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Publicado: 18/09/2007 | 08:49
Aposta na ?cicatrização?
Leandro Colon e Daniel Pereira
Correio Braziliense
Correio Braziliense
Renan e aliados vão procurar a oposição para tentar curar feridas e montar agenda mínima de votações. Idéia é mostrar, sobretudo ao Planalto, que licença é desnecessária. Há chance de encontro com Lula
Em busca da “cicatrização” de sua absolvição, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), começa hoje uma maratona de negociação política para se manter no cargo. Por essa negociação, passam os senadores da oposição e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Alvo de mais dois processos no Conselho de Ética, Renan quer mostrar a todos que tem força suficiente para diminuir a tensão no Senado nos próximos 15 dias e ficar no comando da Casa, inclusive na votação da prorrogação da CPMF, prevista para ocorrer a partir de outubro. Os senadores da oposição já avisaram que não votam a matéria com Renan na Presidência.
Aliados do senador vão procurar a oposição, a partir de hoje, para discutir uma agenda mínima de votações no plenário. Renan não pretende, por enquanto, convocar uma reunião de líderes, porque sabe do risco de passar pelo constrangimento de um boicote da oposição. Caberá ao líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), comandar a corrida informal atrás de um acordo. Nos bastidores, Renan também continuará telefonando a alguns senadores.
Espera-se ainda que o presidente do Senado tenha uma conversa hoje com Lula, que estava com chegada prevista de uma viagem ao exterior nesta madrugada. O encontro entre os dois, porém, ainda não está oficialmente confirmado. E já há uma divergência. No Senado, amigos de Renan passaram a versão de que o chefe de gabinete de Lula, Gilberto Carvalho, telefonou ao senador na quinta-feira passada informando que o presidente gostaria de encontrá-lo. No Palácio, a versão é outra: foi Renan quem pediu para falar com Lula. Diante desse desencontro, há, ao menos, um consenso entre Palácio e Senado: não caberá a Lula pedir para Renan se licenciar do cargo. Os dois discutirão, no momento, como pacificar o Senado depois da absolvição do peemedebista.
Fôlego
Renan pretende dizer ao presidente que tem fôlego suficiente para garantir uma Casa estável até a votação da CPMF. O senador levará a Lula a previsão da líder do governo no Congresso, Roseana Sarney (PMDB-MA), de que a prorrogação do imposto chegará ao Senado a partir de 15 de outubro. E dirá que conseguirá, até lá, rearticular as forças no Senado para continuar na Presidência da Casa. Aliados do senador dizem ainda que Renan jamais aceitaria um pedido de Lula para um afastamento. Nem Lula faria tal pedido. Seria, na avaliação de senadores, a submissão de um chefe de um poder a outro.
Romero Jucá vai procurar hoje os líderes do DEM, José Agripino (RN), e do PSDB, Arthur Virgilio (AM), para discutir uma agenda de votações possível nesse cenário de crise após o julgamento que livrou Renan da cassação de seu mandato. “Vamos conversar com os líderes, mas sem prejuízo da posição política deles. Esse processo virou uma queda-de-braço. Precisamos discutir como melhorar o cenário”, disse Jucá. O líder não vai cobrar de DEM e PSDB o recuo da pressão em cima de Renan. Mas, pelo menos, que ajudem nas votações em plenário. Seria, na análise do próprio Jucá, uma etapa da “cicatrização” do resultado do julgamento de semana passada. “Essa cicatrização ainda leva um tempo”, afirmou. O governo tem pressa, por exemplo, para aprovar a indicação de autoridades para órgãos públicos, como Paulo Lacerda na Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e Luiz Antônio Pagot no Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit).
Renan não apareceu no Senado ontem. Ficou em Maceió, onde passou o fim de semana. Seu retorno para Brasília estava previsto para o fim da noite de ontem. O senador promete reaparecer hoje. E sabe que ainda vai encontrar um cenário de ressentimento na oposição. “A curto prazo, o cenário é de crise intensa. Vai depender do procedimento do Renan nesse entendimento”, disse ontem o vice-presidente do Senado, Tião Viana (PT-AC), que assume o lugar de Renan em caso de licença.
