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Publicado: 27/09/2007 | 09:25
Rebelião no Senado surpreende Planalto
Daniel Pereira
Correio Braziliense
Correio Braziliense
Antes da revolta do PMDB, Mares Guia fez previsão otimista sobre a aprovação da CPMF na Casa em reunião com o presidente Lula
A decisão do plenário do Senado de rejeitar ontem à noite a medida provisória que criou a Secretaria de Planejamento de Longo Prazo contradisse o discurso entoado pelo ministro de Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia, durante a reunião da coordenação política. Em encontro realizado à tarde no Palácio do Planalto, Mares Guia afirmou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a colegas de ministério que a proposta de prorrogação da cobrança da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) será aprovada com tranqüilidade na Câmara e no Senado.
O resultado da votação da MP coloca em xeque tal análise. Primeiro, porque o governo só precisava de maioria para aprovar a medida, e não de três quintos dos 81 votos dos senadores, como no caso da proposta de emenda constitucional (PEC) da CPMF. Segundo, porque a bancada do PMDB, a maior da Casa, deixou claro para o Palácio do Planalto que está insatisfeita com a demora para o preenchimento de cargos estratégicos de segundo escalão.
O grupo ligado ao senador José Sarney (PMDB-AP) quer pressa na nomeação de apadrinhados para as presidências da Eletrobrás e da Eletronorte. Como teme perder postos para o PT, alerta desde já para a possibilidade de retaliação no caso do tributo. A mesma insatisfação provocou um princípio de rebelião na bancada do PMDB da Câmara, debelada depois de Mares Guia prometer, na terça-feira, que o grupo será contemplado no rateio de postos do setor energético.
Reivindicações
Os deputados peemedebistas querem emplacar João Augusto Fernandes e o ex-governador Paulo Afonso, respectivamente, na diretoria Internacional da Petrobras e na presidência da Eletrosul. A derrota do governo no Senado arranha um dos discursos prediletos de Mares Guia, segundo o qual o governo conseguiu aprovar este ano todas as matérias de seu interesse, mesmo com a chiadeira recorrente de aliados sobre cargos e emendas e a crise envolvendo o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).
Além disso, é um desfecho negativo num dia em que Mares Guia recebeu mais solidariedade do presidente e dos colegas de ministério. “O ministro tem a confiança do presidente da mesma forma que tinha antes desse episódio. Então, no que diz respeito ao presidente, a situação do ministro não se modificou”, declarou o porta-voz da Presidência, Marcelo Baumbach. Momentos depois, Lula brincou com Mares Guia logo na abertura da reunião da coordenação, lembrando que se recusou a responder a uma pergunta sobre a situação do auxiliar quando estava em Nova York.
No fim da reunião, Mares Guia agradeceu o apoio recebido. Conforme antecipado pelo Correio, o presidente decidiu mantê-lo no cargo mesmo que seja denunciado pelo Ministério Público Federal por envolvimento no esquema de caixa dois da campanha de Eduardo Azeredo (PSDB), em 1998, ao governo de Minas Gerais. “Sobre a questão do afastamento (de Mares Guia), eu apenas observo a vocês que o ministro Silas Rondeau não foi afastado do governo. Ele pediu demissão. Então, não existe analogia entre os dois casos.”
PT PEDE AGILIDADE
Causou desconforto no Palácio do Planalto a divulgação de uma nota no site do PT informando que a Executiva do partido havia decidido pedir agilidade ao Ministério Público na apuração do chamado valerioduto mineiro. A vice-presidente do PT, deputada Maria do Rosário (RS), no entanto, disse que o partido é independente do governo. “O problema do ministro Mares Guia é do governo e do presidente Lula”, observou.
Daniel Pereira
Correio Braziliense
Correio Braziliense
Antes da revolta do PMDB, Mares Guia fez previsão otimista sobre a aprovação da CPMF na Casa em reunião com o presidente Lula
A decisão do plenário do Senado de rejeitar ontem à noite a medida provisória que criou a Secretaria de Planejamento de Longo Prazo contradisse o discurso entoado pelo ministro de Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia, durante a reunião da coordenação política. Em encontro realizado à tarde no Palácio do Planalto, Mares Guia afirmou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a colegas de ministério que a proposta de prorrogação da cobrança da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) será aprovada com tranqüilidade na Câmara e no Senado.
O resultado da votação da MP coloca em xeque tal análise. Primeiro, porque o governo só precisava de maioria para aprovar a medida, e não de três quintos dos 81 votos dos senadores, como no caso da proposta de emenda constitucional (PEC) da CPMF. Segundo, porque a bancada do PMDB, a maior da Casa, deixou claro para o Palácio do Planalto que está insatisfeita com a demora para o preenchimento de cargos estratégicos de segundo escalão.
O grupo ligado ao senador José Sarney (PMDB-AP) quer pressa na nomeação de apadrinhados para as presidências da Eletrobrás e da Eletronorte. Como teme perder postos para o PT, alerta desde já para a possibilidade de retaliação no caso do tributo. A mesma insatisfação provocou um princípio de rebelião na bancada do PMDB da Câmara, debelada depois de Mares Guia prometer, na terça-feira, que o grupo será contemplado no rateio de postos do setor energético.
Reivindicações
Os deputados peemedebistas querem emplacar João Augusto Fernandes e o ex-governador Paulo Afonso, respectivamente, na diretoria Internacional da Petrobras e na presidência da Eletrosul. A derrota do governo no Senado arranha um dos discursos prediletos de Mares Guia, segundo o qual o governo conseguiu aprovar este ano todas as matérias de seu interesse, mesmo com a chiadeira recorrente de aliados sobre cargos e emendas e a crise envolvendo o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).
Além disso, é um desfecho negativo num dia em que Mares Guia recebeu mais solidariedade do presidente e dos colegas de ministério. “O ministro tem a confiança do presidente da mesma forma que tinha antes desse episódio. Então, no que diz respeito ao presidente, a situação do ministro não se modificou”, declarou o porta-voz da Presidência, Marcelo Baumbach. Momentos depois, Lula brincou com Mares Guia logo na abertura da reunião da coordenação, lembrando que se recusou a responder a uma pergunta sobre a situação do auxiliar quando estava em Nova York.
No fim da reunião, Mares Guia agradeceu o apoio recebido. Conforme antecipado pelo Correio, o presidente decidiu mantê-lo no cargo mesmo que seja denunciado pelo Ministério Público Federal por envolvimento no esquema de caixa dois da campanha de Eduardo Azeredo (PSDB), em 1998, ao governo de Minas Gerais. “Sobre a questão do afastamento (de Mares Guia), eu apenas observo a vocês que o ministro Silas Rondeau não foi afastado do governo. Ele pediu demissão. Então, não existe analogia entre os dois casos.”
PT PEDE AGILIDADE
Causou desconforto no Palácio do Planalto a divulgação de uma nota no site do PT informando que a Executiva do partido havia decidido pedir agilidade ao Ministério Público na apuração do chamado valerioduto mineiro. A vice-presidente do PT, deputada Maria do Rosário (RS), no entanto, disse que o partido é independente do governo. “O problema do ministro Mares Guia é do governo e do presidente Lula”, observou.