antigas Publicado: 19/11/2007 | 08:54

Petistas em pé-de-guerra

Fernanda Odilla
Correio Braziliense

Com muitos postulantes às prefeituras e pouco consenso, Executiva Nacional do PT vem recebendo pedidos para fazer prévias. Neste ano, a seleção dos nomes do partido só pode ocorrer até o próximo dia 25

Começou a temporada de prévias no PT para a escolha dos candidatos a prefeitos. Sobre a mesa do secretário nacional de organização da legenda, Romênio Pereira, estão pedidos de petistas de Ilhéus (BA), Búzios (RJ), Cascavel (PR), Cidade Ocidental (GO) e de pelo menos outras 10 cidades onde o consenso não foi possível. O PT só libera as prévias se dois terços do diretório local assinarem a solicitação. Porto Alegre, por exemplo, não conseguiu antecipar a disputa entre a deputada federal Maria do Rosário e o ex-ministro Miguel Rosseto, porque apenas uma minoria do PT gaúcho queria o embate interno neste ano.

Com muitos postulantes e pouco consenso, diretórios municipais do partido em todo país têm encaminhado à Executiva Nacional pedidos de autorização de prévias. Na próxima quarta-feira, a cúpula da legenda se reúne pela última vez este ano para analisar as solicitações. Os candidatos deverão ser selecionados até o dia 25 de novembro. Onde o impasse continua, como nas principais capitais brasileiras (leia quadro), será preciso esperar até o ano que vem.

Em novembro, os diretórios municipais do PT de São Paulo começaram a definir os candidatos que disputarão as eleições de 2008. Diadema e Mauá já escolheram os nomes: o deputado estadual Mário Reali e o ex-prefeito Oswaldo Dias, respectivamente. Em Santo André, terra do prefeito Celso Daniel, assassinado em janeiro de 2002, terá segundo turno. A diferença entre os dois primeiros colocados foi de apenas sete votos. A vice-prefeita Ivete Garcia, que conta com o apoio do Palácio do Planalto, e o deputado estadual Vanderlei Siraque, candidato do atual prefeito da cidade, voltam a se enfrentar nas urnas no dia 25. Em Vila Velha, no Espírito Santo, a disputa também já chegou ao fim.

Sem pressa
Mas nem todo petista tem pressa. O presidente do PT em Minas, o ex-ministro Nilmário Miranda, defende que o partido deve evitar ser o primeiro a anunciar o candidato em Belo Horizonte. “Aqui não existe um candidato natural. Não é vantagem ser o primeiro a definir o nome”, avalia Nilmário. Ele está disposto a fazer tudo para não haver prévias na capital mineira, onde são cotados como pré-candidatos a vereadora Neusinha Santos, o deputado estadual Roberto Carvalho e o ex-deputado estadual Rogério Correia, além dos ministros Luiz Dulci e Patrus Ananias. Apesar de encarar a disputa interna como um recurso democrático, ele prefere escolher o candidato por consenso, para evitar qualquer seqüela.

O senador Paulo Paim (PT-RS) também é um defensor da eterna busca do consenso. Tudo para não ver repetir as tensas disputas que marcaram o PT gaúcho, em especial nos anos de 1998 e em 2002. O embate de 2002, entre o então governador Olívio Dutra e o prefeito Tarso Genro pela vaga de candidato do PT ao governo do estado custou ao partido não apenas a vitória daquela eleição como o comando de Porto Alegre nas eleições seguintes.

“Para mim, prévias deixam seqüelas que não se ajustam durante a campanha”, avalia Paim. Contudo, os petistas dão como certa a disputa entre Maria do Rosário e Miguel Rosseto em Porto Alegre. O embate só não aconteceu este mês, explica o secretário de organização do PT, porque faltou a assinatura de dois terços do diretório local pedindo as prévias. Paim sugere que se o consenso não for possível, o primeiro colocado deve ser o candidato a prefeito e o segundo a vice. Na capital gaúcha, os petistas devem sair sozinhos no primeiro turno. A comunista Manuela D’ávila, deputada federal, e o peemedebista José Fogaça, candidato à reeleição, são nomes cotados para disputar contra o PT.

Consenso
Ter mais de um nome para as eleições, no entanto, não é sinônimo de prévia. Na capital paulista, os petistas avaliam que não haverá disputa interna se Marta Suplicy deixar o Ministério do Turismo para concorrer à prefeitura. O partido espera uma sinalização da ministra para janeiro. Os vereadores pressionam para ela disputar a eleição. Temem a redução do partido se o candidato foi outro. “Se o nome for Arlindo Chinaglia (presidente da Câmara), o consenso é mais difícil. Se for Jilmar Tatto (deputado federal), certamente outros vão se candidatar”, arrisca Romênio Pereira. O mesmo vale para os petistas de Belo Horizonte, que tendem a sacramentar o nome de Patrus Ananias. Mas tanto Marta quanto Patrus resistem deixar a Esplanada porque alimentam o desejo de concorrer à presidência, em 2010.

Por mais que tenham nomes para a prefeituras, há diretórios que ainda estudam a possibilidade de apoiar um candidato de outra legenda. Em Salvador, a tendência é abrir mão da candidatura própria para reeleger Luiz Henrique (PMDB). Em Goiânia, o PT está dividido entre os que querem apoiar mais um mandato para Iris Rezende (PMDB) e os que defendem a volta do partido à prefeitura com Humberto Aidar ou Marina Sant’Anna, deputados estaduais.