Além de buscar apoio para se manter no cargo, Renan começa a se preocupar hoje com os outros processos que enfrenta no Conselho de Ética. O senador João Pedro (PT-AM) promete apresentar amanhã seu relatório sobre o processo que investiga as relações de Renan com a cervejaria Schincariol (leia mais na página 3). O outro processo, que trata das denúncias de que o senador usou “laranjas” para comprar veículos de comunicação, ainda está sem relator. A oposição pressiona para que um nome seja escolhido nos próximos dias.
Petista vai se defender de críticas
O plenário do Senado promete hoje mais discussão sobre a absolvição do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). O senador Aloizio Mercadante (PT-SP) já se inscreveu para discursar na tribuna. O petista quer se defender das críticas sobre a decisão de votar pela abstenção no julgamento de Renan. Na quinta-feira passada, Mercadante foi apontado pelos colegas como o principal articulador das seis abstenções durante a sessão secreta do dia anterior. Votos que ajudaram a salvar Renan junto com os 40 pela absolvição. Foram 35 pela cassação, seis a menos que o necessário. Na sessão, o petista tentou aprovar um requerimento para adiar a votação. Sem forças, recuou e passou a defender a abstenção.
O senador pretende dizer na tribuna que se absteve porque chegou à conclusão, naquele momento, de que ainda não havia provas contra Renan. Seria preciso, segundo ele, mais investigação. Mercadante já reconheceu que errou ao apresentar um requerimento de adiamento na última hora. E deve ouvir mais críticas no plenário hoje.
Ontem, o voto pela abstenção dominou, por alguns momentos, o debate entre os senadores. O tucano Mário Couto (PA) ironizou o senador que optou por esse caminho. “A tal abstenção é para esconder os covardes: ‘Eu não sou coluna a nem coluna b, sou coluna do meio’. Na minha terra, coluna do meio é um negócio que não posso citar aqui”, disse. O petista Paulo Paim (RS) rebateu. “Preocupa-me a forma como está sendo tratada a abstenção. Se é uma excrescência, então não pode nem existir mais ali no painel. Se é uma excrescência, não pode mais ter aqui. Porque, se existe a opção, quem votou ali achou que deveria ir para lá e se acabou a história”, afirmou.
Leandro Colon e Daniel Pereira
Correio Braziliense
Correio Braziliense
Renan e aliados vão procurar a oposição para tentar curar feridas e montar agenda mínima de votações. Idéia é mostrar, sobretudo ao Planalto, que licença é desnecessária. Há chance de encontro com Lula
Em busca da “cicatrização” de sua absolvição, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), começa hoje uma maratona de negociação política para se manter no cargo. Por essa negociação, passam os senadores da oposição e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Alvo de mais dois processos no Conselho de Ética, Renan quer mostrar a todos que tem força suficiente para diminuir a tensão no Senado nos próximos 15 dias e ficar no comando da Casa, inclusive na votação da prorrogação da CPMF, prevista para ocorrer a partir de outubro. Os senadores da oposição já avisaram que não votam a matéria com Renan na Presidência.
Aliados do senador vão procurar a oposição, a partir de hoje, para discutir uma agenda mínima de votações no plenário. Renan não pretende, por enquanto, convocar uma reunião de líderes, porque sabe do risco de passar pelo constrangimento de um boicote da oposição. Caberá ao líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), comandar a corrida informal atrás de um acordo. Nos bastidores, Renan também continuará telefonando a alguns senadores.
Espera-se ainda que o presidente do Senado tenha uma conversa hoje com Lula, que estava com chegada prevista de uma viagem ao exterior nesta madrugada. O encontro entre os dois, porém, ainda não está oficialmente confirmado. E já há uma divergência. No Senado, amigos de Renan passaram a versão de que o chefe de gabinete de Lula, Gilberto Carvalho, telefonou ao senador na quinta-feira passada informando que o presidente gostaria de encontrá-lo. No Palácio, a versão é outra: foi Renan quem pediu para falar com Lula. Diante desse desencontro, há, ao menos, um consenso entre Palácio e Senado: não caberá a Lula pedir para Renan se licenciar do cargo. Os dois discutirão, no momento, como pacificar o Senado depois da absolvição do peemedebista.
