antigas Publicado: 28/11/2007 | 10:16

R$ 233,3 mi por dia

Vicente Nunes
Correio Braziliense

Brasileiros elevam suas dívidas a cada 24 horas, mas inadimplência em queda mostra que pagam os débitos e mantêm intacta a saúde da economia. Confiança em alta favorece as compras de Natal
 

Os brasileiros vão chegar ao Natal com um volume de dívidas sem precedentes. Pelos cálculos do Banco Central, no fechamento de outubro, quando começa o período de consumo para as festas de fim de ano, as pessoas físicas totalizavam dívidas de R$ 304,9 bilhões, incluindo todas as operações de crédito com o sistema financeiro. Em outubro de 2006, os débitos somavam R$ 230 bilhões. A cada dia deste ano, os brasileiros contraíram R$ 233,3 milhões em dívidas, quantia suficiente para comprar 1.116 imóveis de dois quartos em áreas nobres de Brasília (R$ 200 mil cada) ou 7,8 mil carros populares de R$ 30 mil.

E não há, no cenário traçado pelo BC e pela maioria dos economistas, nenhum sinal de enfraquecimento na disposição dos brasileiros de comprar a prazo ou tomar empréstimos. Muito pelo contrário. “As condições são favoráveis à expansão do crédito. O brasileiro terá, neste Natal, as menores taxas de juros desde julho de 1994 — quando foi editado o Plano Real — e os maiores prazos de pagamento”, afirmou o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes. A taxa de juros média para pessoas físicas encerrou o mês passado em 45,8% ao ano (leia quadro).

O BC constatou juros mais baixos em todas as operações de crédito para pessoas. No crédito pessoal (inclui empréstimos com desconto em folha), a taxa ficou em 48,9% ao ano (menos 0,5 ponto ante setembro). No cheque especial: recuo de 0,9 ponto, para 139,1% ao ano. Nos financiamentos de automóveis: queda de 0,2 ponto, para 28,4% anuais. No crédito direto ao consumidor (CDC), linha que financia a compra de eletrodomésticos e eletrônicos, os juros baixaram 0,5 ponto, para 54,7% ao ano. “Com exceção do cheque especial e do CDC, todas as linhas estão no menor nível da série histórica, iniciada em julho de 1994”, ressaltou Altamir.

Na avaliação de Nuno Câmara, economista do Dresdner Bank em Nova York, o que dá tranqüilidade é que o volume de crédito está crescendo com a inadimplência em queda. O índice de calote está em 7%, contra 7,6% em dezembro de 2006. “Mais pessoas foram incorporadas ao mercado, muitos sem histórico no sistema financeiro, e, mesmo assim, a inadimplência está recuando. É um fato a ser comemorado”, destacou. O baixo nível de calote, acrescentou Rodrigo Éboli, economista da Mellon Asset Management, está associado ao aumento do emprego formal, à elevação da renda e à estabilidade da economia. “Isso, sem falar no prazo maior para pagamento das dívidas, de 419 dias, em média, que derruba o valor das prestações e faz com que elas se acomodem melhor no orçamento familiar”, explicou.

É preciso ressaltar, segundo Lopes, que o total de crédito da economia brasileira, de R$ 880,8 bilhões (empresas e pessoas físicas), está em 34% do Produto Interno Bruto (PIB). Apesar de essa relação ser a maior desde junho de 1995 (34,7%), o indicador é baixo quando comparado aos de países como o México, onde representa mais de 60% do PIB. “Há espaço para crescer e isso será possível porque os juros devem continuar caindo, uma vez que os bancos têm gordura para queimar no spread (índice que inclui o lucro das instituições)”, destacou.

No que depender da funcionária pública Maria de Fátima Rodrigues, 50 anos, o Natal será à base de crédito. “Tenho que comprar presentes para minha mãe, dois afilhados, netos, filhos, marido e colegas. E muita coisa será financiada”, disse, consciente de que os R$ 3,8 mil que ganha por mês serão suficientes para bancar os desejos de consumo. Ela contou que usará parte do 13º salário para aliviar as atuais dívidas de dois cartões de crédito, reduzir débitos com o cheque especial e, assim, abrir espaço para novos financiamentos.

Morando há pouco mais de um ano em Brasília, o instalador de móveis Ricardo Gomes de Oliveira, 25, é mais comedido. O pouco que comprará neste Natal será pago à vista e o que sobrar, inclusive o 13º, será depositado na caderneta de poupança. “Já tive dívidas que me deixaram com o nome sujo por quase três anos. Não pretendo voltar ao vermelho”, frisou.

