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Publicado: 3/06/2008 | 09:45
Trégua para negociação
| Guilherme Goulart e Pablo Rebello |
| Correio Braziliense |
Empresários e rodoviários tentam firmar acordo e impedir nova greve. Ônibus rodam normalmente hoje e governo rejeita aumento de tarifas
O impasse provocado pela falta de entendimento entre patrões e empregados do transporte público ganha hoje trégua para um possível acordo. Um dia após a paralisação que provocou prejuízos a milhares de trabalhadores, o Ministério Público do Trabalho (MPT) atuará como mediador para acabar com a ameaça de mais uma suspensão no serviço, prevista para a próxima segunda-feira. A reunião, marcada para às 14h30, reabre o diálogo entre rodoviários e donos das empresas de ônibus.
O procurador Valdir Pereira da Silva, do MPT, convidou ontem para o encontro o secretário de Transportes, Alberto Fraga, e representantes dos sindicatos dos Rodoviários e das Empresas de Transporte Coletivo e Passageiros. “Sendo impossível a negociação, vamos pedir dissídio coletivo de greve, pois se trata de uma atividade essencial. A liminar que determinava que 60% da frota rodasse hoje (ontem) foi desrespeitada. Isso é gravíssimo. E a multa é de R$ 100 mil por dia”, afirmou o procurador.
O desrespeito à decisão judicial levou Valdir da Silva a se encontrar no início da tarde com o juiz João Luis Rocha Sampaio, do Tribunal Regional do Trabalho. Ele denunciou ao magistrado, responsável pela liminar, a paralisação do serviço. Em despacho publicado horas depois, Sampaio exigiu que patrões e empregados garantissem a circulação de 60% das linhas de ônibus. Ele aumentou a multa para R$ 200 mil, caso algum sindicato atrapalhasse o cumprimento da ordem. Oficiais de justiça saíram às ruas para constatar prejuízos e responsabilidade no caso.
O Sindicato dos Rodoviários colocou a culpa nos patrões pelo não cumprimento da liminar. Fez denúncia formal ao TRT, em que alegou “dificuldades para cumprir a medida judicial em razão de procedimentos dos empregadores, que não permitem a retirada dos ônibus dos pátios das empresas”. Ainda assim, o presidente do sindicato dos empregados, Saul Araújo, confirmou presença na reunião de hoje.
O presidente do sindicato patronal, Wagner Canhedo Filho, também confirmou participação no encontro. Mas afirmou ser impossível pagar os 20% pedidos pelos empregados (leia quadro). “Tivemos aumento de receita entre 18% e 20% desde o fim do transporte alternativo. Mas isso foi repassado aos rodoviários em 2007, quando demos 8% de reajuste”, alegou. Ele não foi encontrado à noite para comentar a denúncia de que os ônibus foram impedidos de sair das garagens.
Isenção de ICMS
O governador José Roberto Arruda descartou aumento na tarifa dos ônibus. “Não tivemos aumento de passagem neste governo e vai continuar assim. A negociação é entre rodoviários e empresários”, afirmou. Ele ofereceu isenção no Imposto Sobre a Circulação de Mercadorias (ICMS) do óleo diesel às empresas para que repassassem aos rodoviários o valor que gastavam com o tributo. Os empresários aceitaram.
Os usuários enfrentaram problemas na volta para casa ontem. Houve filas longas no Metrô. Outros recorreram aos veículos piratas. A disputa por passageiros resultou em situações como a do aposentado Severino Alvino, 55 anos. Ele desceu do ônibus escolar que o levaria para São Sebastião porque o motorista decidiu, de última hora, mudar o itinerário. “Ele viu que tinha mais gente querendo ir ao Paranoá e nos mandou descer”, contou o aposentado, sem saber como chegaria em casa.