Fôlego
Renan pretende dizer ao presidente que tem fôlego suficiente para garantir uma Casa estável até a votação da CPMF. O senador levará a Lula a previsão da líder do governo no Congresso, Roseana Sarney (PMDB-MA), de que a prorrogação do imposto chegará ao Senado a partir de 15 de outubro. E dirá que conseguirá, até lá, rearticular as forças no Senado para continuar na Presidência da Casa. Aliados do senador dizem ainda que Renan jamais aceitaria um pedido de Lula para um afastamento. Nem Lula faria tal pedido. Seria, na avaliação de senadores, a submissão de um chefe de um poder a outro.
Romero Jucá vai procurar hoje os líderes do DEM, José Agripino (RN), e do PSDB, Arthur Virgilio (AM), para discutir uma agenda de votações possível nesse cenário de crise após o julgamento que livrou Renan da cassação de seu mandato. “Vamos conversar com os líderes, mas sem prejuízo da posição política deles. Esse processo virou uma queda-de-braço. Precisamos discutir como melhorar o cenário”, disse Jucá. O líder não vai cobrar de DEM e PSDB o recuo da pressão em cima de Renan. Mas, pelo menos, que ajudem nas votações em plenário. Seria, na análise do próprio Jucá, uma etapa da “cicatrização” do resultado do julgamento de semana passada. “Essa cicatrização ainda leva um tempo”, afirmou. O governo tem pressa, por exemplo, para aprovar a indicação de autoridades para órgãos públicos, como Paulo Lacerda na Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e Luiz Antônio Pagot no Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit).
Renan não apareceu no Senado ontem. Ficou em Maceió, onde passou o fim de semana. Seu retorno para Brasília estava previsto para o fim da noite de ontem. O senador promete reaparecer hoje. E sabe que ainda vai encontrar um cenário de ressentimento na oposição. “A curto prazo, o cenário é de crise intensa. Vai depender do procedimento do Renan nesse entendimento”, disse ontem o vice-presidente do Senado, Tião Viana (PT-AC), que assume o lugar de Renan em caso de licença.
Além de buscar apoio para se manter no cargo, Renan começa a se preocupar hoje com os outros processos que enfrenta no Conselho de Ética. O senador João Pedro (PT-AM) promete apresentar amanhã seu relatório sobre o processo que investiga as relações de Renan com a cervejaria Schincariol (leia mais na página 3). O outro processo, que trata das denúncias de que o senador usou “laranjas” para comprar veículos de comunicação, ainda está sem relator. A oposição pressiona para que um nome seja escolhido nos próximos dias.
Petista vai se defender de críticas
O plenário do Senado promete hoje mais discussão sobre a absolvição do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). O senador Aloizio Mercadante (PT-SP) já se inscreveu para discursar na tribuna. O petista quer se defender das críticas sobre a decisão de votar pela abstenção no julgamento de Renan. Na quinta-feira passada, Mercadante foi apontado pelos colegas como o principal articulador das seis abstenções durante a sessão secreta do dia anterior. Votos que ajudaram a salvar Renan junto com os 40 pela absolvição. Foram 35 pela cassação, seis a menos que o necessário. Na sessão, o petista tentou aprovar um requerimento para adiar a votação. Sem forças, recuou e passou a defender a abstenção.
O senador pretende dizer na tribuna que se absteve porque chegou à conclusão, naquele momento, de que ainda não havia provas contra Renan. Seria preciso, segundo ele, mais investigação. Mercadante já reconheceu que errou ao apresentar um requerimento de adiamento na última hora. E deve ouvir mais críticas no plenário hoje.
Ontem, o voto pela abstenção dominou, por alguns momentos, o debate entre os senadores. O tucano Mário Couto (PA) ironizou o senador que optou por esse caminho. “A tal abstenção é para esconder os covardes: ‘Eu não sou coluna a nem coluna b, sou coluna do meio’. Na minha terra, coluna do meio é um negócio que não posso citar aqui”, disse. O petista Paulo Paim (RS) rebateu. “Preocupa-me a forma como está sendo tratada a abstenção. Se é uma excrescência, então não pode nem existir mais ali no painel. Se é uma excrescência, não pode mais ter aqui. Porque, se existe a opção, quem votou ali achou que deveria ir para lá e se acabou a história”, afirmou.