antigas Publicado: 26/07/2007 | 10:43

Gasto na Câmara muda de perfil

Lúcio Vaz
Correio Braziliense

CONGRESSO

Para compensar limite nas despesas com combustível, deputados usam verba indenizatória em locomoção, consultorias e divulgação. Foram R$ 23,4 mi no 1º semestre

Um levantamento das principais despesas feitas com a verba indenizatória no primeiro semestre deste ano mostra que os deputados aumentaram os gastos com locomoção, consultorias e divulgação para compensar a limitação imposta para o consumo de combustível desde maio do ano passado. Os gastos com combustível caíram de R$ 14,2 milhões no ano passado para R$ 8,9 milhões neste ano, enquanto as outras três despesas aumentaram de R$ 18,1 milhões para R$ 23,4 milhões. O gasto total caiu de R$ 42 milhões para R$ 38,9 milhões.

O levantamento foi feito pelo Correio a partir de dados oficiais da Câmara. O cruzamento de informações mostra que os deputados das regiões Norte e Nordeste priorizam as despesas com locomoção. Só no Nordeste foram consumidos R$ 4,3 milhões com deslocamentos pelas bases eleitorais. Estão incluídos nessa categoria os gastos com hospedagem e alimentação de parlamentares e assessores. O gasto médio para cada um dos 151 deputados da região chegou a R$ 28,5 mil no semestre. Na região Sudeste, o gasto médio ficou em R$ 14 mil.

O consumo de combustível foi limitado a 30% da cota mensal (R$ 15 mil) por causa de seguidas denúncias de exageros nessa despesa. Tatico, do PTB de Goiás, por exemplo, gastou R$ 38,5 mil com combustível em janeiro do ano passado, quando ainda era deputado pelo Distrito Federal. Estoque suficiente para o parlamentar percorrer 184 mil quilômetros — distância equivalente a quatro voltas em torno da Terra. Hoje, cada deputado pode gastar, no máximo, R$ 4,5 mil com gasolina por mês.

Reportagem publicada pelo Correio na semana passada mostrou que os parlamentares encontraram outras formas de gastar a verba. Muitos estão usando a verba indenizatória (R$ 90 mil por semestre) com o aluguel de táxi aéreo. O segundo vice-presidente da Câmara, Inocêncio Oliveira (PR-PE), gastou R$ 32 mil em junho com viagens aéreas.

Ranking
Proporcionalmente, os deputados que mais gastaram com locomoção foram os de Alagoas (média de R$ 37,5 mil) e os do Amapá (média de R$ 38 mil) — estados com dimensões reduzidas. O campeão de gastos com aluguel de aviões, Mussa Demes (DEM-PI), torrou toda a verba indenizatória nesse item.

Os deputados do Nordeste são os que menos gastam com divulgação — média de R$ 9,2 mil por semestre. Os pernambucanos foram os que fizeram menos despesas (média de R$ 3 mil), seguidos por Alagoas (média de R$ 4,4 mil). Na região Norte, os menores gastos são feitos com a contratação de consultorias — média de R$ 8,6 mil por semestre. A maior média de despesas com consultorias ficou com o DF — R$ 28,4 mil por semestre. Tatico gastou R$ 30,9 mil, enquanto Rodrigo Rollemberg (PSB) consumiu R$ 31,9 mil.

Em números absolutos, considerando as quatro maiores despesas, o Nordeste ficou na frente, com gastos de R$ 10,4 milhões. Considerando a média de gastos, a região Centro-Oeste ficou em primeiro, com R$ 74,5 mil por deputado. Os deputados do Sudeste foram os mais comedidos, com despesas mensais médias de R$ 55 mil no primeiro semestre.

Lúcio Vaz
Correio Braziliense

CONGRESSO

Para compensar limite nas despesas com combustível, deputados usam verba indenizatória em locomoção, consultorias e divulgação. Foram R$ 23,4 mi no 1º semestre

Um levantamento das principais despesas feitas com a verba indenizatória no primeiro semestre deste ano mostra que os deputados aumentaram os gastos com locomoção, consultorias e divulgação para compensar a limitação imposta para o consumo de combustível desde maio do ano passado. Os gastos com combustível caíram de R$ 14,2 milhões no ano passado para R$ 8,9 milhões neste ano, enquanto as outras três despesas aumentaram de R$ 18,1 milhões para R$ 23,4 milhões. O gasto total caiu de R$ 42 milhões para R$ 38,9 milhões.

O levantamento foi feito pelo Correio a partir de dados oficiais da Câmara. O cruzamento de informações mostra que os deputados das regiões Norte e Nordeste priorizam as despesas com locomoção. Só no Nordeste foram consumidos R$ 4,3 milhões com deslocamentos pelas bases eleitorais. Estão incluídos nessa categoria os gastos com hospedagem e alimentação de parlamentares e assessores. O gasto médio para cada um dos 151 deputados da região chegou a R$ 28,5 mil no semestre. Na região Sudeste, o gasto médio ficou em R$ 14 mil.

O consumo de combustível foi limitado a 30% da cota mensal (R$ 15 mil) por causa de seguidas denúncias de exageros nessa despesa. Tatico, do PTB de Goiás, por exemplo, gastou R$ 38,5 mil com combustível em janeiro do ano passado, quando ainda era deputado pelo Distrito Federal. Estoque suficiente para o parlamentar percorrer 184 mil quilômetros — distância equivalente a quatro voltas em torno da Terra. Hoje, cada deputado pode gastar, no máximo, R$ 4,5 mil com gasolina por mês.

Reportagem publicada pelo Correio na semana passada mostrou que os parlamentares encontraram outras formas de gastar a verba. Muitos estão usando a verba indenizatória (R$ 90 mil por semestre) com o aluguel de táxi aéreo. O segundo vice-presidente da Câmara, Inocêncio Oliveira (PR-PE), gastou R$ 32 mil em junho com viagens aéreas.

Ranking
Proporcionalmente, os deputados que mais gastaram com locomoção foram os de Alagoas (média de R$ 37,5 mil) e os do Amapá (média de R$ 38 mil) — estados com dimensões reduzidas. O campeão de gastos com aluguel de aviões, Mussa Demes (DEM-PI), torrou toda a verba indenizatória nesse item.

Os deputados do Nordeste são os que menos gastam com divulgação — média de R$ 9,2 mil por semestre. Os pernambucanos foram os que fizeram menos despesas (média de R$ 3 mil), seguidos por Alagoas (média de R$ 4,4 mil). Na região Norte, os menores gastos são feitos com a contratação de consultorias — média de R$ 8,6 mil por semestre. A maior média de despesas com consultorias ficou com o DF — R$ 28,4 mil por semestre. Tatico gastou R$ 30,9 mil, enquanto Rodrigo Rollemberg (PSB) consumiu R$ 31,9 mil.

Em números absolutos, considerando as quatro maiores despesas, o Nordeste ficou na frente, com gastos de R$ 10,4 milhões. Considerando a média de gastos, a região Centro-Oeste ficou em primeiro, com R$ 74,5 mil por deputado. Os deputados do Sudeste foram os mais comedidos, com despesas mensais médias de R$ 55 mil no primeiro semestre.