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Publicado: 24/01/2008 | 09:38
Hora de parar a ?enrolação?
Leandro Colon, Daniel Pereira e Gustavo Krieger
Correio Braziliense
Correio Braziliense
Pedido dos líderes da base aliada é para o governo ser mais ágil no atendimento das reivindicações dos parlamentares em relação a emendas e cargos
O governo tem que parar de enrolar os parlamentares. Esse foi o apelo feito pelos líderes na reunião ministerial de ontem. O termo “enrolaçao” foi usado, por exemplo, por Romero Jucá (PMDB-RR), que comanda a tropa governista no Senado. Já Henrique Fontana (PT-RS), líder na Câmara, foi mais comedido, mas também pediu agilidade no atendimento das reivindicações de deputados em relação a emendas e cargos. A demora para resolver pendências, segundo eles, dificulta as votações de projetos considerados prioritários pelo governo.
Jucá lembrou as complicações na votação que derrubou a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) no ano passado. Argumentou que os ministros precisam tratar os senadores como uma instituição, dar uma atenção especial, diferenciada. E ressaltou que o governo tem uma margem apertada sobre a oposição no Senado. De 81 senadores, 53 são de legendas governistas. Destes, só 45 votaram a favor da prorrogação do imposto do cheque, quatro a menos do que o mínimo necessário para aprovar uma emenda constitucional. “Embora a CPMF seja matéria vencida, a derrota foi pedagógica. Perdemos no Senado porque houve descaso em relação a demandas importantes”, disse o ministro de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro.
Os dois líderes reclamaram ainda do desgaste criado diariamente com a falta de sintonia entre ministérios e a articulação política: o que é acertado no Palácio do Planalto nem sempre é cumprido pelo titular de determinada pasta. Isso se reflete em votos contrários ao governo, alegaram Jucá e Fontana. O discurso deles, assim como o do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, visa a fortalecer José Múcio, que, desde a posse no ministério em dezembro, enfrenta dificuldade para ser a ponte entre ministérios e parlamentares. Em coro com Lula, os líderes querem concentrar os pedidos parlamentares nas mãos de Múcio e evitar o boicote de ministros. “Ao concentrar as informações, o Múcio poderá operar melhor o processo político”, declarou Jucá.
Depois de perder a CPMF, o governo sabe que precisará se recompor no Senado este ano para tentar aprovar a reforma tributária e garantir o Orçamento de 2008 até o fim de fevereiro. Na Câmara, a situação é mais tranqüila. O Palácio do Planalto tem uma maioria relativamente folgada em relação à oposição. Mesmo assim, Fontana alertou para que o governo fortaleça a relação com os comandos partidários, com o objetivo de garantir os votos em plenário. “Reforcei que temos que manter a harmonia com a base e olhar para frente”, afirmou.
Orçamento
Na reunião ministerial, os líderes ouviram do presidente Lula que toda a base de apoio terá que colaborar no corte de R$ 20 bilhões no Orçamento previsto para compensar parte dos R$ 40 bilhões perdidos com o fim da CPMF. O presidente sinalizou que o governo não cogita diminuir esses cortes. A resposta de Jucá e Fontana foi a seguinte: esse “apoio” existirá sem feridas desde que os ministros colaborem. “É fundamental que os cortes tenham um detalhe cirúrgico”, disse Fontana.
Para melhorar o clima no Congresso, Lula sugeriu ainda uma reunião quinzenal entre ele, os presidentes dos partidos aliados e um ministro de cada legenda governista. Com isso, quer estreitar a relação e impedir o esvaziamento das negociações políticas entre parlamentares e Esplanada dos Ministérios. O PR, por exemplo, é um dos alvos de Lula. O presidente até hoje não engoliu os votos dos senadores César Borges (PR-BA) e Expedito Júnior (PR-RO) contra a CPMF, sendo que o partido ocupa o Ministério dos Transportes com Alfredo Nascimento.
Embora a CPMF seja matéria vencida, a derrota foi pedagógica. Perdemos no Senado porque houve descaso em relação a demandas importantes
José Múcio Monteiro, ministro de Relações Institucionais
personagem da notícia
Mais credibilidade para Múcio
A reunião ministerial realizada no Palácio do Planalto serviu de alento para o ministro de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro. Deu-lhe musculatura política, sobretudo depois que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mandou seus auxiliares ajudarem-no na tarefa de reorganizar a base aliada. Com a ordem de Lula, Múcio ganha credibilidade para negociar com ministros e parlamentares. Uma credencial que lhe faltava, segundo representantes dos dois grupos.
Logo depois do anúncio das medidas para compensar o fim da CPMF, ministros criticaram Múcio, em conversas reservadas, por ter discordado da decisão do governo de aumentar dois tributos (IOF e CSLL) sem negociar antes a iniciativa com o Congresso. Chegaram a afirmar que ele não teria vida longa no Executivo se não aprendesse uma lição básica: o presidente da República está sempre certo. Já os congressistas, pegos de surpresa pelo pacote, declararam que o ministro não tinha mais legitimidade para negociar com Câmara e Senado.
Chateado com as críticas, algumas de caráter pessoal, e incomodado com a dificuldade para resolver problemas de sua responsabilidade, Múcio resolveu pedir ajuda ao presidente. Foi atendido. No Palácio do Planalto, a dúvida é se o apoio de Lula é um sinal de força do ministro ou um atestado de sua incapacidade para tocar, sozinho, a coordenação política do governo.
