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Publicado: 3/10/2007 | 09:19
Aliados evitam tratar de cargos no Planalto
Daniel Pereira
Correio Braziliense
Correio Braziliense
Em reunião, presidente ouve do líder do PMDB que MP caiu por falta de esclarecimentos. Governo se compromete a negociar textos
Os líderes de partidos governistas afinaram. Na reunião do chamado conselho político, ontem, no Palácio do Planalto, não pediram ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva pressa no preenchimento de cargos de segundo e terceiro escalões, como têm feito ao ministro de Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia. Além disso, assumiram o compromisso de votar o mais rapidamente possível a proposta de prorrogação da cobrança da CPMF até 2011, mesmo sem ter ouvido qualquer promessa de compensação.
Não fosse a iniciativa do anfitrião, o tema cargos sequer seria mencionado. “Não existe demanda de nenhum senador sobre a minha mesa”, desafiou Lula, conforme relato do líder do PTB na Câmara, Jovair Arantes (GO). O líder do PMDB no Senado, Valdir Raupp (RO), acusou o golpe. Depois de pedir a palavra, afirmou que a rebelião de sua bancada na semana passada, que contribuiu para a rejeição da medida provisória (MP) que criava a Secretaria de Planejamento de Longo Prazo, não decorreu de insatisfação com a demora para o rateio de postos na máquina pública.
Segundo Raupp, a maioria dos senadores do PMDB votou contra a MP porque o governo editou o texto sem consultá-los e não esclareceu o grupo sobre a relevância da iniciativa. O líder chegou a reclamar do titular da secretaria, Mangabeira Unger, que jamais teria procurado a bancada para prestar esclarecimentos. Como parte do esforço para afastar a acusação de que agiu de olho em cargos, Raupp ainda elogiou a iniciativa do presidente de discutir no conselho a MP que criará a TV Pública antes de enviá-la à Câmara (leia mais na página 5).
Apesar de deixar claro que não gostou de ser surpreendido, o presidente não quis alimentar a polêmica. Segundo participantes da reunião, Lula declarou que a rebelião não representa fissura na coalizão e ratificou a disposição de discutir com o conselho as medidas provisórias potencialmente polêmicas antes de editá-las. Além disso, reconheceu a necessidade de melhorar o diálogo com o Congresso. “A relação tem que ser de confiança mútua”, afirmou o presidente, de acordo com o deputado Henrique Fontana (RS), vice-líder do governo na Câmara.
A bancada do PMDB no Senado trabalha para garantir o retorno de Silas Rondeau ao comando do Ministério de Minas e Energia e para emplacar apadrinhados nas presidências da Eletrobrás e da Eletronorte. “Não há faca no pescoço do presidente”, desconversou Raupp. Já a bancada do PMDB na Câmara quer o controle da diretoria Internacional da Petrobras e a presidência da Eletrosul. O PP luta para manter Paulo Roberto Costa na diretoria de Abastecimento da Petrobras.
O PR, por sua vez, pressiona para ficar com superintendências do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit) em Alagoas, Santa Catarina e São Paulo. O líder do governo na Câmara, José Múcio Monteiro (PTB-PE), admite que há pressão sobre o governo porque os líderes vêem na proposta da CPMF a última chance de arrancar benefícios em troca de votos. Ontem, Múcio reconheceu que a chiadeira por cargos não chegou aos ouvidos de Lula. “Ninguém falou, ninguém tratou e ninguém mencionou.”
JANTAR NO ALVORADA
Os líderes dos partidos aliados na Câmara, que se reuniram de manhã com o presidente Lula no Conselho Político, participaram à noite de um jantar no Palácio da Alvorada. Estava prevista a participação de 17 convidados. Até as 22h30, haviam chegado 13 deputados e a líder do governo no Congresso, senadora Roseana Sarney (PMDB-MA). Com o encontro, o presidente pretendia superar as insatisfações na base aliada devido ao preenchimento de cargos no segundo e terceiro escalões e garantir a aprovação da CPMF. A prorrogação do tributo já foi votada em primeiro turno, mas ainda resta o segundo turno.
