antigas Publicado: 25/07/2007 | 10:06

Depoente pede proteção

Lilian Tahan e Marcelo Rocha
Correio Braziliense

Ex-secretária de doleiro que admitiu ter repassado recursos a acusados de lavagem de dinheiro diz sofrer ameaça de morte

Investigada pela Operação Aquarela, Noelma Ribeiro Xavier, ex-secretária do doleiro Georges Kammoun, que tinha como missão sacar parte do dinheiro supostamente desviado do Banco de Brasília (BRB), sofreu ameaças de morte. As tentativas de intimidar a ex-assessora de Georges ocorreram depois dos primeiros depoimentos prestados por ela à Divisão Especial de Repressão ao Crime Organizado (Deco). Pela riqueza de detalhes com que descreveu sua atuação no esquema, Noelma tornou-se personagem-chave para a Polícia Civil. Mas também entrou na mira de pessoas citadas no inquérito. Preocupada com sua integridade, a ex-assessora procurou um integrante do Governo do Distrito Federal, que diz ter informado o fato ao Ministério Público do Distrito Federal e à Deco.

O primeiro depoimento de Noelma Xavier data de 14 de junho, quando 19 pessoas foram presas na Operação Aquarela. Entre os detidos, estava o ex-presidente do BRB, Tarcísio Franklim de Moura, apontado como um dos cabeças do esquema. À polícia, Noelma contou como era feita a operação de retirada do dinheiro supostamente desviado do BRB. Ela era uma das responsáveis por efetuar saques com cartões corporativos emitidos pelo Banco do Brasil em nome da ONG Caminhar. De acordo com o Ministério Público do DF e a Polícia Civil, os cartões eram abastecidos com dinheiro do esquema.

Cliente exclusivo
Noelma deu duas versões sobre as retiradas. No primeiro depoimento, no dia 14 de junho, afirmou ter repassado R$ 1 milhão a Tarcísio. Um dia depois, disse que o valor das operações chegaria a R$ 4 milhões. Aos policiais, a ex-assessora do doleiro disse ainda que trabalhava havia 24 anos para Kammoun. Contou que a empresa na qual atuava como secretária era de turismo, mas que “na realidade a atividade fim era a compra e venda de dólares para empresários em geral”. Ela também afirmou que, após uma “batida” da Polícia Federal, em 2004, a empresa de Georges perdeu clientela e passou a operar “exclusivamente” para Tarcísio.

No depoimento, Noelma ainda relatou que a empresa de Georges tinha como “clientes” a Polícia Federal e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin). No caso da Abin, Noelma detalhou que o dinheiro era enviado para funcionários da agência no exterior. A PF, por meio de sua assessoria de imprensa, negou que tenha realizado operações de câmbio com Georges Kammoun durante a gestão do diretor Paulo Lacerda. A Abin não se manifestou.

Noelma tem mantido contato com os responsáveis pelo caso. Nesse período, contou ter sido seguida por uma das pessoas acusadas de chefiar a quadrilha. A ex-secretária procurou uma autoridade do governo local, que preferiu não se identificar. “Ela pediu proteção policial”, disse o integrante do GDF, que afirma ter repassado as informações ao Ministério Público e à Polícia Civil. O MP, por meio de sua assessoria, afirmou não ter recebido comunicação formal. A polícia não se manifestou.
 

Pressão sobre Gim

Aumenta a pressão para o Senado definir se Gim Argello (PTB-DF) será alvo de processo no Conselho de Ética. Ontem, o senador Demostenes Torres (DEM-GO) defendeu que a Mesa Diretora decida já no primeiro dia de funcionamento após o recesso parlamentar se Gim pode ser investigado por quebra de decoro por atos praticados antes da posse. O início dos trabalhos está marcado para a próxima quarta-feira, dia 1º de agosto.

“A Mesa vai ter que decidir. Se a Mesa (do Senado) encaminhar ao Conselho de Ética a representação do PSol contra o Gim, vamos investigá-lo”, declarou ontem Demostenes à Agência Senado. O senador do DF tomou posse no último dia 17, no lugar de Joaquim Roriz (PMDB-DF), que renunciou ao mandato após ter sido flagrado em conversa com o ex-presidente do Banco de Brasília Tarcísio Franklim de Moura, na qual negocia a partilha de R$ 2,2 milhões de um cheque nominal ao empresário Nenê Constantino. Na representação, o PSol pede que seja investigada a suposta participação de Gim no mesmo episódio, além de apontar outras irregularidades que teriam sido cometidas pelo parlamentar.

Enquanto colegas de plenário cobram uma definição rápida para o caso de Gim, o senador do DF articula com os parlamentares do PTB uma forma de sobreviver à pressão. Ele aposta nos seis votos que o PTB tem no Senado para pressionar o governo e ganhar ajuda da base aliada na tentativa de salvar o mandato.

