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Publicado: 17/10/2007 | 10:34
Lula arbitra sucessão de Renan
Fernando Exman
Jornal do Brasil
Jornal do Brasil
A presidência do Senado, em caso de renúncia de Renan Calheiros, deve continuar em poder do PMDB, segundo o presidente Lula. A afirmação prejudica a campanha do senador Tião Viana, do PT, para o cargo.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva mandou ontem, durante périplo a países africanos, um recado nada velado ao PT. Em Brazaville, República do Congo, deu a entender que a presidência do Senado deve permanecer sob o controle do PMDB.
A lógica do Congresso é que, quando um partido tem a presidência da Câmara, outro tem a presidência do Senado - declarou o presidente quando perguntado sobre a provável sucessão de Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente licenciado do Senado. - O problema surgiu dentro do Senado e a solução virá de dentro do Senado.
O PT já detém a presidência da Câmara. Apesar de ainda não ter anunciado, Renan Calheiros já disse a amigos que decidiu deixar o cargo - conforme antecipado ontem por este jornal. Na quinta-feira, o parlamentar licenciou-se da presidência do Senado por 45 dias. O presidente interino da Casa, senador Tião Viana (PT-AC), nega, mas pretende se cacifar durante esse período para ser visto como uma opção para ocupar de forma permanente a vaga mais poderosa do Poder Legislativo.
Eu não sou candidato em hipótese alguma. Só tenho que pensar nesse mandado tampão - desconversou ontem o petista.
Tião é bem visto pelos oposicionistas. Senadores do PSDB e do DEM dizem que, caso o PMDB queira emplacar um candidato que não tenha boas relações com todas as alas da Casa, o petista poderia permanecer definitivamente na cadeira que hoje ocupa de forma interina. O PSDB veta, por exemplo, os nomes de José Sarney (PMDB-AP) e Roseana Sarney (PMDB-MA).
Preocupados com o exíguo prazo para aprovar a proposta de emenda constitucional que prorroga a cobrança da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) até 2011, os governistas tentam adiar o debate sobre a sucessão. Se o projeto não for aprovado neste ano, a prorrogação da CPMF só poderá ocorrer a partir do segundo trimestre do ano que vem. A expectativa do governo é arrecadar cerca de R$ 40 bilhões por ano por meio do imposto. Sem a CPMF, o Executivo deixaria de obter aproximadamente R$ 10 bilhões nos três primeiros meses do ano que vem.
Essa discussão só atrapalha. A prioridade é fazer a Casa andar - ressaltou a líder do PT, Ideli Salvatti (SC). - Qualquer comentário ou especulação só atrapalha e contamina.
O PMDB, que por ter a maior bancada da Casa tem o direito a ocupar a presidência, também não quer discutir o assunto para não contrariar Renan. Sabe, no entanto, que Viana será o maior beneficiário da protelação da eleição.
Hoje, o senador peemedebista com melhor trânsito na oposição é Garibaldi Alves Filho (RN). Por ter sido relator da CPI dos Bingos, Garibaldi enfrenta restrições do PT. A principal vítima da comissão - apelidada de CPI do Fim do Mundo - foi o ex-ministro da Fazenda e deputado federal Antonio Palocci (PT-SP). Receoso de ter o nome queimado antes da eleição, Garibaldi nega ser pré-candidato.
A cadeira de presidente do Senado não está desocupada.
Desde o início da crise, Gerson Camata (PMDB-ES) é um dos cotados para substituir Renan. Outra solução para a crise seria a "saída ética". Neste caso, o independente Pedro Simon (PMDB-RS) seria o escolhido para comandar o Congresso.
Outros parlamentares também citam a chamada "saída Tebet". Em 2001, o ex-senador Ramez Tebet (PMDB-MS) - falecido em novembro passado - deixou o ministério da Integração Nacional para ocupar a presidência do Senado, que ficara vaga com a renúncia do atual deputado Jader Barbalho (PMDB-PA).
A "saída Tebet", entretanto, não deve prosperar. A oposição não aceitaria que o ministro das Comunicações, Hélio Costa, voltasse ao Senado para presidir a Casa. Costa é senador licenciado pelo PMDB mineiro.
O ministério é do PMDB do Senado. Quem vai ocupar se o Hélio Costa sair? Não adianta solucionar um problema e criar outro - ponderou o líder do PMDB, Valdir Raupp.
