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Publicado: 2/10/2007 | 08:56
Choque de servidores
Correio Braziliense
Presidente Lula defende os concursos públicos dizendo que haverá melhora da gestão com a contratação de “gente mais qualificada e mais bem remunerada” e considera infundada idéia de que são todos “marajás”
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu ontem às críticas de que estaria promovendo o inchaço da máquina pública. Ontem, ele disse que o governo federal vai continuar expandindo a contratação de novos servidores públicos. O choque de gestão do Estado, afirmou, terá que ser promovido com base na contratação de pessoal qualificado e bem remunerado. “É preciso parar com a mania de achar que contratar gente é inchaço da máquina”, disse o presidente. No passado recente, acusou, foi difundida a falsa idéia de que todo funcionário público é “marajá”.
De acordo com Lula, a iniciativa privada paga salários duas vezes maiores que os oferecidos pelo governo. “As pessoas passaram a idéia que é possível fazer um choque de gestão diminuindo o número de pessoas que trabalham, quando, na verdade, o choque de gestão vai ocorrer quando contratarmos gente mais qualificada e mais bem remunerada”, afirmou, durante inauguração do Centro de Produção de Antígenos Virais da Fundação Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro, junto com o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, e o presidente da instituição de pesquisa, Paulo Buss. O laboratório tem capacidade para produzir 100 milhões de doses de vacinas virais por ano. O investimento foi de R$ 55 milhões e o valor será recuperado com as economias geradas até 2010, quando o processo de transferência tecnológica estará concluído.
Em seu discurso, o presidente defendeu a criação de novos órgãos públicos e criticou o Senado por ter impedido a abertura da Secretaria de planejamento de Longo Prazo da Presidência da República, que seria chefiada pelo filósofo Mangabeira Unger. Criado por medida provisória, o órgão foi extinto na semana passada após o Senado, com a influência da bancada do PMDB, ter rejeitado a MP.
“Toda vez que se fala em fazer investimento em alguma coisa, em contratar funcionários, as pessoas têm uma predisposição de ser contra. Esses dias, o Senado, ainda não sei qual a razão, votou contra uma MP que mandamos, e o pretexto era que estava evitando que o governo contratasse mais cargos. Agora, ninguém atentou quantos professores deixaram de ser contratados para as universidades novas que estamos fazendo. Se quisermos fazer escolas técnicas e novas universidades e laboratórios, nós vamos ter que contratar mais gente”, afirmou Lula, arrancando aplausos de autoridades e servidores da Fiocruz.
Na visão do presidente, os concursos públicos servem para tirar o Brasil do atraso. O tema já havia sido objeto da fala do presidente durante seu programa semanal de rádio, Café com o presidente, ontem pela manhã. Lula afirmou que pretende encerrar seu governo, em 2010, tendo criado 10 universidades federais, 48 extensões universitárias e 214 escolas técnicas profissionalizantes. “Esses são números importantes porque são, na verdade, compromissos políticos, éticos e educacionais com a sociedade brasileira para ver se a gente recupera o tempo que ficamos sem fazer os investimentos adequados na área de educação”, afirmou. “Se a gente quiser tirar o atraso a que o Brasil é submetido vamos ter de contratar mais gente, ressaltou.
Em agosto, quando assumiu a presidência do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o economista Marcio Pochmann também defendeu a contratação de mais servidores públicos. Segundo ele, o Estado brasileiro é “raquítico”. Na ocasião, Pochmann apresentou dados mostrando que os servidores públicos representam hoje 8% da população ocupada do país, percentual que era de 12% no início dos anos 80. Segundo ele, nos países europeus esse índice é de 25%.
UTI
À tarde, durante discurso no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), onde assinou contratos de apoio financeiro a cooperativas de catadores de materiais recicláveis, o presidente Lula afirmou que o “país nunca esteve tão bem arrumado economicamente como está agora”. “Nós conseguimos arrumar esse país. A verdade é que qualquer economista de bom senso, com o mínimo de honradez, por mais oposição que faça ao governo, vai reconhecer que o país nunca esteve tão arrumado como está agora”, disse. Segundo ele, nas três últimas décadas o país foi governado como se estivesse na UTI. “Foram 30 anos de atrofiamento. Agora, ele está fazendo cooper na Avenida Atlântica. E precisa é de vitamina C”, comparou, numa referência à revitalização do governo.
MAIS VAGAS EM 2008
Ao longo dos quatro anos de seu primeiro mandato, o governo Lula contratou 187.764 novos servidores públicos, média de 128 funcionários por dia. De acordo com dados do Ministério do planejamento, de dezembro de 2002 ao mesmo mês de 2006, apenas o Executivo subiu de 809.975 para 997.739 servidores na ativa, uma expansão de 23,2%. Incluindo os poderes Legislativo e Judiciário, o Estado brasileiro chegou em dezembro passado a 1.116.002 servidores na ativa, 203.810 a mais do que em dezembro de 2002, quando estava em 912.192 — o menor contingente em 12 anos. A atual massa de funcionários é a maior desde 1995, quando os três poderes tinham 1.033.548 servidores. Desde então, o crescimento do quadro de pessoal foi de 8%. Somente em 2008 o governo pretende contratar, por concurso, mais 56 mil servidores. Apesar do aumento no número de funcionários, Lula enviou ao Congresso um projeto de lei que limita o crescimento da folha de pagamento da União em 1,5% ao ano acima da inflação. A proposta encontra forte resistência entre servidores e deputados da base governista.