Lilian Tahan e Marcelo Rocha
Correio Braziliense

Ex-secretária de doleiro que admitiu ter repassado recursos a acusados de lavagem de dinheiro diz sofrer ameaça de morte

Investigada pela Operação Aquarela, Noelma Ribeiro Xavier, ex-secretária do doleiro Georges Kammoun, que tinha como missão sacar parte do dinheiro supostamente desviado do Banco de Brasília (BRB), sofreu ameaças de morte. As tentativas de intimidar a ex-assessora de Georges ocorreram depois dos primeiros depoimentos prestados por ela à Divisão Especial de Repressão ao Crime Organizado (Deco). Pela riqueza de detalhes com que descreveu sua atuação no esquema, Noelma tornou-se personagem-chave para a Polícia Civil. Mas também entrou na mira de pessoas citadas no inquérito. Preocupada com sua integridade, a ex-assessora procurou um integrante do Governo do Distrito Federal, que diz ter informado o fato ao Ministério Público do Distrito Federal e à Deco.

O primeiro depoimento de Noelma Xavier data de 14 de junho, quando 19 pessoas foram presas na Operação Aquarela. Entre os detidos, estava o ex-presidente do BRB, Tarcísio Franklim de Moura, apontado como um dos cabeças do esquema. À polícia, Noelma contou como era feita a operação de retirada do dinheiro supostamente desviado do BRB. Ela era uma das responsáveis por efetuar saques com cartões corporativos emitidos pelo Banco do Brasil em nome da ONG Caminhar. De acordo com o Ministério Público do DF e a Polícia Civil, os cartões eram abastecidos com dinheiro do esquema.

Cliente exclusivo
Noelma deu duas versões sobre as retiradas. No primeiro depoimento, no dia 14 de junho, afirmou ter repassado R$ 1 milhão a Tarcísio. Um dia depois, disse que o valor das operações chegaria a R$ 4 milhões. Aos policiais, a ex-assessora do doleiro disse ainda que trabalhava havia 24 anos para Kammoun. Contou que a empresa na qual atuava como secretária era de turismo, mas que “na realidade a atividade fim era a compra e venda de dólares para empresários em geral”. Ela também afirmou que, após uma “batida” da Polícia Federal, em 2004, a empresa de Georges perdeu clientela e passou a operar “exclusivamente” para Tarcísio.

No depoimento, Noelma ainda relatou que a empresa de Georges tinha como “clientes” a Polícia Federal e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin). No caso da Abin, Noelma detalhou que o dinheiro era enviado para funcionários da agência no exterior. A PF, por meio de sua assessoria de imprensa, negou que tenha realizado operações de câmbio com Georges Kammoun durante a gestão do diretor Paulo Lacerda. A Abin não se manifestou.

Noelma tem mantido contato com os responsáveis pelo caso. Nesse período, contou ter sido seguida por uma das pessoas acusadas de chefiar a quadrilha. A ex-secretária procurou uma autoridade do governo local, que preferiu não se identificar. “Ela pediu proteção policial”, disse o integrante do GDF, que afirma ter repassado as informações ao Ministério Público e à Polícia Civil. O MP, por meio de sua assessoria, afirmou não ter recebido comunicação formal. A polícia não se manifestou.
 

Pressão sobre Gim

Aumenta a pressão para o Senado definir se Gim Argello (PTB-DF) será alvo de processo no Conselho de Ética. Ontem, o senador Demostenes Torres (DEM-GO) defendeu que a Mesa Diretora decida já no primeiro dia de funcionamento após o recesso parlamentar se Gim pode ser investigado por quebra de decoro por atos praticados antes da posse. O início dos trabalhos está marcado para a próxima quarta-feira, dia 1º de agosto.

“A Mesa vai ter que decidir. Se a Mesa (do Senado) encaminhar ao Conselho de Ética a representação do PSol contra o Gim, vamos investigá-lo”, declarou ontem Demostenes à Agência Senado. O senador do DF tomou posse no último dia 17, no lugar de Joaquim Roriz (PMDB-DF), que renunciou ao mandato após ter sido flagrado em conversa com o ex-presidente do Banco de Brasília Tarcísio Franklim de Moura, na qual negocia a partilha de R$ 2,2 milhões de um cheque nominal ao empresário Nenê Constantino. Na representação, o PSol pede que seja investigada a suposta participação de Gim no mesmo episódio, além de apontar outras irregularidades que teriam sido cometidas pelo parlamentar.

Enquanto colegas de plenário cobram uma definição rápida para o caso de Gim, o senador do DF articula com os parlamentares do PTB uma forma de sobreviver à pressão. Ele aposta nos seis votos que o PTB tem no Senado para pressionar o governo e ganhar ajuda da base aliada na tentativa de salvar o mandato.