Vicente Nunes
Correio Braziliense

Brasileiros elevam suas dívidas a cada 24 horas, mas inadimplência em queda mostra que pagam os débitos e mantêm intacta a saúde da economia. Confiança em alta favorece as compras de Natal
 

Os brasileiros vão chegar ao Natal com um volume de dívidas sem precedentes. Pelos cálculos do Banco Central, no fechamento de outubro, quando começa o período de consumo para as festas de fim de ano, as pessoas físicas totalizavam dívidas de R$ 304,9 bilhões, incluindo todas as operações de crédito com o sistema financeiro. Em outubro de 2006, os débitos somavam R$ 230 bilhões. A cada dia deste ano, os brasileiros contraíram R$ 233,3 milhões em dívidas, quantia suficiente para comprar 1.116 imóveis de dois quartos em áreas nobres de Brasília (R$ 200 mil cada) ou 7,8 mil carros populares de R$ 30 mil.

E não há, no cenário traçado pelo BC e pela maioria dos economistas, nenhum sinal de enfraquecimento na disposição dos brasileiros de comprar a prazo ou tomar empréstimos. Muito pelo contrário. “As condições são favoráveis à expansão do crédito. O brasileiro terá, neste Natal, as menores taxas de juros desde julho de 1994 — quando foi editado o Plano Real — e os maiores prazos de pagamento”, afirmou o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes. A taxa de juros média para pessoas físicas encerrou o mês passado em 45,8% ao ano (leia quadro).

O BC constatou juros mais baixos em todas as operações de crédito para pessoas. No crédito pessoal (inclui empréstimos com desconto em folha), a taxa ficou em 48,9% ao ano (menos 0,5 ponto ante setembro). No cheque especial: recuo de 0,9 ponto, para 139,1% ao ano. Nos financiamentos de automóveis: queda de 0,2 ponto, para 28,4% anuais. No crédito direto ao consumidor (CDC), linha que financia a compra de eletrodomésticos e eletrônicos, os juros baixaram 0,5 ponto, para 54,7% ao ano. “Com exceção do cheque especial e do CDC, todas as linhas estão no menor nível da série histórica, iniciada em julho de 1994”, ressaltou Altamir.

Na avaliação de Nuno Câmara, economista do Dresdner Bank em Nova York, o que dá tranqüilidade é que o volume de crédito está crescendo com a inadimplência em queda. O índice de calote está em 7%, contra 7,6% em dezembro de 2006. “Mais pessoas foram incorporadas ao mercado, muitos sem histórico no sistema financeiro, e, mesmo assim, a inadimplência está recuando. É um fato a ser comemorado”, destacou. O baixo nível de calote, acrescentou Rodrigo Éboli, economista da Mellon Asset Management, está associado ao aumento do emprego formal, à elevação da renda e à estabilidade da economia. “Isso, sem falar no prazo maior para pagamento das dívidas, de 419 dias, em média, que derruba o valor das prestações e faz com que elas se acomodem melhor no orçamento familiar”, explicou.

É preciso ressaltar, segundo Lopes, que o total de crédito da economia brasileira, de R$ 880,8 bilhões (empresas e pessoas físicas), está em 34% do Produto Interno Bruto (PIB). Apesar de essa relação ser a maior desde junho de 1995 (34,7%), o indicador é baixo quando comparado aos de países como o México, onde representa mais de 60% do PIB. “Há espaço para crescer e isso será possível porque os juros devem continuar caindo, uma vez que os bancos têm gordura para queimar no spread (índice que inclui o lucro das instituições)”, destacou.

No que depender da funcionária pública Maria de Fátima Rodrigues, 50 anos, o Natal será à base de crédito. “Tenho que comprar presentes para minha mãe, dois afilhados, netos, filhos, marido e colegas. E muita coisa será financiada”, disse, consciente de que os R$ 3,8 mil que ganha por mês serão suficientes para bancar os desejos de consumo. Ela contou que usará parte do 13º salário para aliviar as atuais dívidas de dois cartões de crédito, reduzir débitos com o cheque especial e, assim, abrir espaço para novos financiamentos.

Morando há pouco mais de um ano em Brasília, o instalador de móveis Ricardo Gomes de Oliveira, 25, é mais comedido. O pouco que comprará neste Natal será pago à vista e o que sobrar, inclusive o 13º, será depositado na caderneta de poupança. “Já tive dívidas que me deixaram com o nome sujo por quase três anos. Não pretendo voltar ao vermelho”, frisou.