antigas Publicado: 8/08/2007 | 08:49

Greve será decidida hoje

Mariana Flores
Correio Braziliense

Professores da Universidade de Brasília anunciam se vão aderir à paralisação dos funcionários, que avaliam proposta recebida do governo
 
Os professores da Universidade de Brasília (UnB) decidem hoje se entram em greve para pressionar o governo federal a reajustar salários. Caso a maioria opte por cruzar os braços, eles devem parar a partir do dia 25, quando acontece uma reunião nacional para avaliar os resultados das assembléias que estão sendo realizadas em todo o país. A orientação do sindicato que representa os professores federais é que a categoria pare como forma de pressionar o governo, que ainda não se posicionou sobre as reivindicações apresentadas há mais de dois meses. Historicamente os docentes usam as paralisações como forma de conquistar aumentos salariais e mais direitos. Desde 1980 os professores das universidades brasileiras fizeram 16 greves, que juntas comprometeram 1 mil dias corridos. Em 27 anos, eles ficaram quase três anos sem trabalhar reivindicando reajustes salariais, segundo números do Sindicato Nacional dos docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes).

Uma possível greve vai atrasar ainda mais o início das aulas, adiadas em função da paralisação dos funcionários técnico-administrativos. Os servidores, em greve há mais de 70 dias em 46 universidades federais, não cadastraram os dados dos universitários relativos ao primeiro semestre, o que comprometeu a realização das matrículas. Na UnB, as aulas deveriam ter começado na segunda-feira. Hoje os técnicos vão se reunir para apresentar à categoria os índices de reajuste propostos ontem à noite pelo Ministério do planejamento. O governo quer aumentar os salários entre julho de 2008 e julho de 2010. Enquanto os servidores não voltam e os professores pensam em parar, os alunos, já prejudicados pelo atraso das aulas, temem que uma nova greve afete ainda mais o semestre letivo. Alguns mais antigos contabilizam as paralisações. A estudante de administração Marina Ramos, de 21 anos, está em sua terceira greve na UnB. Nesse período, teve prejuízos em seu currículo, perdeu férias e vai se formar depois do que planejava. “Só termino no primeiro semestre do ano que vem e isso se não tiver atraso muito grande desta vez”, reclama. Primeiro colocado no vestibular da UnB, Lucas Alves, de 18 anos, estava ansioso para iniciar as aulas. Mas ele terá que esperar para se matricular no curso de medicina. Os calouros também foram impedidos de fazer matrícula. “Estudei tanto para passar e já enfrento uma greve antes do início da aula. É desestimulante”, diz.

Apesar disso, os alunos apóiam os professores e servidores, e culpam o governo. “A greve é justa, se chegou até onde chegou é porque o governo não negociou”, afirma a aluna de letras/português Natália Stanzioni, de 21 anos. Mas os alunos reclamam dos prejuízos. “O rendimento de uma reposição de greve nunca é o mesmo. Ter três semestres em um ano, como já tivemos, não dá para repor o que perdemos”, critica Paula de Lima, de 24 anos, formada em física pela UnB e caloura de serviço social. Alex Chagas Vitor, de 21 anos, e Thiago Silva de Miranda, 23 anos, vão aproveitar o período para estudar. Alex, aluno do terceiro semestre de administração, estuda para concursos e Thiago tenta avançar no seu projeto final em química. “A gente tenta estudar por conta própria enquanto isso”.

Reivindicações
Os professores querem a incorporação das gratificações e reajuste na remuneração que pode chegar a até 100% dos valores atuais. Atualmente o salário inicial varia de R$ 1,4 mil para os professores com graduação com dedicação de 20 horas a R$ 5 mil, valor pago aos doutores com dedicação exclusiva. Na UnB a diminuição da pontuação da Gratificação de Estímulo à docência (GED) deve contribuir para que os professores votem pela greve. Nos últimos 12 meses eles receberam o equivalente a 175 pontos, mas a partir deste mês vão receber 140 pontos. O governo constituiu ontem um grupo de trabalho para discutir o direto de greve dos servidores públicos e a negociação coletiva. Pela portaria, o grupo terá prazo de 60 dias, prorrogáveis por mais 30, para apresentar uma proposta que será convertida em projeto de lei.

