antigas Publicado: 23/03/2009 | 10:01

Temas tabus: Congresso Nacional é mais conservador que Lula

 Embora o presidente tenha postura avançada sobre aborto, cotas para negros e direitos dos homossexuais, projetos estão parados na Casa

O Executivo e o Congresso Nacional adotam posturas diferentes em relação a temas como aborto, cota para negros nas universidades e direitos de homossexuais. O discurso avançado do Governo Lula contrasta com o receio do Legislativo de colocar em pauta assuntos polêmicos que levantam o debate na sociedade.

Apesar do número expressivo de parlamentares da base aliada - pelo menos 2/3 da câmara - a visão do Executivo não tem respaldo no congresso.

Em 2003, a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial foi criada com o intuito de combater a discriminação racial no país, principalmente em relação à população negra. Mas um dos temas de maior interesse para os movimentos raciais, a cota para alunos negros e de baixa renda nas universidades, permanece em discussão no Congresso há 10 anos.

"O Executivo tem sido mais rápido que o Congresso, mas a natureza dele facilita esse posicionamento", pondera William Douglas, juiz federal e professor do Educafro, rede de cursinhos pré-vestibulares para estudantes negros e de baixa renda. Douglas participou de audiência pública na Comissão de Constituição e Justiça do Senado na semana passada, na qual estudiosos se posicionaram a favor ou contra a reserva de vagas no ensino superior.

Durante o evento, alguns senadores foram favoráveis à votação do projeto sobre as cotas sem novas alterações, uma vez que isso faria a proposta retornar à Câmara e adiaria mais uma vez a conclusão do assunto.

Saúde pública 
A questão da descriminalização do aborto também é alvo de controvérsias entre os dois poderes. Em evento recente promovido pela Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, o presidente Lula afirmou que o tema precisa ser entendido como uma questão de saúde pública - posicionamento semelhante ao defendido pelo ministro da pasta, José Gomes Temporão.

No Congresso, no entanto, a maior parte dos projetos são favoráveis ao endurecimento da atual legislação, a partir de medidas que tornam o aborto crime hediondo ou que proíbem a venda de métodos contraceptivos de emergência. Para Dulce Xavier, integrante da organização não-governamental Católicas pelo Direto de Decidir, a religião exerce uma grande influência sobre as decisões no Congresso.

"A Igreja Católica precisa assimilar a ideia de que não faz mais parte do Estado. Ela tem o direito de defender essa visão junto aos fiéis, mas não entre os poderes", afirma.

Necessidade de avanços
Quando participou da primeira Conferência Nacional de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (GLBT) no ano passado, em Brasília, o presidente também reforçou a necessidade de avanços no tema.

"No que depender do apoio do Governo, no que depender do apoio do Poder Executivo e dos ministros, nós iremos trabalhar para que o Congresso Nacional aprove o que precisar aprovar neste país", afirmou na ocasião.

O presidente da Associação Brasileira de GLBT, Toni Reis, aponta três projetos de prioridade: a criminalização da homofobia, o reconhecimento legal da união homoafetiva e a adoção do nome social de travestis e transexuais em documentos de identidade.

Embora a causa conte com o apoio da Frente Parlamentar pela cidadania GLBT, com mais de 200 deputados federais inscritos, propostas ligadas ao tema não avançam no congresso. A deputada Fátima Bezerra (PT/RN), por exemplo, apresentou há dois anos projeto de lei para criação do Dia Nacional de Combate à Homofobia.

"É uma ideia simples com um significado didático, mas nem esse projeto avança", afirma a petista. "O ambiente político não é favorável, tanto é que os projetos estão encalhados há muito tempo nas comissões. O Congresso é muito impermeável a esse tema", avalia. 

Cota para negros nas universidades 
O PL 73/99, da deputada Nice Lobão (DEM/MA), encontra-se na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Se houver alterações, a proposta volta para a Câmara antes de seguir para sanção presidencial.

União civil
A AGLBT quer sugerir projeto para que transexuais e travestis tenham o direito de adotar o nome social em documento de identidade e uma proposta para o reconhecimento do casamento homoafetivo. 

O PL 81/07, da deputada Fátima Bezerra (PT/RN), cria o Dia Nacional de Combate à Homofobia. A medida está há dois anos em tramitação na Câmara.

Aborto 
O projeto de Eduardo Jorge (PT/SP) e co-autores para descriminalização do aborto espera decisão da Mesa Diretora sobre recursos apresentados por parlamentares. 