Daniel Pereira
Correio Braziliense
Correio Braziliense
Em reunião, presidente ouve do líder do PMDB que MP caiu por falta de esclarecimentos. Governo se compromete a negociar textos
Os líderes de partidos governistas afinaram. Na reunião do chamado conselho político, ontem, no Palácio do Planalto, não pediram ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva pressa no preenchimento de cargos de segundo e terceiro escalões, como têm feito ao ministro de Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia. Além disso, assumiram o compromisso de votar o mais rapidamente possível a proposta de prorrogação da cobrança da CPMF até 2011, mesmo sem ter ouvido qualquer promessa de compensação.
Não fosse a iniciativa do anfitrião, o tema cargos sequer seria mencionado. “Não existe demanda de nenhum senador sobre a minha mesa”, desafiou Lula, conforme relato do líder do PTB na Câmara, Jovair Arantes (GO). O líder do PMDB no Senado, Valdir Raupp (RO), acusou o golpe. Depois de pedir a palavra, afirmou que a rebelião de sua bancada na semana passada, que contribuiu para a rejeição da medida provisória (MP) que criava a Secretaria de Planejamento de Longo Prazo, não decorreu de insatisfação com a demora para o rateio de postos na máquina pública.
Segundo Raupp, a maioria dos senadores do PMDB votou contra a MP porque o governo editou o texto sem consultá-los e não esclareceu o grupo sobre a relevância da iniciativa. O líder chegou a reclamar do titular da secretaria, Mangabeira Unger, que jamais teria procurado a bancada para prestar esclarecimentos. Como parte do esforço para afastar a acusação de que agiu de olho em cargos, Raupp ainda elogiou a iniciativa do presidente de discutir no conselho a MP que criará a TV Pública antes de enviá-la à Câmara (leia mais na página 5).
Apesar de deixar claro que não gostou de ser surpreendido, o presidente não quis alimentar a polêmica. Segundo participantes da reunião, Lula declarou que a rebelião não representa fissura na coalizão e ratificou a disposição de discutir com o conselho as medidas provisórias potencialmente polêmicas antes de editá-las. Além disso, reconheceu a necessidade de melhorar o diálogo com o Congresso. “A relação tem que ser de confiança mútua”, afirmou o presidente, de acordo com o deputado Henrique Fontana (RS), vice-líder do governo na Câmara.
A bancada do PMDB no Senado trabalha para garantir o retorno de Silas Rondeau ao comando do Ministério de Minas e Energia e para emplacar apadrinhados nas presidências da Eletrobrás e da Eletronorte. “Não há faca no pescoço do presidente”, desconversou Raupp. Já a bancada do PMDB na Câmara quer o controle da diretoria Internacional da Petrobras e a presidência da Eletrosul. O PP luta para manter Paulo Roberto Costa na diretoria de Abastecimento da Petrobras.
O PR, por sua vez, pressiona para ficar com superintendências do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit) em Alagoas, Santa Catarina e São Paulo. O líder do governo na Câmara, José Múcio Monteiro (PTB-PE), admite que há pressão sobre o governo porque os líderes vêem na proposta da CPMF a última chance de arrancar benefícios em troca de votos. Ontem, Múcio reconheceu que a chiadeira por cargos não chegou aos ouvidos de Lula. “Ninguém falou, ninguém tratou e ninguém mencionou.”
JANTAR NO ALVORADA
Os líderes dos partidos aliados na Câmara, que se reuniram de manhã com o presidente Lula no Conselho Político, participaram à noite de um jantar no Palácio da Alvorada. Estava prevista a participação de 17 convidados. Até as 22h30, haviam chegado 13 deputados e a líder do governo no Congresso, senadora Roseana Sarney (PMDB-MA). Com o encontro, o presidente pretendia superar as insatisfações na base aliada devido ao preenchimento de cargos no segundo e terceiro escalões e garantir a aprovação da CPMF. A prorrogação do tributo já foi votada em primeiro turno, mas ainda resta o segundo turno.