antigas
Publicado: 6/11/2007 | 08:56
Pela CPMF, governo engaveta Lula 2010
Daniel Pereira e Leandro Colon
Correio Braziliense
Correio Braziliense
Líder do governo no Senado, Romero Jucá garante em plenário que não há qualquer movimento do Palácio do Planalto a favor de um terceiro mandato para o presidente Lula
Para evitar o risco de não aprovar no Senado a prorrogação da cobrança da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) até 2011, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ministros e líderes governistas saíram ontem a campo para condenar a possibilidade de o Congresso mudar a Constituição a fim de garantir a Lula o direito de concorrer novamente em 2010.
Da tribuna do Senado, o líder do governo na Casa, Romero Jucá (PMDB-RR), garantiu que não há qualquer movimento do Palácio do Planalto a favor de um terceiro mandato para Lula. “Estamos lutando hoje para ter os 49 votos para a renovação da CPMF, que é instrumento financeiro para atender à saúde e aos programas sociais. Será que o Senado aprovaria isso se houvesse intenção do governo de mudar a regra política do jogo? Com certeza não”, disse Jucá.
O gesto do líder do governo ocorreu logo depois de uma reunião entre ele e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, para discutir a proposta que será entregue hoje ao PSDB para que o partido vote a favor da CPMF (leia mais na página 3).
Um discurso que, segundo o próprio senador, foi necessário para “marcar a posição” do governo nessa polêmica. “Quero falar aqui hoje como líder do governo para reafirmar que não procede a posição do governo, não procede a intenção do presidente, não é decisão do governo de buscar a mudança constitucional para fazer qualquer tipo de manobra que permita que se faça mais de uma reeleição”, disse Jucá.
Cogitada por deputados governistas, a hipótese do terceiro mandato desagrada aos tucanos, que cobraram do presidente manifestações públicas de repúdio à idéia, sob pena de abandonarem as negociações sobre a CPMF. Ontem, depois de cerimônia no Palácio do Planalto, Lula classificou de “insensatez” a proposta de ampliação do direito à reeleição, tirada da gaveta pelo deputado petista Devanir Ribeiro (SP), de quem o presidente é amigo.
“O Brasil não pode brincar com uma coisa chamada democracia. Nós demoramos muito e muita gente sofreu para que a gente consolidasse a nossa democracia”, afirmou o presidente. “Eu era contra a reeleição de um mandato. Por que seria favorável à reeleição de um outro mandato? É insensato qualquer pessoa ficar discutindo a possibilidade de um terceiro mandato.”
Lula prometeu cobrar do presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), que o partido enquadre Devanir Ribeiro e sepulte a discussão em curso. Acrescentou que falar em eleição hoje só interessa à oposição. E foi irônico ao responder sobre o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que patrocina alterações sucessivas na Constituição daquele país para se perpetuar no poder.
“É engraçado porque eu já vi a Margareth Tatcher ser tantas vezes reeleita primeira-ministra (Grã-Bretanha, 1979 a 1990), já vi o Helmut Kohl (Alemanha, 1982 a 1984) ficar tanto tempo, e eu nunca vi ninguém perguntar se vários mandatos sucessivos eram ruins”, declarou o presidente. Auxiliares reforçaram o coro. O ministro de Comunicação Social, Franklin Martins, por exemplo, disse que Lula já teria deixado claro “n vezes” ser contrário à idéia de re-reeleição. “É contra do ponto de vista político e programático. O presidente já afirmou que no dia primeiro de janeiro de 2011 passará a faixa para o seu sucessor. Agora, ele não abre mão do direito de tentar fazer o sucessor”, declarou Martins.
Daniel Pereira e Leandro Colon
Correio Braziliense
Correio Braziliense
Líder do governo no Senado, Romero Jucá garante em plenário que não há qualquer movimento do Palácio do Planalto a favor de um terceiro mandato para o presidente Lula
Para evitar o risco de não aprovar no Senado a prorrogação da cobrança da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) até 2011, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ministros e líderes governistas saíram ontem a campo para condenar a possibilidade de o Congresso mudar a Constituição a fim de garantir a Lula o direito de concorrer novamente em 2010.
Da tribuna do Senado, o líder do governo na Casa, Romero Jucá (PMDB-RR), garantiu que não há qualquer movimento do Palácio do Planalto a favor de um terceiro mandato para Lula. “Estamos lutando hoje para ter os 49 votos para a renovação da CPMF, que é instrumento financeiro para atender à saúde e aos programas sociais. Será que o Senado aprovaria isso se houvesse intenção do governo de mudar a regra política do jogo? Com certeza não”, disse Jucá.
O gesto do líder do governo ocorreu logo depois de uma reunião entre ele e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, para discutir a proposta que será entregue hoje ao PSDB para que o partido vote a favor da CPMF (leia mais na página 3).
Um discurso que, segundo o próprio senador, foi necessário para “marcar a posição” do governo nessa polêmica. “Quero falar aqui hoje como líder do governo para reafirmar que não procede a posição do governo, não procede a intenção do presidente, não é decisão do governo de buscar a mudança constitucional para fazer qualquer tipo de manobra que permita que se faça mais de uma reeleição”, disse Jucá.
Cogitada por deputados governistas, a hipótese do terceiro mandato desagrada aos tucanos, que cobraram do presidente manifestações públicas de repúdio à idéia, sob pena de abandonarem as negociações sobre a CPMF. Ontem, depois de cerimônia no Palácio do Planalto, Lula classificou de “insensatez” a proposta de ampliação do direito à reeleição, tirada da gaveta pelo deputado petista Devanir Ribeiro (SP), de quem o presidente é amigo.
“O Brasil não pode brincar com uma coisa chamada democracia. Nós demoramos muito e muita gente sofreu para que a gente consolidasse a nossa democracia”, afirmou o presidente. “Eu era contra a reeleição de um mandato. Por que seria favorável à reeleição de um outro mandato? É insensato qualquer pessoa ficar discutindo a possibilidade de um terceiro mandato.”
Lula prometeu cobrar do presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), que o partido enquadre Devanir Ribeiro e sepulte a discussão em curso. Acrescentou que falar em eleição hoje só interessa à oposição. E foi irônico ao responder sobre o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que patrocina alterações sucessivas na Constituição daquele país para se perpetuar no poder.
“É engraçado porque eu já vi a Margareth Tatcher ser tantas vezes reeleita primeira-ministra (Grã-Bretanha, 1979 a 1990), já vi o Helmut Kohl (Alemanha, 1982 a 1984) ficar tanto tempo, e eu nunca vi ninguém perguntar se vários mandatos sucessivos eram ruins”, declarou o presidente. Auxiliares reforçaram o coro. O ministro de Comunicação Social, Franklin Martins, por exemplo, disse que Lula já teria deixado claro “n vezes” ser contrário à idéia de re-reeleição. “É contra do ponto de vista político e programático. O presidente já afirmou que no dia primeiro de janeiro de 2011 passará a faixa para o seu sucessor. Agora, ele não abre mão do direito de tentar fazer o sucessor”, declarou Martins.