Ouça entrevista: Procurador Valdir da Silva fala da greve
Reivindicações
Reajuste salarial de 20%
Redução da carga semanal de trabalho de 40 horas para 36 horas
Fim da cobrança por assaltos sofridos — hoje cobrado de motoristas e cobradores
Fim do pagamento da produtividade: trabalhos realizados de uma a quatro horas extras por dia e recebidos fora do contracheque
| Guilherme Goulart e Pablo Rebello |
| Correio Braziliense |
Empresários e rodoviários tentam firmar acordo e impedir nova greve. Ônibus rodam normalmente hoje e governo rejeita aumento de tarifas
O impasse provocado pela falta de entendimento entre patrões e empregados do transporte público ganha hoje trégua para um possível acordo. Um dia após a paralisação que provocou prejuízos a milhares de trabalhadores, o Ministério Público do Trabalho (MPT) atuará como mediador para acabar com a ameaça de mais uma suspensão no serviço, prevista para a próxima segunda-feira. A reunião, marcada para às 14h30, reabre o diálogo entre rodoviários e donos das empresas de ônibus.
O procurador Valdir Pereira da Silva, do MPT, convidou ontem para o encontro o secretário de Transportes, Alberto Fraga, e representantes dos sindicatos dos Rodoviários e das Empresas de Transporte Coletivo e Passageiros. “Sendo impossível a negociação, vamos pedir dissídio coletivo de greve, pois se trata de uma atividade essencial. A liminar que determinava que 60% da frota rodasse hoje (ontem) foi desrespeitada. Isso é gravíssimo. E a multa é de R$ 100 mil por dia”, afirmou o procurador.
O desrespeito à decisão judicial levou Valdir da Silva a se encontrar no início da tarde com o juiz João Luis Rocha Sampaio, do Tribunal Regional do Trabalho. Ele denunciou ao magistrado, responsável pela liminar, a paralisação do serviço. Em despacho publicado horas depois, Sampaio exigiu que patrões e empregados garantissem a circulação de 60% das linhas de ônibus. Ele aumentou a multa para R$ 200 mil, caso algum sindicato atrapalhasse o cumprimento da ordem. Oficiais de justiça saíram às ruas para constatar prejuízos e responsabilidade no caso.
O Sindicato dos Rodoviários colocou a culpa nos patrões pelo não cumprimento da liminar. Fez denúncia formal ao TRT, em que alegou “dificuldades para cumprir a medida judicial em razão de procedimentos dos empregadores, que não permitem a retirada dos ônibus dos pátios das empresas”. Ainda assim, o presidente do sindicato dos empregados, Saul Araújo, confirmou presença na reunião de hoje.
O presidente do sindicato patronal, Wagner Canhedo Filho, também confirmou participação no encontro. Mas afirmou ser impossível pagar os 20% pedidos pelos empregados (leia quadro). “Tivemos aumento de receita entre 18% e 20% desde o fim do transporte alternativo. Mas isso foi repassado aos rodoviários em 2007, quando demos 8% de reajuste”, alegou. Ele não foi encontrado à noite para comentar a denúncia de que os ônibus foram impedidos de sair das garagens.
Isenção de ICMS
O governador José Roberto Arruda descartou aumento na tarifa dos ônibus. “Não tivemos aumento de passagem neste governo e vai continuar assim. A negociação é entre rodoviários e empresários”, afirmou. Ele ofereceu isenção no Imposto Sobre a Circulação de Mercadorias (ICMS) do óleo diesel às empresas para que repassassem aos rodoviários o valor que gastavam com o tributo. Os empresários aceitaram.
Os usuários enfrentaram problemas na volta para casa ontem. Houve filas longas no Metrô. Outros recorreram aos veículos piratas. A disputa por passageiros resultou em situações como a do aposentado Severino Alvino, 55 anos. Ele desceu do ônibus escolar que o levaria para São Sebastião porque o motorista decidiu, de última hora, mudar o itinerário. “Ele viu que tinha mais gente querendo ir ao Paranoá e nos mandou descer”, contou o aposentado, sem saber como chegaria em casa.
Ouça entrevista: Procurador Valdir da Silva fala da greve
Reivindicações
Reajuste salarial de 20%
Redução da carga semanal de trabalho de 40 horas para 36 horas
Fim da cobrança por assaltos sofridos — hoje cobrado de motoristas e cobradores
Fim do pagamento da produtividade: trabalhos realizados de uma a quatro horas extras por dia e recebidos fora do contracheque