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Publicado: 2/06/2008 | 11:12
Rodoviários páram
| Luciana Navarro |
| Correio Braziliense |
Em assembléia, categoria contraria decisão judicial e resolve retirar todos os ônibus das ruas. Liminar determinava que 60% da frota rodasse hoje. Governo monta esquema especial de operação para Metrô
O dia será de transtornos para os usuários do transporte público. Rodoviários decidiram fazer paralisação por 24 horas como forma de advertir os empresários que não querem, segundo o sindicato da categoria, atender as reivindicações. Além da suspensão de hoje, motoristas, cobradores e técnicos de manutenção resolveram, em assembléia ontem pela manhã, entrar em greve por tempo indeterminado a partir da próxima segunda-feira, 9 de junho. Cerca de 1 milhão de pessoas podem ser prejudicadas com a falta de ônibus.
A Secretaria de Transportes montou um esquema especial de operação do Metrô para amenizar o problema. Todos os trens estarão rodando já a partir das 6h e haverá reforço na segurança com a Polícia Militar, para evitar tumultos em caso de superlotação. Também serão abertos mais postos de venda de bilhetes.
O governo tentou ajudar na negociação entre rodoviários e empresários. O secretário de Transportes, Alberto Fraga, destaca que foi oferecida isenção no Imposto Sobre a Circulação de Mercadorias (ICMS) do óleo diesel às empresas para que elas repassassem o valor que gastavam com o imposto para os rodoviários. O acordo foi aceito pelos empresários — assim, um reajuste entre 3% e 5% seria dado aos trabalhadores — mas a proposta sequer foi discutida durante a assembléia. “Essa seria a única forma de os rodoviários terem aumento, pois não vai ter aumento de tarifa”, ressaltou Fraga.
A decisão de retirar toda a frota de circulação contraria liminar concedida a pedido do Ministério Público do Trabalho. O sindicato deveria manter 60% dos ônibus nas ruas. A categoria, no entanto, decidiu desrespeitar a regra e arcar com a multa diária de R$ 100 mil. Para isso, os trabalhadores autorizaram o Sindicato dos Rodoviários a recolher o equivalente a um dia de trabalho de seus salários. “A paralisação de hoje é uma advertência aos empresários. Teremos mais uma semana até o início da greve para reverter esse indicativo”, avisou João Osório da Silva, diretor do Sindicato dos Rodoviários.
Fraga lamentou a decisão da categoria e disse que, a partir de agora, o governo se retira das negociações. “Agora, o problema é entre os empresários e os empregados, não temos mais o que fazer. A categoria apunhalou a população pelas costas em uma atitude irresponsável”, afirmou. Segundo ele, o governo não tem como impedir o transtorno que será causado à população. “A greve vai contra todas as atitudes que estamos tomando. Com o combate ao transporte pirata, devolvemos 1,8 mil empregos aos rodoviários. E amanhã (hoje) os piratas vão estar na rua a gosto de gás”, constatou.
Durante a assembléia, dirigentes do sindicato apoiaram a realização da operação passe livre, com viagens gratuitas em todos os ônibus da cidade. Os trabalhadores, no entanto, preferiram a greve geral e por tempo indeterminado. Se a liberação das catracas tivesse sido aprovada, as empresas perderiam, em um dia, cerca de R$ 2 milhões em arrecadação com as passagens. “Essa seria uma forma de não prejudicar a população, mas a categoria preferiu não optar por isso temendo perseguições e demissões”, afirmou Silva. De acordo com o sindicato, 4 mil rodoviários participaram da assembléia. Os empresários calcularam 2 mil.
Desde abril, os funcionários das empresas de transporte coletivo tentam negociar com os patrões uma pauta de reivindicações. Pedem um reajuste salarial de 20%, a redução da carga semanal de trabalho de 40 para 36 horas, o fim das cobranças por assaltos sofridos (atualmente os cobradores precisam pagar os prejuízos causados por esses crimes), o fim do pagamento da produtividade, isto é, os trabalhadores fazem de uma a quatro horas extras por dia e ganham por fora do contracheque. Eles querem o acréscimo desse pagamento no holerite, o que muda a situação do trabalhador quando ele for comprovar renda e precisar de benefício do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A direção do Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo e Passageiros do DF afirmou que os patrões estão abertos para negociação, mas não poderão conceder reajuste salarial. E que vai combater a paralisação na Justiça.
