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Publicado: 14/12/2007 | 11:26
Empresários festejam fim da contribuição
Correio Braziliense
Entidades que reúnem empresas das áreas de comércio, indústria e serviços elogiam decisão do Senado de derrubar a CPMF e afirmam que governo precisará reduzir gastos. Força Sindical e OAB-SP também gostaram
Uma série de entidades festejou ontem a decisão do Senado de derrubar a CPMF. Entre os mais satisfeitos estavam os dirigentes da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), que havia reunido em uma campanha mais de um milhão de assinaturas contra a prorrogação do tributo. “A sociedade brasileira conquistou, na madrugada de hoje (ontem), uma histórica vitória”, afirmou Paulo Skaf, presidente da federação, em um comunicado. “Cada um cumpriu com o seu respectivo papel.”
Em Santa Catarina, um comunicado assinado por federações e associações de empresários da indústria, do comércio e de serviços afirmou haver expectativa de que o governo promova redução dos gastos públicos para compensar a perda da arrecadação, em vez de criar novos tributos. Na avaliação das entidades catarinenses, o fim do imposto do cheque é uma “vitória da sociedade”.
A Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP) avaliou, também em nota, que o governo deve encarar o fim da CPMF como um remédio e não como um revés político. “Ainda que amargo, o fim da CPMF irá auxiliar o governo a corrigir o erro estratégico de formular um orçamento no qual a expansão dos gastos é financiada pelo crescimento sistemático de tributos”, afirmou a entidade. Para a Fecomércio, o fim da CPMF é um alerta para o governo não “cair na tentação de mais uma vez” elevar impostos e deixar de fazer cortes necessários em seus gastos.
As comemorações não se limitaram a empresários. O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, afirmou em comunicado que a derrota no Senado deve servir de alerta ao governo federal. Na sua avaliação, o governo errou, foi arrogante durante as negociações na Câmara e incompetente na articulação do Senado. “A Força entende a importância desse tributo, mas sempre se posicionou pela redução gradativa da alíquota, servindo para controle e fiscalização”, afirmou a entidade no comunicado.
Em linha distinta, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) atacou a oposição por causa da derrubada da CPMF. O presidente da entidade, Artur Henrique Silva, afirmou em nota que prejudicar investimentos em políticas sociais — como saúde, Previdência e assistência social — e a valorização dos trabalhadores públicos “parece ser, em última instância, o objetivo oculto de partidos como DEM e PSDB”. Artur Silva acrescentou que a “CUT não vai aceitar nenhuma tentativa de drenagem de recursos dessas áreas”.
Temporão
O ministro José Gomes Temporão afirmou ontem que a Saúde no Brasil está de luto com o resultado da votação no Senado. A não prorrogação da CPMF, para o ministro, causou grande frustração em todo o segmento. “Perdeu a população brasileira. Perdeu o homem comum que usa o sistema público de saúde”, disse. Para o ministro, esse poderia ter sido um acordo histórico entre governo e oposição que teria garantido recursos muito significativos. Temporão, no entanto, assegurou que os recursos regulares do orçamento do Ministério da Saúde estão garantidos constitucionalmente e que não há risco de colapso ou de interrupção de atividades.
A representação em São Paulo da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP) — que este ano se engajou em um movimento de protesto contra o governo, batizado de Cansei — também festejou a derrubada da CPMF em nota assinada por seu presidente, Luiz Flávio Borges D’ Urso. Segundo a entidade, agora haverá mais “justiça tributária” à população brasileira. “Em sessão memorável, o Senado Federal, a despeito de todos os acenos por parte do governo, derrubou a prorrogação da CPMF, respeitando a vontade do povo brasileiro e trazendo mais justiça tributária a todos os brasileiros”, afirmou o comunicado.
O presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) — órgão do governo federal —, Márcio Pochmann, considerou um erro a decisão do Senado de acabar com a CPMF. Pochmann, que é economista, argumentou que a CPMF é um imposto com custo muito baixo e moderno porque facilita a fiscalização, sobretudo num país com poucas condições de controle. “A CPMF faz parte de uma trajetória de expansão da arrecadação”, disse.
