antigas Publicado: 28/02/2008 | 09:40

Presidente Lula tenta atrair o apoio de empresários

Karla Correia

Gazeta Mercantil

Em busca de apoio do setor produtivo às vésperas de enviar a proposta de reforma tributária ao Congresso Nacional, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, coroou sua apresentação do texto da reforma a uma platéia de empresários, ontem no Palácio do Planalto, com a expectativa de elevar o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em até 10% acima do previsto, já a partir da aprovação da reforma pelo Legislativo.
Disposto a conquistar simpatias além das fronteiras do empresariado, Guido Mantega prometeu ainda, para a próxima semana, o anúncio de medidas para aliviar a carga do Imposto de Renda para Pessoas Físicas. Sem entrar em detalhes, o ministro afirmou que as mudanças devem reduzir a alíquota do imposto para uma faixa de contribuintes. "Com a reforma tributária, o crescimento econômico brasileiro poderia ser 10% superior ao que se tem hoje. Se o crescimento, hoje, por exemplo, é de 5%, ele seria de 5,5%", explicou Mantega.
Alfinetadas
Esperado para a abertura do encontro com empresários no Palácio do Planalto para a apresentação da proposta de reforma tributária, o presidente Lula chegou só no fim da reunião, pedindo apoio aos executivos durante a tramitação da proposta de emenda constitucional (PEC) no Congresso Nacional.
À platéia de empresários, o presidente Lula destacou o bom momento da economia, com a inédita situação dos ativos em moeda estrangeira superando o valor da dívida externa brasileira, para definir o momento atual como "ideal" para o envio da proposta de reforma ao Congresso Nacional. O presidente Lula reconheceu que a sorte de poder contar com um cenário amigável na economia internacional durante a maior parte do seu governo ajudou a alcançar o que ele considera ser um crescimento vigoroso do Produto Interno Bruto (PIB).
Lula não perdeu a chance de alfinetar os governos anteriores. "Dizem que a sorte nos ajudou", ironizou Lula, provocando risos entre os empresários. "Acho que um pouco de sorte não faz mal a ninguém. Deus me livre ser um pé-frio como muitos foram para esse país, mas a verdade é que a sorte só ajuda a quem trabalha muito", acrescentou o petista.
Alvo da estratégia do governo federal em conquistar simpatias à reforma tributária fora do Congresso, os empresários formaram uma platéia amigável ao discurso presidencial. Foram poucas as ressalvas. O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), deputado Armando Monteiro Neto, destacou que a reforma, embora contenha avanços, falhou ao não contemplar a desoneração do crédito e lamentou que o sistema proposto pelo governo ainda mantenha três sistemas de tributação sobre o valor agregado, no caso o IVA federal, o ICMS e o IPI. O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, e o empresário Jorge Gerdau, do Grupo Gerdau, enfatizaram a necessidade de rapidez na aprovação da reforma. O que, admitiu Lula, será algo difícil de conseguir por conta do ano de eleições municipais.
Campanha
Ao falar sobre os riscos em torno da tramitação do texto, Lula fez uma crítica velada ao debate sobre a CPI dos Cartões. "Ninguém está interessado em discutir as picuinhas deste País, a não ser quem está pensando nas próximas eleições", atacou Lula, reconhecendo a dificuldade de emplacar a reforma em ano eleitoral.
"Vocês conhecem o Congresso Nacional e sabem que, a partir de junho, está todo mundo na rua fazendo campanha", ponderou o presidente. Mais otimista, Guido Mantega disse acreditar na possibilidade de aprovar a reforma tributária ainda neste ano. "O ano eleitoral sempre atrapalha um pouquinho porque a partir de uma certa data os parlamentares estão interessados em suas campanhas, mas temos o ano inteiro pela frente", disse o ministro da Fazenda.

Karla Correia

Gazeta Mercantil

Em busca de apoio do setor produtivo às vésperas de enviar a proposta de reforma tributária ao Congresso Nacional, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, coroou sua apresentação do texto da reforma a uma platéia de empresários, ontem no Palácio do Planalto, com a expectativa de elevar o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em até 10% acima do previsto, já a partir da aprovação da reforma pelo Legislativo.
Disposto a conquistar simpatias além das fronteiras do empresariado, Guido Mantega prometeu ainda, para a próxima semana, o anúncio de medidas para aliviar a carga do Imposto de Renda para Pessoas Físicas. Sem entrar em detalhes, o ministro afirmou que as mudanças devem reduzir a alíquota do imposto para uma faixa de contribuintes. "Com a reforma tributária, o crescimento econômico brasileiro poderia ser 10% superior ao que se tem hoje. Se o crescimento, hoje, por exemplo, é de 5%, ele seria de 5,5%", explicou Mantega.
Alfinetadas
Esperado para a abertura do encontro com empresários no Palácio do Planalto para a apresentação da proposta de reforma tributária, o presidente Lula chegou só no fim da reunião, pedindo apoio aos executivos durante a tramitação da proposta de emenda constitucional (PEC) no Congresso Nacional.
À platéia de empresários, o presidente Lula destacou o bom momento da economia, com a inédita situação dos ativos em moeda estrangeira superando o valor da dívida externa brasileira, para definir o momento atual como "ideal" para o envio da proposta de reforma ao Congresso Nacional. O presidente Lula reconheceu que a sorte de poder contar com um cenário amigável na economia internacional durante a maior parte do seu governo ajudou a alcançar o que ele considera ser um crescimento vigoroso do Produto Interno Bruto (PIB).
Lula não perdeu a chance de alfinetar os governos anteriores. "Dizem que a sorte nos ajudou", ironizou Lula, provocando risos entre os empresários. "Acho que um pouco de sorte não faz mal a ninguém. Deus me livre ser um pé-frio como muitos foram para esse país, mas a verdade é que a sorte só ajuda a quem trabalha muito", acrescentou o petista.
Alvo da estratégia do governo federal em conquistar simpatias à reforma tributária fora do Congresso, os empresários formaram uma platéia amigável ao discurso presidencial. Foram poucas as ressalvas. O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), deputado Armando Monteiro Neto, destacou que a reforma, embora contenha avanços, falhou ao não contemplar a desoneração do crédito e lamentou que o sistema proposto pelo governo ainda mantenha três sistemas de tributação sobre o valor agregado, no caso o IVA federal, o ICMS e o IPI. O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, e o empresário Jorge Gerdau, do Grupo Gerdau, enfatizaram a necessidade de rapidez na aprovação da reforma. O que, admitiu Lula, será algo difícil de conseguir por conta do ano de eleições municipais.
Campanha
Ao falar sobre os riscos em torno da tramitação do texto, Lula fez uma crítica velada ao debate sobre a CPI dos Cartões. "Ninguém está interessado em discutir as picuinhas deste País, a não ser quem está pensando nas próximas eleições", atacou Lula, reconhecendo a dificuldade de emplacar a reforma em ano eleitoral.
"Vocês conhecem o Congresso Nacional e sabem que, a partir de junho, está todo mundo na rua fazendo campanha", ponderou o presidente. Mais otimista, Guido Mantega disse acreditar na possibilidade de aprovar a reforma tributária ainda neste ano. "O ano eleitoral sempre atrapalha um pouquinho porque a partir de uma certa data os parlamentares estão interessados em suas campanhas, mas temos o ano inteiro pela frente", disse o ministro da Fazenda.