| Luciana Navarro |
| Correio Braziliense |
Em assembléia, categoria contraria decisão judicial e resolve retirar todos os ônibus das ruas. Liminar determinava que 60% da frota rodasse hoje. Governo monta esquema especial de operação para Metrô
O dia será de transtornos para os usuários do transporte público. Rodoviários decidiram fazer paralisação por 24 horas como forma de advertir os empresários que não querem, segundo o sindicato da categoria, atender as reivindicações. Além da suspensão de hoje, motoristas, cobradores e técnicos de manutenção resolveram, em assembléia ontem pela manhã, entrar em greve por tempo indeterminado a partir da próxima segunda-feira, 9 de junho. Cerca de 1 milhão de pessoas podem ser prejudicadas com a falta de ônibus.
A Secretaria de Transportes montou um esquema especial de operação do Metrô para amenizar o problema. Todos os trens estarão rodando já a partir das 6h e haverá reforço na segurança com a Polícia Militar, para evitar tumultos em caso de superlotação. Também serão abertos mais postos de venda de bilhetes.
O governo tentou ajudar na negociação entre rodoviários e empresários. O secretário de Transportes, Alberto Fraga, destaca que foi oferecida isenção no Imposto Sobre a Circulação de Mercadorias (ICMS) do óleo diesel às empresas para que elas repassassem o valor que gastavam com o imposto para os rodoviários. O acordo foi aceito pelos empresários — assim, um reajuste entre 3% e 5% seria dado aos trabalhadores — mas a proposta sequer foi discutida durante a assembléia. “Essa seria a única forma de os rodoviários terem aumento, pois não vai ter aumento de tarifa”, ressaltou Fraga.
A decisão de retirar toda a frota de circulação contraria liminar concedida a pedido do Ministério Público do Trabalho. O sindicato deveria manter 60% dos ônibus nas ruas. A categoria, no entanto, decidiu desrespeitar a regra e arcar com a multa diária de R$ 100 mil. Para isso, os trabalhadores autorizaram o Sindicato dos Rodoviários a recolher o equivalente a um dia de trabalho de seus salários. “A paralisação de hoje é uma advertência aos empresários. Teremos mais uma semana até o início da greve para reverter esse indicativo”, avisou João Osório da Silva, diretor do Sindicato dos Rodoviários.
Fraga lamentou a decisão da categoria e disse que, a partir de agora, o governo se retira das negociações. “Agora, o problema é entre os empresários e os empregados, não temos mais o que fazer. A categoria apunhalou a população pelas costas em uma atitude irresponsável”, afirmou. Segundo ele, o governo não tem como impedir o transtorno que será causado à população. “A greve vai contra todas as atitudes que estamos tomando. Com o combate ao transporte pirata, devolvemos 1,8 mil empregos aos rodoviários. E amanhã (hoje) os piratas vão estar na rua a gosto de gás”, constatou.
Durante a assembléia, dirigentes do sindicato apoiaram a realização da operação passe livre, com viagens gratuitas em todos os ônibus da cidade. Os trabalhadores, no entanto, preferiram a greve geral e por tempo indeterminado. Se a liberação das catracas tivesse sido aprovada, as empresas perderiam, em um dia, cerca de R$ 2 milhões em arrecadação com as passagens. “Essa seria uma forma de não prejudicar a população, mas a categoria preferiu não optar por isso temendo perseguições e demissões”, afirmou Silva. De acordo com o sindicato, 4 mil rodoviários participaram da assembléia. Os empresários calcularam 2 mil.
Desde abril, os funcionários das empresas de transporte coletivo tentam negociar com os patrões uma pauta de reivindicações. Pedem um reajuste salarial de 20%, a redução da carga semanal de trabalho de 40 para 36 horas, o fim das cobranças por assaltos sofridos (atualmente os cobradores precisam pagar os prejuízos causados por esses crimes), o fim do pagamento da produtividade, isto é, os trabalhadores fazem de uma a quatro horas extras por dia e ganham por fora do contracheque. Eles querem o acréscimo desse pagamento no holerite, o que muda a situação do trabalhador quando ele for comprovar renda e precisar de benefício do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A direção do Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo e Passageiros do DF afirmou que os patrões estão abertos para negociação, mas não poderão conceder reajuste salarial. E que vai combater a paralisação na Justiça.