Correio Braziliense
Entidades que reúnem empresas das áreas de comércio, indústria e serviços elogiam decisão do Senado de derrubar a CPMF e afirmam que governo precisará reduzir gastos. Força Sindical e OAB-SP também gostaram
Uma série de entidades festejou ontem a decisão do Senado de derrubar a CPMF. Entre os mais satisfeitos estavam os dirigentes da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), que havia reunido em uma campanha mais de um milhão de assinaturas contra a prorrogação do tributo. “A sociedade brasileira conquistou, na madrugada de hoje (ontem), uma histórica vitória”, afirmou Paulo Skaf, presidente da federação, em um comunicado. “Cada um cumpriu com o seu respectivo papel.”
Em Santa Catarina, um comunicado assinado por federações e associações de empresários da indústria, do comércio e de serviços afirmou haver expectativa de que o governo promova redução dos gastos públicos para compensar a perda da arrecadação, em vez de criar novos tributos. Na avaliação das entidades catarinenses, o fim do imposto do cheque é uma “vitória da sociedade”.
A Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP) avaliou, também em nota, que o governo deve encarar o fim da CPMF como um remédio e não como um revés político. “Ainda que amargo, o fim da CPMF irá auxiliar o governo a corrigir o erro estratégico de formular um orçamento no qual a expansão dos gastos é financiada pelo crescimento sistemático de tributos”, afirmou a entidade. Para a Fecomércio, o fim da CPMF é um alerta para o governo não “cair na tentação de mais uma vez” elevar impostos e deixar de fazer cortes necessários em seus gastos.
As comemorações não se limitaram a empresários. O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, afirmou em comunicado que a derrota no Senado deve servir de alerta ao governo federal. Na sua avaliação, o governo errou, foi arrogante durante as negociações na Câmara e incompetente na articulação do Senado. “A Força entende a importância desse tributo, mas sempre se posicionou pela redução gradativa da alíquota, servindo para controle e fiscalização”, afirmou a entidade no comunicado.
Em linha distinta, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) atacou a oposição por causa da derrubada da CPMF. O presidente da entidade, Artur Henrique Silva, afirmou em nota que prejudicar investimentos em políticas sociais — como saúde, Previdência e assistência social — e a valorização dos trabalhadores públicos “parece ser, em última instância, o objetivo oculto de partidos como DEM e PSDB”. Artur Silva acrescentou que a “CUT não vai aceitar nenhuma tentativa de drenagem de recursos dessas áreas”.
Temporão
O ministro José Gomes Temporão afirmou ontem que a Saúde no Brasil está de luto com o resultado da votação no Senado. A não prorrogação da CPMF, para o ministro, causou grande frustração em todo o segmento. “Perdeu a população brasileira. Perdeu o homem comum que usa o sistema público de saúde”, disse. Para o ministro, esse poderia ter sido um acordo histórico entre governo e oposição que teria garantido recursos muito significativos. Temporão, no entanto, assegurou que os recursos regulares do orçamento do Ministério da Saúde estão garantidos constitucionalmente e que não há risco de colapso ou de interrupção de atividades.
A representação em São Paulo da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP) — que este ano se engajou em um movimento de protesto contra o governo, batizado de Cansei — também festejou a derrubada da CPMF em nota assinada por seu presidente, Luiz Flávio Borges D’ Urso. Segundo a entidade, agora haverá mais “justiça tributária” à população brasileira. “Em sessão memorável, o Senado Federal, a despeito de todos os acenos por parte do governo, derrubou a prorrogação da CPMF, respeitando a vontade do povo brasileiro e trazendo mais justiça tributária a todos os brasileiros”, afirmou o comunicado.
O presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) — órgão do governo federal —, Márcio Pochmann, considerou um erro a decisão do Senado de acabar com a CPMF. Pochmann, que é economista, argumentou que a CPMF é um imposto com custo muito baixo e moderno porque facilita a fiscalização, sobretudo num país com poucas condições de controle. “A CPMF faz parte de uma trajetória de expansão da arrecadação”, disse.