Mariana Flores
Correio Braziliense

Professores da Universidade de Brasília anunciam se vão aderir à paralisação dos funcionários, que avaliam proposta recebida do governo
 
Os professores da Universidade de Brasília (UnB) decidem hoje se entram em greve para pressionar o governo federal a reajustar salários. Caso a maioria opte por cruzar os braços, eles devem parar a partir do dia 25, quando acontece uma reunião nacional para avaliar os resultados das assembléias que estão sendo realizadas em todo o país. A orientação do sindicato que representa os professores federais é que a categoria pare como forma de pressionar o governo, que ainda não se posicionou sobre as reivindicações apresentadas há mais de dois meses. Historicamente os docentes usam as paralisações como forma de conquistar aumentos salariais e mais direitos. Desde 1980 os professores das universidades brasileiras fizeram 16 greves, que juntas comprometeram 1 mil dias corridos. Em 27 anos, eles ficaram quase três anos sem trabalhar reivindicando reajustes salariais, segundo números do Sindicato Nacional dos docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes).

Uma possível greve vai atrasar ainda mais o início das aulas, adiadas em função da paralisação dos funcionários técnico-administrativos. Os servidores, em greve há mais de 70 dias em 46 universidades federais, não cadastraram os dados dos universitários relativos ao primeiro semestre, o que comprometeu a realização das matrículas. Na UnB, as aulas deveriam ter começado na segunda-feira. Hoje os técnicos vão se reunir para apresentar à categoria os índices de reajuste propostos ontem à noite pelo Ministério do planejamento. O governo quer aumentar os salários entre julho de 2008 e julho de 2010. Enquanto os servidores não voltam e os professores pensam em parar, os alunos, já prejudicados pelo atraso das aulas, temem que uma nova greve afete ainda mais o semestre letivo. Alguns mais antigos contabilizam as paralisações. A estudante de administração Marina Ramos, de 21 anos, está em sua terceira greve na UnB. Nesse período, teve prejuízos em seu currículo, perdeu férias e vai se formar depois do que planejava. “Só termino no primeiro semestre do ano que vem e isso se não tiver atraso muito grande desta vez”, reclama. Primeiro colocado no vestibular da UnB, Lucas Alves, de 18 anos, estava ansioso para iniciar as aulas. Mas ele terá que esperar para se matricular no curso de medicina. Os calouros também foram impedidos de fazer matrícula. “Estudei tanto para passar e já enfrento uma greve antes do início da aula. É desestimulante”, diz.

Apesar disso, os alunos apóiam os professores e servidores, e culpam o governo. “A greve é justa, se chegou até onde chegou é porque o governo não negociou”, afirma a aluna de letras/português Natália Stanzioni, de 21 anos. Mas os alunos reclamam dos prejuízos. “O rendimento de uma reposição de greve nunca é o mesmo. Ter três semestres em um ano, como já tivemos, não dá para repor o que perdemos”, critica Paula de Lima, de 24 anos, formada em física pela UnB e caloura de serviço social. Alex Chagas Vitor, de 21 anos, e Thiago Silva de Miranda, 23 anos, vão aproveitar o período para estudar. Alex, aluno do terceiro semestre de administração, estuda para concursos e Thiago tenta avançar no seu projeto final em química. “A gente tenta estudar por conta própria enquanto isso”.

Reivindicações
Os professores querem a incorporação das gratificações e reajuste na remuneração que pode chegar a até 100% dos valores atuais. Atualmente o salário inicial varia de R$ 1,4 mil para os professores com graduação com dedicação de 20 horas a R$ 5 mil, valor pago aos doutores com dedicação exclusiva. Na UnB a diminuição da pontuação da Gratificação de Estímulo à docência (GED) deve contribuir para que os professores votem pela greve. Nos últimos 12 meses eles receberam o equivalente a 175 pontos, mas a partir deste mês vão receber 140 pontos. O governo constituiu ontem um grupo de trabalho para discutir o direto de greve dos servidores públicos e a negociação coletiva. Pela portaria, o grupo terá prazo de 60 dias, prorrogáveis por mais 30, para apresentar uma proposta que será convertida em projeto de lei.