Fernando Exman
Jornal do Brasil
Jornal do Brasil
A presidência do Senado, em caso de renúncia de Renan Calheiros, deve continuar em poder do PMDB, segundo o presidente Lula. A afirmação prejudica a campanha do senador Tião Viana, do PT, para o cargo.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva mandou ontem, durante périplo a países africanos, um recado nada velado ao PT. Em Brazaville, República do Congo, deu a entender que a presidência do Senado deve permanecer sob o controle do PMDB.
A lógica do Congresso é que, quando um partido tem a presidência da Câmara, outro tem a presidência do Senado - declarou o presidente quando perguntado sobre a provável sucessão de Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente licenciado do Senado. - O problema surgiu dentro do Senado e a solução virá de dentro do Senado.
O PT já detém a presidência da Câmara. Apesar de ainda não ter anunciado, Renan Calheiros já disse a amigos que decidiu deixar o cargo - conforme antecipado ontem por este jornal. Na quinta-feira, o parlamentar licenciou-se da presidência do Senado por 45 dias. O presidente interino da Casa, senador Tião Viana (PT-AC), nega, mas pretende se cacifar durante esse período para ser visto como uma opção para ocupar de forma permanente a vaga mais poderosa do Poder Legislativo.
Eu não sou candidato em hipótese alguma. Só tenho que pensar nesse mandado tampão - desconversou ontem o petista.
Tião é bem visto pelos oposicionistas. Senadores do PSDB e do DEM dizem que, caso o PMDB queira emplacar um candidato que não tenha boas relações com todas as alas da Casa, o petista poderia permanecer definitivamente na cadeira que hoje ocupa de forma interina. O PSDB veta, por exemplo, os nomes de José Sarney (PMDB-AP) e Roseana Sarney (PMDB-MA).
Preocupados com o exíguo prazo para aprovar a proposta de emenda constitucional que prorroga a cobrança da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) até 2011, os governistas tentam adiar o debate sobre a sucessão. Se o projeto não for aprovado neste ano, a prorrogação da CPMF só poderá ocorrer a partir do segundo trimestre do ano que vem. A expectativa do governo é arrecadar cerca de R$ 40 bilhões por ano por meio do imposto. Sem a CPMF, o Executivo deixaria de obter aproximadamente R$ 10 bilhões nos três primeiros meses do ano que vem.
Essa discussão só atrapalha. A prioridade é fazer a Casa andar - ressaltou a líder do PT, Ideli Salvatti (SC). - Qualquer comentário ou especulação só atrapalha e contamina.
O PMDB, que por ter a maior bancada da Casa tem o direito a ocupar a presidência, também não quer discutir o assunto para não contrariar Renan. Sabe, no entanto, que Viana será o maior beneficiário da protelação da eleição.
Hoje, o senador peemedebista com melhor trânsito na oposição é Garibaldi Alves Filho (RN). Por ter sido relator da CPI dos Bingos, Garibaldi enfrenta restrições do PT. A principal vítima da comissão - apelidada de CPI do Fim do Mundo - foi o ex-ministro da Fazenda e deputado federal Antonio Palocci (PT-SP). Receoso de ter o nome queimado antes da eleição, Garibaldi nega ser pré-candidato.
A cadeira de presidente do Senado não está desocupada.
Desde o início da crise, Gerson Camata (PMDB-ES) é um dos cotados para substituir Renan. Outra solução para a crise seria a "saída ética". Neste caso, o independente Pedro Simon (PMDB-RS) seria o escolhido para comandar o Congresso.
Outros parlamentares também citam a chamada "saída Tebet". Em 2001, o ex-senador Ramez Tebet (PMDB-MS) - falecido em novembro passado - deixou o ministério da Integração Nacional para ocupar a presidência do Senado, que ficara vaga com a renúncia do atual deputado Jader Barbalho (PMDB-PA).
A "saída Tebet", entretanto, não deve prosperar. A oposição não aceitaria que o ministro das Comunicações, Hélio Costa, voltasse ao Senado para presidir a Casa. Costa é senador licenciado pelo PMDB mineiro.
O ministério é do PMDB do Senado. Quem vai ocupar se o Hélio Costa sair? Não adianta solucionar um problema e criar outro - ponderou o líder do PMDB, Valdir Raupp.