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Publicado: 18/03/2009 | 10:29
Faxina no Senado degola 131figurões
Presidente do Senado exige que 131 chefes da Casa entreguem os cargos e, assim, tenta assumir o controle da crise instalada
| Cadu Gomes/CB/D.A Press |
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| Sarney, acompanhado por seguranças do Senado: irritação e reclamações sobre o tempo gasto para administrar as denúncias |
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Pressionado pela onda de denúncias contra o Senado, o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP) reagiu. Exigiu ontem que todos os 131 diretores e subdiretores coloquem os cargos à disposição. Foi um ato político, com um olho na opinião pública e outro nas disputas internas. Na prática, os cargos sempre estiveram à disposição de Sarney. Cabe ao presidente nomear e demitir os ocupantes das diretorias. Com o gesto, ele quis sair da defensiva e assumir o controle da crise que assola o Senado desde sua posse. Hoje, anuncia um convênio com a Fundação Getúlio Vargas (FGV) para uma grande auditoria.
Ontem pela manhã, os aliados encontraram um Sarney muito irritado. Voltou a reclamar que está gastando todo o seu tempo administrando as denúncias. A gota d’água foi a acusação de que parentes dele teriam viajado do Maranhão para Brasília com passagens pagas pelo Senado e se hospedado na residência oficial da Presidência. Publicada por um jornal que lhe faz oposição no Maranhão, a notícia ganhou repercussão nacional. “Querem dizer até quem pode dormir na minha casa”, reclamou. Somente no ano passado, o Senado gastou R$ 20 milhões com passagens aéreas.
Sarney busca desvincular-se das denúncias. “Não tenho compromisso com o que estiver errado”, disse aos aliados. “Quem errou, será demitido.” Na verdade, os dois diretores que foram efetivamente demitidos até agora, Agaciel Maia e João Carlos Zoghbi, chegaram ao poder pelas mãos dele, em gestões anteriores. O primeiro, então diretor-geral, saiu após a acusação de ter ocultado uma mansão no Lago Sul, enquanto o segundo perdeu a diretoria de Recursos Humanos na sexta-feira passada depois da revelação de que repassou aos filhos um apartamento funcional. Os dois deram as cartas no Senado por 15 anos.
A aliados, Sarney disse ainda ter se surpreendido com o número de funcionários com status de diretor. São 131 diretores e 81 senadores. O Correio revelou em janeiro esse processo de multiplicação de diretorias, executado ao longo dos últimos oito anos. A estrutura foi triplicada num efeito cascata que engordou a conta de muitos funcionários com adicionais nos salários que variam entre R$ 1,3 mil a R$ 2,2 mil. Cada setor criado, em muitos casos, não passa de uma mesa, mas quem o comanda recebe uma gratificação para administrar um serviço que deveria ser desempenhado por uma equipe. O servidor acaba sendo chefe de si mesmo. “Quem quiser continuar no cargo vai ter que explicar o que fazia e porque merece ser diretor”, diz uma pessoa ligada ao presidente do Senado.
Ontem, a reportagem revelou que a Casa aumentou em 122% o gasto com empresas terceirizadas. Cerca de R$ 460 milhões foram usados nesse tipo de serviço. O valor surpreendeu Sarney. A medida adotada ontem não significa que todos os 131 diretores e subs serão demitidos. O senador vai examinar caso a caso. Ele queria limpar o cenário. Avalia que boa parte das denúncias é resultado de brigas internas. Funcionários interessados em derrubar diretores estariam vazando informações contra eles. Ao pedir todos os cargos, ele quer colocar ordem nessa guerra. Desde a campanha, Sarney anunciava a intenção de promover uma “reforma do legislativo”, que iria das questões políticas à administração da Casa. O movimento contra os diretores e a auditoria da FGV são peças importantes em sua estratégia.
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Tião empresta celular oficial à filha
O senador Tião Viana (PT-AC) admitiu ontem que emprestou um telefone celular que pertence ao Senado para sua filha levar a uma viagem ao México por duas semanas em janeiro. O petista anunciou que hoje vai procurar o diretor-geral, José Alexandre Gazineo, para pagar a conta. O valor, segundo o senador, ainda não foi fechado pela operadora de celular.
Viana alega que emprestou o aparelho para a filha apenas receber ligações da família. Ele garante que ela não efetuou chamadas. “Eu emprestei por questão de segurança para poder falar com ela”, disse. “Mas eu assumo a inteira responsabilidade e vou pagar”, disse.
Irritado com o vazamento do episódio, o senador subiu à tribuna ontem para destilar ataques aos adversários, chegando a usar o termo “canalhas”. “Quando se imagina que a Casa está preparada para um debate altivo sobre o que se passa aqui, meia dúzia de fofoqueiros prefere fazer insinuações de corredores sobre a minha dignidade”, disse. O petista tem sido acusado por aliados de José Sarney de vazar informações para a imprensa sobre a administração do Senado. Tião Viana perdeu para o peemedebista a eleição ao comando do Senado em fevereiro.
Levantamento obtido pelo Correio no Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (Siafi) mostra que o Senado repassou R$ 15 milhões às empresas de telefonia celular no ano passado. Com discrição, Sarney assinou na segunda-feira um ato para diminuir despesas com telefone celular corporativo usado por servidores. A medida reduz, por exemplo, de R$ 350 para R$ 300 o valor liberado para diretores, de R$ 300 para R$ 250 a subdiretores e R$ 250 a R$ 200 a demais cargos comissionados. Questionada, a Secretaria de Comunicação Social não revelou quantos funcionários serão atingidos pela medida e a economia estimada com essa redução. |
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