A maioria dos projetos que debatem o assunto propõe endurecimento da legislação atual, como o PL 1.413/07, que proíbe venda de contraceptivos de emergência. (Fonte: Correio Braziliense)

 Embora o presidente tenha postura avançada sobre aborto, cotas para negros e direitos dos homossexuais, projetos estão parados na Casa

O Executivo e o Congresso Nacional adotam posturas diferentes em relação a temas como aborto, cota para negros nas universidades e direitos de homossexuais. O discurso avançado do Governo Lula contrasta com o receio do Legislativo de colocar em pauta assuntos polêmicos que levantam o debate na sociedade.

Apesar do número expressivo de parlamentares da base aliada - pelo menos 2/3 da câmara - a visão do Executivo não tem respaldo no congresso.

Em 2003, a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial foi criada com o intuito de combater a discriminação racial no país, principalmente em relação à população negra. Mas um dos temas de maior interesse para os movimentos raciais, a cota para alunos negros e de baixa renda nas universidades, permanece em discussão no Congresso há 10 anos.

"O Executivo tem sido mais rápido que o Congresso, mas a natureza dele facilita esse posicionamento", pondera William Douglas, juiz federal e professor do Educafro, rede de cursinhos pré-vestibulares para estudantes negros e de baixa renda. Douglas participou de audiência pública na Comissão de Constituição e Justiça do Senado na semana passada, na qual estudiosos se posicionaram a favor ou contra a reserva de vagas no ensino superior.

Durante o evento, alguns senadores foram favoráveis à votação do projeto sobre as cotas sem novas alterações, uma vez que isso faria a proposta retornar à Câmara e adiaria mais uma vez a conclusão do assunto.

Saúde pública 
A questão da descriminalização do aborto também é alvo de controvérsias entre os dois poderes. Em evento recente promovido pela Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, o presidente Lula afirmou que o tema precisa ser entendido como uma questão de saúde pública - posicionamento semelhante ao defendido pelo ministro da pasta, José Gomes Temporão.

No Congresso, no entanto, a maior parte dos projetos são favoráveis ao endurecimento da atual legislação, a partir de medidas que tornam o aborto crime hediondo ou que proíbem a venda de métodos contraceptivos de emergência. Para Dulce Xavier, integrante da organização não-governamental Católicas pelo Direto de Decidir, a religião exerce uma grande influência sobre as decisões no Congresso.

"A Igreja Católica precisa assimilar a ideia de que não faz mais parte do Estado. Ela tem o direito de defender essa visão junto aos fiéis, mas não entre os poderes", afirma.

Necessidade de avanços
Quando participou da primeira Conferência Nacional de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (GLBT) no ano passado, em Brasília, o presidente também reforçou a necessidade de avanços no tema.

"No que depender do apoio do Governo, no que depender do apoio do Poder Executivo e dos ministros, nós iremos trabalhar para que o Congresso Nacional aprove o que precisar aprovar neste país", afirmou na ocasião.

O presidente da Associação Brasileira de GLBT, Toni Reis, aponta três projetos de prioridade: a criminalização da homofobia, o reconhecimento legal da união homoafetiva e a adoção do nome social de travestis e transexuais em documentos de identidade.

Embora a causa conte com o apoio da Frente Parlamentar pela cidadania GLBT, com mais de 200 deputados federais inscritos, propostas ligadas ao tema não avançam no congresso. A deputada Fátima Bezerra (PT/RN), por exemplo, apresentou há dois anos projeto de lei para criação do Dia Nacional de Combate à Homofobia.

"É uma ideia simples com um significado didático, mas nem esse projeto avança", afirma a petista. "O ambiente político não é favorável, tanto é que os projetos estão encalhados há muito tempo nas comissões. O Congresso é muito impermeável a esse tema", avalia. 

Cota para negros nas universidades 
O PL 73/99, da deputada Nice Lobão (DEM/MA), encontra-se na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Se houver alterações, a proposta volta para a Câmara antes de seguir para sanção presidencial.

União civil
A AGLBT quer sugerir projeto para que transexuais e travestis tenham o direito de adotar o nome social em documento de identidade e uma proposta para o reconhecimento do casamento homoafetivo. 

O PL 81/07, da deputada Fátima Bezerra (PT/RN), cria o Dia Nacional de Combate à Homofobia. A medida está há dois anos em tramitação na Câmara.

Aborto 
O projeto de Eduardo Jorge (PT/SP) e co-autores para descriminalização do aborto espera decisão da Mesa Diretora sobre recursos apresentados por parlamentares. 

A maioria dos projetos que debatem o assunto propõe endurecimento da legislação atual, como o PL 1.413/07, que proíbe venda de contraceptivos de emergência. (Fonte: Correio Braziliense)