Manifestações em todo o país pedem o corte de juros
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Publicado: 19/07/2007 | 09:02
Dividido, BC decide cortar juro para 11,5%
NEY HAYASHI DA CRUZ
Folha de S. Paulo
Folha de S. Paulo
Por 4 votos a 3, Copom reduz taxa básica em 0,5 ponto, mas reforça expectativa de que pode frear ritmo de queda nas próximas reuniões
Foi o 17º corte seguido feito pelo banco, em decisão já esperada pelo mercado, que agora prevê Selic em torno de 10,75% no final do ano
O Banco Central promoveu ontem o 17º corte seguido nos juros básicos da economia. A redução, de 0,5 ponto percentual, levou a taxa Selic para 11,5% ao ano. A decisão já era amplamente aguardada por analistas de mercado, e a maior expectativa estava na maneira como a medida seria discutida dentro do Copom (Comitê de Política Monetária do BC).
E, como muitos analistas antecipavam, o corte de 0,5 ponto não foi unânime entre os membros do Copom, formado pelo presidente e pelos diretores do BC. Foram quatro votos defendendo essa redução, contra três votos pela queda de 0,25.
Em comunicado divulgado logo após a reunião, o BC evitou dar sinais mais claros sobre os rumos da taxa Selic. "O comitê irá acompanhar a evolução do cenário macroeconômico até sua próxima reunião, para então definir os próximos passos na sua estratégia de política monetária", dizia o texto.
Segundo pesquisa feita pelo BC na sexta-feira passada com cerca de cem analistas do setor privado, a expectativa do mercado é que o Copom passe a adotar cortes de 0,25 ponto nos juros a partir de seu próximo encontro, marcado para setembro. Confirmada essa projeção, a taxa Selic cairia para 10,75% ao ano até dezembro.
O corte de 0,5 ponto decidido ontem foi o segundo consecutivo. A diferença em relação à reunião anterior do Copom foi o placar. No mês passado, eram cinco os membros do comitê que defendiam o corte de 0,5 ponto. Na ocasião, aqueles que defenderam o corte de 0,25 se justificaram dizendo que a taxa já caíra muito desde setembro de 2005, quando a Selic estava em 19,75% ao ano.
De acordo com esse raciocínio, a economia ainda não teria sentido por completo os efeitos da redução feita até agora, sendo recomendável uma maior cautela para verificar como a inflação reage nos próximos meses antes de dar continuidade aos cortes de 0,5 ponto.
Nas últimas semanas, esse argumento foi reforçado por outros dois fatores. Um deles foi a divulgação de indicadores -como o da produção industrial- que apontam expansão um pouco mais forte da economia. Isso mostraria que não há necessidade urgente de reduzir os juros para estimular o crescimento, abrindo espaço para um maior conservadorismo.
Além disso, a inflação ficou um pouco acima do esperado pelo mercado financeiro nos últimos meses, o que levou o setor privado a revisar suas projeções para este ano. A pesquisa de mercado feita pelo BC na última sexta-feira estimava a alta do IPCA deste ano em 3,70% -no começo do mês passado, estava em 3,50%.
Fatores favoráveis
De qualquer forma, a decisão de ontem mostra que ainda prevalece no BC a idéia de que essas justificativas não são suficientes para frear a queda dos juros diante de um cenário ainda positivo que se espera para a economia brasileira.
Um dos fatores mais favoráveis ao corte maior dos juros é o comportamento do dólar. Na reunião de junho do Copom, a moeda dos EUA era negociada a R$ 1,974. Ontem a cotação estava em R$ 1,861 e não dava sinais de que a trajetória de queda será interrompida tão cedo.
Com o real mais forte, produtos importados ficam mais baratos, aliviando a pressão sobre a inflação. Além disso, a alta registrada por alguns índices de preços nos últimos meses é creditada, principalmente, aos alimentos, que não devem ter reajustes por muito mais tempo -o que não justificaria mudança na política monetária.
NEY HAYASHI DA CRUZ
Folha de S. Paulo
Folha de S. Paulo
Por 4 votos a 3, Copom reduz taxa básica em 0,5 ponto, mas reforça expectativa de que pode frear ritmo de queda nas próximas reuniões
Foi o 17º corte seguido feito pelo banco, em decisão já esperada pelo mercado, que agora prevê Selic em torno de 10,75% no final do ano
O Banco Central promoveu ontem o 17º corte seguido nos juros básicos da economia. A redução, de 0,5 ponto percentual, levou a taxa Selic para 11,5% ao ano. A decisão já era amplamente aguardada por analistas de mercado, e a maior expectativa estava na maneira como a medida seria discutida dentro do Copom (Comitê de Política Monetária do BC).
E, como muitos analistas antecipavam, o corte de 0,5 ponto não foi unânime entre os membros do Copom, formado pelo presidente e pelos diretores do BC. Foram quatro votos defendendo essa redução, contra três votos pela queda de 0,25.
Em comunicado divulgado logo após a reunião, o BC evitou dar sinais mais claros sobre os rumos da taxa Selic. "O comitê irá acompanhar a evolução do cenário macroeconômico até sua próxima reunião, para então definir os próximos passos na sua estratégia de política monetária", dizia o texto.
Segundo pesquisa feita pelo BC na sexta-feira passada com cerca de cem analistas do setor privado, a expectativa do mercado é que o Copom passe a adotar cortes de 0,25 ponto nos juros a partir de seu próximo encontro, marcado para setembro. Confirmada essa projeção, a taxa Selic cairia para 10,75% ao ano até dezembro.
O corte de 0,5 ponto decidido ontem foi o segundo consecutivo. A diferença em relação à reunião anterior do Copom foi o placar. No mês passado, eram cinco os membros do comitê que defendiam o corte de 0,5 ponto. Na ocasião, aqueles que defenderam o corte de 0,25 se justificaram dizendo que a taxa já caíra muito desde setembro de 2005, quando a Selic estava em 19,75% ao ano.
De acordo com esse raciocínio, a economia ainda não teria sentido por completo os efeitos da redução feita até agora, sendo recomendável uma maior cautela para verificar como a inflação reage nos próximos meses antes de dar continuidade aos cortes de 0,5 ponto.
Nas últimas semanas, esse argumento foi reforçado por outros dois fatores. Um deles foi a divulgação de indicadores -como o da produção industrial- que apontam expansão um pouco mais forte da economia. Isso mostraria que não há necessidade urgente de reduzir os juros para estimular o crescimento, abrindo espaço para um maior conservadorismo.
Além disso, a inflação ficou um pouco acima do esperado pelo mercado financeiro nos últimos meses, o que levou o setor privado a revisar suas projeções para este ano. A pesquisa de mercado feita pelo BC na última sexta-feira estimava a alta do IPCA deste ano em 3,70% -no começo do mês passado, estava em 3,50%.
Fatores favoráveis
De qualquer forma, a decisão de ontem mostra que ainda prevalece no BC a idéia de que essas justificativas não são suficientes para frear a queda dos juros diante de um cenário ainda positivo que se espera para a economia brasileira.
Um dos fatores mais favoráveis ao corte maior dos juros é o comportamento do dólar. Na reunião de junho do Copom, a moeda dos EUA era negociada a R$ 1,974. Ontem a cotação estava em R$ 1,861 e não dava sinais de que a trajetória de queda será interrompida tão cedo.
Com o real mais forte, produtos importados ficam mais baratos, aliviando a pressão sobre a inflação. Além disso, a alta registrada por alguns índices de preços nos últimos meses é creditada, principalmente, aos alimentos, que não devem ter reajustes por muito mais tempo -o que não justificaria mudança na política monetária.