antigas Publicado: 9/03/2009 | 10:27

Queda da economia aumenta pressão por corte dos juros

Dom, 08 de Março de 2009 18:26

Na próxima terça-feira (10), quando for divulgado o Produto Interno Bruto (PIB) do quarto trimestre de 2008, o Brasil terá a noção exata do impacto sofrido com a crise financeira mundial. E ele não foi pequeno.

É consenso entre analistas a estimativa de queda de 2,2%, embora os mais pessimistas apontem um tombo de até 3%. Levando em consideração o índice anualizado, o país ficou 9,6% mais pobre, o oitavo pior resultado entre 25 países analisados.

Como a expectativa de retração se mantém nos primeiros três meses deste ano, tecnicamente já é possível afirmar que o quadro é de recessão. Diante disso, o Banco Central será forçado a acelerar a redução dos juros.

Mesmo os mais conservadores do mercado já apostam num corte de 1,5 ponto percentual na Selic na reunião do Copom nesta semana. No Reino Unido, o Governo anunciou que ampliará seu controle sobre o terceiro maior banco do país, o Lloyds, para até 77%.

Corte maior nos juros
O mau desempenho da indústria em janeiro levou alguns especialistas a acreditar em corte de até 1,5 ponto percentual na taxa básica de juros na reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central), na próxima quarta-feira. Hoje, a Selic está em 12,75% ao ano.

"Acreditava-se que o ajuste mais forte já tivesse ocorrido, mas ficou claro que ainda ocorreu em janeiro", diz Newton Rosa, economista-chefe da Sulamérica Investimentos.

"Pesou nisso a produção de bens de consumo não-duráveis. O consumidor está muito pessimista, o que interferiu nesse resultado".

A expectativa era que o crescimento da produção em janeiro, em relação a dezembro, fosse o dobro dos 2,3% registrados pelo IBGE.

Para o economista-chefe da RC Consultores, Marcel Pereira, a Selic deverá ficar abaixo de 11% ao fim de 2009. "Mais do que no curto prazo, a queda na indústria aponta para onde o Copom irá até o fim do ano", afirma.

Também ficou claro para especialistas que uma recuperação, se vier, só ocorrerá no fim do segundo trimestre.

"O primeiro trimestre continuará muito difícil. Apesar do desempenho em relação a dezembro, os dados dos últimos 12 meses deixam claro que não haverá uma súbita melhora que compense a queda", diz o economista Rogério César Souza, do Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial).

Recuperação
Especialistas acreditam em alguma recuperação entre maio e junho graças às ações do Governo e do BC.

"O Governo deve continuar criando incentivos fiscais, e, diante do resultado, o Copom deverá manter os cortes na taxa de juros", diz Rosa.

Para empresários, apesar das ações do Governo para restabelecer o crédito, as condições de financiamento permanecem ruins para as empresas, o que explica o mau desempenho da indústria de máquinas e equipamentos.

"Ações mais efetivas para reduzir os juros básicos contribuiriam para a retomada da demanda doméstica e da atividade industrial", diz Paulo Godoy, presidente da Abdib (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base). (Com Correio e Folha)

Dom, 08 de Março de 2009 18:26

Na próxima terça-feira (10), quando for divulgado o Produto Interno Bruto (PIB) do quarto trimestre de 2008, o Brasil terá a noção exata do impacto sofrido com a crise financeira mundial. E ele não foi pequeno.

É consenso entre analistas a estimativa de queda de 2,2%, embora os mais pessimistas apontem um tombo de até 3%. Levando em consideração o índice anualizado, o país ficou 9,6% mais pobre, o oitavo pior resultado entre 25 países analisados.

Como a expectativa de retração se mantém nos primeiros três meses deste ano, tecnicamente já é possível afirmar que o quadro é de recessão. Diante disso, o Banco Central será forçado a acelerar a redução dos juros.

Mesmo os mais conservadores do mercado já apostam num corte de 1,5 ponto percentual na Selic na reunião do Copom nesta semana. No Reino Unido, o Governo anunciou que ampliará seu controle sobre o terceiro maior banco do país, o Lloyds, para até 77%.

Corte maior nos juros
O mau desempenho da indústria em janeiro levou alguns especialistas a acreditar em corte de até 1,5 ponto percentual na taxa básica de juros na reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central), na próxima quarta-feira. Hoje, a Selic está em 12,75% ao ano.

"Acreditava-se que o ajuste mais forte já tivesse ocorrido, mas ficou claro que ainda ocorreu em janeiro", diz Newton Rosa, economista-chefe da Sulamérica Investimentos.

"Pesou nisso a produção de bens de consumo não-duráveis. O consumidor está muito pessimista, o que interferiu nesse resultado".

A expectativa era que o crescimento da produção em janeiro, em relação a dezembro, fosse o dobro dos 2,3% registrados pelo IBGE.

Para o economista-chefe da RC Consultores, Marcel Pereira, a Selic deverá ficar abaixo de 11% ao fim de 2009. "Mais do que no curto prazo, a queda na indústria aponta para onde o Copom irá até o fim do ano", afirma.

Também ficou claro para especialistas que uma recuperação, se vier, só ocorrerá no fim do segundo trimestre.

"O primeiro trimestre continuará muito difícil. Apesar do desempenho em relação a dezembro, os dados dos últimos 12 meses deixam claro que não haverá uma súbita melhora que compense a queda", diz o economista Rogério César Souza, do Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial).

Recuperação
Especialistas acreditam em alguma recuperação entre maio e junho graças às ações do Governo e do BC.

"O Governo deve continuar criando incentivos fiscais, e, diante do resultado, o Copom deverá manter os cortes na taxa de juros", diz Rosa.

Para empresários, apesar das ações do Governo para restabelecer o crédito, as condições de financiamento permanecem ruins para as empresas, o que explica o mau desempenho da indústria de máquinas e equipamentos.

"Ações mais efetivas para reduzir os juros básicos contribuiriam para a retomada da demanda doméstica e da atividade industrial", diz Paulo Godoy, presidente da Abdib (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base). (Com Correio e Folha)