Correio Braziliense
Presidente Lula defende os concursos públicos dizendo que haverá melhora da gestão com a contratação de “gente mais qualificada e mais bem remunerada” e considera infundada idéia de que são todos “marajás”
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu ontem às críticas de que estaria promovendo o inchaço da máquina pública. Ontem, ele disse que o governo federal vai continuar expandindo a contratação de novos servidores públicos. O choque de gestão do Estado, afirmou, terá que ser promovido com base na contratação de pessoal qualificado e bem remunerado. “É preciso parar com a mania de achar que contratar gente é inchaço da máquina”, disse o presidente. No passado recente, acusou, foi difundida a falsa idéia de que todo funcionário público é “marajá”.
De acordo com Lula, a iniciativa privada paga salários duas vezes maiores que os oferecidos pelo governo. “As pessoas passaram a idéia que é possível fazer um choque de gestão diminuindo o número de pessoas que trabalham, quando, na verdade, o choque de gestão vai ocorrer quando contratarmos gente mais qualificada e mais bem remunerada”, afirmou, durante inauguração do Centro de Produção de Antígenos Virais da Fundação Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro, junto com o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, e o presidente da instituição de pesquisa, Paulo Buss. O laboratório tem capacidade para produzir 100 milhões de doses de vacinas virais por ano. O investimento foi de R$ 55 milhões e o valor será recuperado com as economias geradas até 2010, quando o processo de transferência tecnológica estará concluído.
Em seu discurso, o presidente defendeu a criação de novos órgãos públicos e criticou o Senado por ter impedido a abertura da Secretaria de planejamento de Longo Prazo da Presidência da República, que seria chefiada pelo filósofo Mangabeira Unger. Criado por medida provisória, o órgão foi extinto na semana passada após o Senado, com a influência da bancada do PMDB, ter rejeitado a MP.
“Toda vez que se fala em fazer investimento em alguma coisa, em contratar funcionários, as pessoas têm uma predisposição de ser contra. Esses dias, o Senado, ainda não sei qual a razão, votou contra uma MP que mandamos, e o pretexto era que estava evitando que o governo contratasse mais cargos. Agora, ninguém atentou quantos professores deixaram de ser contratados para as universidades novas que estamos fazendo. Se quisermos fazer escolas técnicas e novas universidades e laboratórios, nós vamos ter que contratar mais gente”, afirmou Lula, arrancando aplausos de autoridades e servidores da Fiocruz.
Na visão do presidente, os concursos públicos servem para tirar o Brasil do atraso. O tema já havia sido objeto da fala do presidente durante seu programa semanal de rádio, Café com o presidente, ontem pela manhã. Lula afirmou que pretende encerrar seu governo, em 2010, tendo criado 10 universidades federais, 48 extensões universitárias e 214 escolas técnicas profissionalizantes. “Esses são números importantes porque são, na verdade, compromissos políticos, éticos e educacionais com a sociedade brasileira para ver se a gente recupera o tempo que ficamos sem fazer os investimentos adequados na área de educação”, afirmou. “Se a gente quiser tirar o atraso a que o Brasil é submetido vamos ter de contratar mais gente, ressaltou.
Em agosto, quando assumiu a presidência do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o economista Marcio Pochmann também defendeu a contratação de mais servidores públicos. Segundo ele, o Estado brasileiro é “raquítico”. Na ocasião, Pochmann apresentou dados mostrando que os servidores públicos representam hoje 8% da população ocupada do país, percentual que era de 12% no início dos anos 80. Segundo ele, nos países europeus esse índice é de 25%.
UTI
À tarde, durante discurso no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), onde assinou contratos de apoio financeiro a cooperativas de catadores de materiais recicláveis, o presidente Lula afirmou que o “país nunca esteve tão bem arrumado economicamente como está agora”. “Nós conseguimos arrumar esse país. A verdade é que qualquer economista de bom senso, com o mínimo de honradez, por mais oposição que faça ao governo, vai reconhecer que o país nunca esteve tão arrumado como está agora”, disse. Segundo ele, nas três últimas décadas o país foi governado como se estivesse na UTI. “Foram 30 anos de atrofiamento. Agora, ele está fazendo cooper na Avenida Atlântica. E precisa é de vitamina C”, comparou, numa referência à revitalização do governo.
MAIS VAGAS EM 2008
Ao longo dos quatro anos de seu primeiro mandato, o governo Lula contratou 187.764 novos servidores públicos, média de 128 funcionários por dia. De acordo com dados do Ministério do planejamento, de dezembro de 2002 ao mesmo mês de 2006, apenas o Executivo subiu de 809.975 para 997.739 servidores na ativa, uma expansão de 23,2%. Incluindo os poderes Legislativo e Judiciário, o Estado brasileiro chegou em dezembro passado a 1.116.002 servidores na ativa, 203.810 a mais do que em dezembro de 2002, quando estava em 912.192 — o menor contingente em 12 anos. A atual massa de funcionários é a maior desde 1995, quando os três poderes tinham 1.033.548 servidores. Desde então, o crescimento do quadro de pessoal foi de 8%. Somente em 2008 o governo pretende contratar, por concurso, mais 56 mil servidores. Apesar do aumento no número de funcionários, Lula enviou ao Congresso um projeto de lei que limita o crescimento da folha de pagamento da União em 1,5% ao ano acima da inflação. A proposta encontra forte resistência entre servidores e deputados da base governista.