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Publicado: 13/09/2007 | 11:12
Investimento alivia juros
Edna Simão e Vicente Nunes
Correio Braziliense
Correio Braziliense
Aplicação de 17,7% do PIB no primeiro semestre mostra confiança dos empresários no futuro da economia e reduz pressão sobre a Selic
A taxa de investimentos do país atingiu 17,7% do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro semestre deste ano, um forte indicador de confiança no futuro da economia. É o maior patamar da série histórica para o período desde 2000, conforme levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa foi puxada pelo incremento de 13,8% nos investimentos, a chamada Formação Bruta de Capital Fixo (FBKF), no segundo trimestre, a maior expansão em três anos. “Investimentos em alta indicam que os empresários acreditam que podem aumentar a produção, pois terão para quem vender no futuro. Trata-se de uma das melhores notícias do PIB”, disse Claudia Oshiro, economista da Consultoria Tendências.
Segundo Francisco Pessoa Faria, economista da LCA Consultores, o aumento dos investimentos trouxe ainda outra importante leitura: a redução das pressões sobre a política de juros conduzida pelo Banco Central (BC). Havia, entre os especialistas e mesmo dentro do governo, o temor de que o Brasil estivesse vivendo uma indesejável “inflação de demanda”, ou seja, consumo superaquecido e uma possível incapacidade da indústria de abastecer o mercado. “Mas não é isso o que estamos vendo. Os investimentos estão crescendo muito acima do consumo. E isso indica que há espaço para os investimentos maturarem, sem escassez de produtos”, acrescentou José Ronaldo Souza Júnior, economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
Sendo assim, o economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luís Otávio de Souza Leal, acredita que se abriu um importante espaço para pelo menos mais um corte da taxa básica de juros (Selic) na reunião de outubro do Comitê de Política Monetária (Copom). “É possível apostar em uma redução de 0,25 ponto percentual da Selic, com ela fechando o ano em 11%”, destacou. Na avaliação de Carlos Thadeu de Freitas Gomes, economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio (CNC), se não garantiu mais um corte da Selic, o salto dos investimentos produtivos afastou qualquer possibilidade de o Copom ser obrigado a elevar os juros em 2008 para conter a alta da inflação.
PAC encalhado
Gerente de Contas Trimestrais do IBGE, Rebeca Palis disse que os segmentos que mais têm ampliado os investimentos são a construção civil, o petroquímico, o de materiais elétricos e o de máquinas e equipamentos — esse último, incrementado pelas importações. Mas, apesar do desempenho positivo da economia, o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Luiz Aubert Neto, ressaltou que o Brasil ainda está muito aquém do que ocorre nos outros países. “O crescimento do segundo trimestre, de 5,4%, foi um fator positivo para o setor produtivo. Mas se não tivermos uma política industrial clara, o Brasil continuará sendo o país do futuro. Os investimentos vão se desacelerar”, reclamou.
Para o presidente da Associação Brasileira de Infra-Estrutura de Base (Abdib), Paulo Godoy, a maior ameaça aos investimento e o aumento do PIB daqui por diante será a deficiência da infra-estrutura do país. No entender do presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Paulo Safady Simão, “a construção civil só não avançou mais porque o Programa de Aceleração do Crescimento(PAC), voltado para a infra-estrutura, ainda não deslanchou”.
Brasileiros vão às compras
O consumo das famílias cresceu 5,9% no primeiro semestre, estimulado pela oferta de crédito
Os brasileiros não se intimidaram em ir às compras. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o consumo das famílias aumentou 5,7% entre abril e junho, cravando o 15º trimestre consecutivo de expansão. No semestre, o avanço foi de 5,9%. A vontade da população de gastar foi estimulada pelo aumento real (acima da inflação) de 5,2% da massa salarial e pela oferta 26,5% maior de crédito. “Foi uma combinação muito importante para sustentar o firme crescimento do Produto Interno Bruto (PIB)”, disse Ítalo Lombardi, economista para a América Latina na IdeaGlobal, consultoria com sede em Nova York.
