.
Fizemos o trabalho da "formiguinha", e até agora a crise americana não atravessou o Atlântico - disse Lula, durante visita à inaguração da nova fábrica da Michelin.
Na inauguração da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Campo Grande, Lula e Cabral passaram por constrangimentos. Antes da chegada da comitiva presidencial, o deputado estadual Natalino Guimarães (DEM) usava um carro de som para protestar, em frente aos seguranças do presidente, contra a prisão de seu irmão, o vereador Jerominho (PMDB), preso por ser suspeito de chefiar um grupo de milícias atuante na Zona Oeste. Natalino só parou com os protestos depois de um pedido do secretário estadual de Turismo, Eduardo Paes. Mesmo assim, Natalino ainda deu um jeito de aparecer durante a solenidade. Atendendo aos pedidos de uma claque organizada, vestida com uma camisa com o nome de seu irmão, Natalino subiu no palco das autoridades no meio da cerimônia e sentou-se logo atrás de Lula.
Embora tenha sido aplaudido pela maioria da platéia, o governador Sérgio Cabral foi, de longe, o mais hostilizado. Seu discurso foi interrompido duas vezes por um grupo de candidatos que, embora tenha sido aprovado em um concurso da Secretaria Estadual de Administração Penitenciária em 2003, ainda não foi convocado. O governador tentou reagir com calma, considerando a manifestação democrática e, à moda lulista, chamando os candidatos de "companheiros". Diante da insistência do grupo, porém, reagiu mais energicamente.
Vocês não vão estragar a festa, não é isso? - questionou. - Sem discussão, sem valentia. Eu estou há um ano no governo, companheiros. Agüenta a mão aí, pô.
Os manifestantes incitaram o presidente a interceder a seu favor. Lula pediu para que Cabral, em vez de voltar a seu lugar, acompanhasse o início de seu discurso ao lado do púlpito. E, em uma só tacada, enalteceu o amigo e alfinetou o casal Garotinho, inquilino anterior do Palácio Guanabara.
No governo passado, não foi possível esta harmonia. Mandamos 80 ambulâncias que ficaram meses sem funcionar, porque o administrador achou que não eram necessárias. Hoje todas estão andando, graças ao Cabral - elogiou o presidente, que, mais cedo, já havia chamado o governador de "irmão de coração e de alma".
Em todos os eventos de sua agenda, Lula antecipou a programação de sua próxima vinda ao Estado, no dia 7 de março, quando começam as obras do Programa de Aceleração do Crescimento nos complexos do Alemão, Manguinhos e Rocinha. O presidente chegou a definir o projeto como a maior intervenção urbanística já sofrida pela cidade, que seria exageradamente considerada como um reduto da violência pelos meios de comunicação.
Não queremos ir lá com a polícia para bater nos moradores. Vamos como governo, oferecendo aos moradores condições de acesso às coisas que todo mundo tem direito.
À noite, no Teatro Municipal, Lula encontrou parte do elenco do filme Tropa de Elite, que lhe mostrou a estatueta do Leão de Ouro, prêmio máximo do Festival de Berlim.
Foi uma maneira de o presidente prestigiar o cinema brasileiro - elogiou o diretor da película, José Padilha.