Fernanda Odilla
Correio Braziliense

Com muitos postulantes às prefeituras e pouco consenso, Executiva Nacional do PT vem recebendo pedidos para fazer prévias. Neste ano, a seleção dos nomes do partido só pode ocorrer até o próximo dia 25

Começou a temporada de prévias no PT para a escolha dos candidatos a prefeitos. Sobre a mesa do secretário nacional de organização da legenda, Romênio Pereira, estão pedidos de petistas de Ilhéus (BA), Búzios (RJ), Cascavel (PR), Cidade Ocidental (GO) e de pelo menos outras 10 cidades onde o consenso não foi possível. O PT só libera as prévias se dois terços do diretório local assinarem a solicitação. Porto Alegre, por exemplo, não conseguiu antecipar a disputa entre a deputada federal Maria do Rosário e o ex-ministro Miguel Rosseto, porque apenas uma minoria do PT gaúcho queria o embate interno neste ano.

Com muitos postulantes e pouco consenso, diretórios municipais do partido em todo país têm encaminhado à Executiva Nacional pedidos de autorização de prévias. Na próxima quarta-feira, a cúpula da legenda se reúne pela última vez este ano para analisar as solicitações. Os candidatos deverão ser selecionados até o dia 25 de novembro. Onde o impasse continua, como nas principais capitais brasileiras (leia quadro), será preciso esperar até o ano que vem.

Em novembro, os diretórios municipais do PT de São Paulo começaram a definir os candidatos que disputarão as eleições de 2008. Diadema e Mauá já escolheram os nomes: o deputado estadual Mário Reali e o ex-prefeito Oswaldo Dias, respectivamente. Em Santo André, terra do prefeito Celso Daniel, assassinado em janeiro de 2002, terá segundo turno. A diferença entre os dois primeiros colocados foi de apenas sete votos. A vice-prefeita Ivete Garcia, que conta com o apoio do Palácio do Planalto, e o deputado estadual Vanderlei Siraque, candidato do atual prefeito da cidade, voltam a se enfrentar nas urnas no dia 25. Em Vila Velha, no Espírito Santo, a disputa também já chegou ao fim.

Sem pressa
Mas nem todo petista tem pressa. O presidente do PT em Minas, o ex-ministro Nilmário Miranda, defende que o partido deve evitar ser o primeiro a anunciar o candidato em Belo Horizonte. “Aqui não existe um candidato natural. Não é vantagem ser o primeiro a definir o nome”, avalia Nilmário. Ele está disposto a fazer tudo para não haver prévias na capital mineira, onde são cotados como pré-candidatos a vereadora Neusinha Santos, o deputado estadual Roberto Carvalho e o ex-deputado estadual Rogério Correia, além dos ministros Luiz Dulci e Patrus Ananias. Apesar de encarar a disputa interna como um recurso democrático, ele prefere escolher o candidato por consenso, para evitar qualquer seqüela.

O senador Paulo Paim (PT-RS) também é um defensor da eterna busca do consenso. Tudo para não ver repetir as tensas disputas que marcaram o PT gaúcho, em especial nos anos de 1998 e em 2002. O embate de 2002, entre o então governador Olívio Dutra e o prefeito Tarso Genro pela vaga de candidato do PT ao governo do estado custou ao partido não apenas a vitória daquela eleição como o comando de Porto Alegre nas eleições seguintes.

“Para mim, prévias deixam seqüelas que não se ajustam durante a campanha”, avalia Paim. Contudo, os petistas dão como certa a disputa entre Maria do Rosário e Miguel Rosseto em Porto Alegre. O embate só não aconteceu este mês, explica o secretário de organização do PT, porque faltou a assinatura de dois terços do diretório local pedindo as prévias. Paim sugere que se o consenso não for possível, o primeiro colocado deve ser o candidato a prefeito e o segundo a vice. Na capital gaúcha, os petistas devem sair sozinhos no primeiro turno. A comunista Manuela D’ávila, deputada federal, e o peemedebista José Fogaça, candidato à reeleição, são nomes cotados para disputar contra o PT.

Consenso
Ter mais de um nome para as eleições, no entanto, não é sinônimo de prévia. Na capital paulista, os petistas avaliam que não haverá disputa interna se Marta Suplicy deixar o Ministério do Turismo para concorrer à prefeitura. O partido espera uma sinalização da ministra para janeiro. Os vereadores pressionam para ela disputar a eleição. Temem a redução do partido se o candidato foi outro. “Se o nome for Arlindo Chinaglia (presidente da Câmara), o consenso é mais difícil. Se for Jilmar Tatto (deputado federal), certamente outros vão se candidatar”, arrisca Romênio Pereira. O mesmo vale para os petistas de Belo Horizonte, que tendem a sacramentar o nome de Patrus Ananias. Mas tanto Marta quanto Patrus resistem deixar a Esplanada porque alimentam o desejo de concorrer à presidência, em 2010.

Por mais que tenham nomes para a prefeituras, há diretórios que ainda estudam a possibilidade de apoiar um candidato de outra legenda. Em Salvador, a tendência é abrir mão da candidatura própria para reeleger Luiz Henrique (PMDB). Em Goiânia, o PT está dividido entre os que querem apoiar mais um mandato para Iris Rezende (PMDB) e os que defendem a volta do partido à prefeitura com Humberto Aidar ou Marina Sant’Anna, deputados estaduais.