O grande questionamento que os especialistas fazem neste momento é se o consumo continuará tão forte nos próximos meses, diante da expressiva elevação dos preços dos alimentos. Em média, os consumidores de mais baixa renda gastam 80% do orçamento mensal com comida. Como os últimos reajustes corroeram parte do poder de compra, há quem aposte em um certo arrefecimento da demanda. “Não dá para dizer ainda qual será a redução do consumo. Mas creio que não será muito forte. Em vez de crescer 6%, passará a se expandir a taxas entre 4,5% e 5%, nível ainda elevado”, afirmou o economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luís Otávio de Souza Leal. “Se o mercado de trabalho continuar se expandindo e o crédito permanecer farto, o consumo das famílias não será afetado”, acrescentou Vitória Saddi, economista-chefe para a América Latina do RGE Monitor.
Impostos em alta
Com o consumo aquecido, o governo engordou o caixa. A arrecadação de impostos sobre produtos totalizou, entre abril e junho, R$ 87,5 bilhões, um aumento de 8,6% sobre igual período de 2006 — acima da expansão da indústria, de 6,8%. As receitas com tributos, nos cálculos de Rebeca Palis, gerente de Contas Trimestrais do IBGE, foram incrementadas pelo Imposto de Importação. As compras no exterior avançaram 18,7% no segundo trimestre, embaladas pelo dólar barato. No mesmo período, as exportações cresceram 13%.
Apesar do caixa abarrotado, o governo não se animou a gastar. Ao contrário do que ocorreu nos primeiros três meses do ano, quando foi fundamental para sustentar o PIB, o setor público foi mais comedido entre abril e junho, deixando o papel de indutor do crescimento para a iniciativa privada. “O problema não é o governo gastar. Mas, sim, a qualidade do gasto. Seria muito bom que os cofres públicos priorizassem os investimentos em infra-estrutura”, destacou Ítalo Lombardi.
Edna Simão e Vicente Nunes
Correio Braziliense
Correio Braziliense
Aplicação de 17,7% do PIB no primeiro semestre mostra confiança dos empresários no futuro da economia e reduz pressão sobre a Selic
A taxa de investimentos do país atingiu 17,7% do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro semestre deste ano, um forte indicador de confiança no futuro da economia. É o maior patamar da série histórica para o período desde 2000, conforme levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa foi puxada pelo incremento de 13,8% nos investimentos, a chamada Formação Bruta de Capital Fixo (FBKF), no segundo trimestre, a maior expansão em três anos. “Investimentos em alta indicam que os empresários acreditam que podem aumentar a produção, pois terão para quem vender no futuro. Trata-se de uma das melhores notícias do PIB”, disse Claudia Oshiro, economista da Consultoria Tendências.
Segundo Francisco Pessoa Faria, economista da LCA Consultores, o aumento dos investimentos trouxe ainda outra importante leitura: a redução das pressões sobre a política de juros conduzida pelo Banco Central (BC). Havia, entre os especialistas e mesmo dentro do governo, o temor de que o Brasil estivesse vivendo uma indesejável “inflação de demanda”, ou seja, consumo superaquecido e uma possível incapacidade da indústria de abastecer o mercado. “Mas não é isso o que estamos vendo. Os investimentos estão crescendo muito acima do consumo. E isso indica que há espaço para os investimentos maturarem, sem escassez de produtos”, acrescentou José Ronaldo Souza Júnior, economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
Sendo assim, o economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luís Otávio de Souza Leal, acredita que se abriu um importante espaço para pelo menos mais um corte da taxa básica de juros (Selic) na reunião de outubro do Comitê de Política Monetária (Copom). “É possível apostar em uma redução de 0,25 ponto percentual da Selic, com ela fechando o ano em 11%”, destacou. Na avaliação de Carlos Thadeu de Freitas Gomes, economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio (CNC), se não garantiu mais um corte da Selic, o salto dos investimentos produtivos afastou qualquer possibilidade de o Copom ser obrigado a elevar os juros em 2008 para conter a alta da inflação.