Leandro Colon, Daniel Pereira e Gustavo Krieger
Correio Braziliense
Correio Braziliense
Pedido dos líderes da base aliada é para o governo ser mais ágil no atendimento das reivindicações dos parlamentares em relação a emendas e cargos
O governo tem que parar de enrolar os parlamentares. Esse foi o apelo feito pelos líderes na reunião ministerial de ontem. O termo “enrolaçao” foi usado, por exemplo, por Romero Jucá (PMDB-RR), que comanda a tropa governista no Senado. Já Henrique Fontana (PT-RS), líder na Câmara, foi mais comedido, mas também pediu agilidade no atendimento das reivindicações de deputados em relação a emendas e cargos. A demora para resolver pendências, segundo eles, dificulta as votações de projetos considerados prioritários pelo governo.
Jucá lembrou as complicações na votação que derrubou a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) no ano passado. Argumentou que os ministros precisam tratar os senadores como uma instituição, dar uma atenção especial, diferenciada. E ressaltou que o governo tem uma margem apertada sobre a oposição no Senado. De 81 senadores, 53 são de legendas governistas. Destes, só 45 votaram a favor da prorrogação do imposto do cheque, quatro a menos do que o mínimo necessário para aprovar uma emenda constitucional. “Embora a CPMF seja matéria vencida, a derrota foi pedagógica. Perdemos no Senado porque houve descaso em relação a demandas importantes”, disse o ministro de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro.
Os dois líderes reclamaram ainda do desgaste criado diariamente com a falta de sintonia entre ministérios e a articulação política: o que é acertado no Palácio do Planalto nem sempre é cumprido pelo titular de determinada pasta. Isso se reflete em votos contrários ao governo, alegaram Jucá e Fontana. O discurso deles, assim como o do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, visa a fortalecer José Múcio, que, desde a posse no ministério em dezembro, enfrenta dificuldade para ser a ponte entre ministérios e parlamentares. Em coro com Lula, os líderes querem concentrar os pedidos parlamentares nas mãos de Múcio e evitar o boicote de ministros. “Ao concentrar as informações, o Múcio poderá operar melhor o processo político”, declarou Jucá.
Depois de perder a CPMF, o governo sabe que precisará se recompor no Senado este ano para tentar aprovar a reforma tributária e garantir o Orçamento de 2008 até o fim de fevereiro. Na Câmara, a situação é mais tranqüila. O Palácio do Planalto tem uma maioria relativamente folgada em relação à oposição. Mesmo assim, Fontana alertou para que o governo fortaleça a relação com os comandos partidários, com o objetivo de garantir os votos em plenário. “Reforcei que temos que manter a harmonia com a base e olhar para frente”, afirmou.
Orçamento
Na reunião ministerial, os líderes ouviram do presidente Lula que toda a base de apoio terá que colaborar no corte de R$ 20 bilhões no Orçamento previsto para compensar parte dos R$ 40 bilhões perdidos com o fim da CPMF. O presidente sinalizou que o governo não cogita diminuir esses cortes. A resposta de Jucá e Fontana foi a seguinte: esse “apoio” existirá sem feridas desde que os ministros colaborem. “É fundamental que os cortes tenham um detalhe cirúrgico”, disse Fontana.
Para melhorar o clima no Congresso, Lula sugeriu ainda uma reunião quinzenal entre ele, os presidentes dos partidos aliados e um ministro de cada legenda governista. Com isso, quer estreitar a relação e impedir o esvaziamento das negociações políticas entre parlamentares e Esplanada dos Ministérios. O PR, por exemplo, é um dos alvos de Lula. O presidente até hoje não engoliu os votos dos senadores César Borges (PR-BA) e Expedito Júnior (PR-RO) contra a CPMF, sendo que o partido ocupa o Ministério dos Transportes com Alfredo Nascimento.
Embora a CPMF seja matéria vencida, a derrota foi pedagógica. Perdemos no Senado porque houve descaso em relação a demandas importantes
José Múcio Monteiro, ministro de Relações Institucionais
personagem da notícia
Mais credibilidade para Múcio
A reunião ministerial realizada no Palácio do Planalto serviu de alento para o ministro de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro. Deu-lhe musculatura política, sobretudo depois que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mandou seus auxiliares ajudarem-no na tarefa de reorganizar a base aliada. Com a ordem de Lula, Múcio ganha credibilidade para negociar com ministros e parlamentares. Uma credencial que lhe faltava, segundo representantes dos dois grupos.
Logo depois do anúncio das medidas para compensar o fim da CPMF, ministros criticaram Múcio, em conversas reservadas, por ter discordado da decisão do governo de aumentar dois tributos (IOF e CSLL) sem negociar antes a iniciativa com o Congresso. Chegaram a afirmar que ele não teria vida longa no Executivo se não aprendesse uma lição básica: o presidente da República está sempre certo. Já os congressistas, pegos de surpresa pelo pacote, declararam que o ministro não tinha mais legitimidade para negociar com Câmara e Senado.
Chateado com as críticas, algumas de caráter pessoal, e incomodado com a dificuldade para resolver problemas de sua responsabilidade, Múcio resolveu pedir ajuda ao presidente. Foi atendido. No Palácio do Planalto, a dúvida é se o apoio de Lula é um sinal de força do ministro ou um atestado de sua incapacidade para tocar, sozinho, a coordenação política do governo.