PAC encalhado
Gerente de Contas Trimestrais do IBGE, Rebeca Palis disse que os segmentos que mais têm ampliado os investimentos são a construção civil, o petroquímico, o de materiais elétricos e o de máquinas e equipamentos — esse último, incrementado pelas importações. Mas, apesar do desempenho positivo da economia, o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Luiz Aubert Neto, ressaltou que o Brasil ainda está muito aquém do que ocorre nos outros países. “O crescimento do segundo trimestre, de 5,4%, foi um fator positivo para o setor produtivo. Mas se não tivermos uma política industrial clara, o Brasil continuará sendo o país do futuro. Os investimentos vão se desacelerar”, reclamou.
Para o presidente da Associação Brasileira de Infra-Estrutura de Base (Abdib), Paulo Godoy, a maior ameaça aos investimento e o aumento do PIB daqui por diante será a deficiência da infra-estrutura do país. No entender do presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Paulo Safady Simão, “a construção civil só não avançou mais porque o Programa de Aceleração do Crescimento(PAC), voltado para a infra-estrutura, ainda não deslanchou”.
Brasileiros vão às compras
O consumo das famílias cresceu 5,9% no primeiro semestre, estimulado pela oferta de crédito
Os brasileiros não se intimidaram em ir às compras. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o consumo das famílias aumentou 5,7% entre abril e junho, cravando o 15º trimestre consecutivo de expansão. No semestre, o avanço foi de 5,9%. A vontade da população de gastar foi estimulada pelo aumento real (acima da inflação) de 5,2% da massa salarial e pela oferta 26,5% maior de crédito. “Foi uma combinação muito importante para sustentar o firme crescimento do Produto Interno Bruto (PIB)”, disse Ítalo Lombardi, economista para a América Latina na IdeaGlobal, consultoria com sede em Nova York.
O grande questionamento que os especialistas fazem neste momento é se o consumo continuará tão forte nos próximos meses, diante da expressiva elevação dos preços dos alimentos. Em média, os consumidores de mais baixa renda gastam 80% do orçamento mensal com comida. Como os últimos reajustes corroeram parte do poder de compra, há quem aposte em um certo arrefecimento da demanda. “Não dá para dizer ainda qual será a redução do consumo. Mas creio que não será muito forte. Em vez de crescer 6%, passará a se expandir a taxas entre 4,5% e 5%, nível ainda elevado”, afirmou o economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luís Otávio de Souza Leal. “Se o mercado de trabalho continuar se expandindo e o crédito permanecer farto, o consumo das famílias não será afetado”, acrescentou Vitória Saddi, economista-chefe para a América Latina do RGE Monitor.
Impostos em alta
Com o consumo aquecido, o governo engordou o caixa. A arrecadação de impostos sobre produtos totalizou, entre abril e junho, R$ 87,5 bilhões, um aumento de 8,6% sobre igual período de 2006 — acima da expansão da indústria, de 6,8%. As receitas com tributos, nos cálculos de Rebeca Palis, gerente de Contas Trimestrais do IBGE, foram incrementadas pelo Imposto de Importação. As compras no exterior avançaram 18,7% no segundo trimestre, embaladas pelo dólar barato. No mesmo período, as exportações cresceram 13%.
Apesar do caixa abarrotado, o governo não se animou a gastar. Ao contrário do que ocorreu nos primeiros três meses do ano, quando foi fundamental para sustentar o PIB, o setor público foi mais comedido entre abril e junho, deixando o papel de indutor do crescimento para a iniciativa privada. “O problema não é o governo gastar. Mas, sim, a qualidade do gasto. Seria muito bom que os cofres públicos priorizassem os investimentos em infra-estrutura”, destacou Ítalo Lombardi.