antigas Publicado: 17/12/2007 | 08:06

Fim da CPMF azeda mercados

Gazeta Mercantil

O momento não poderia ser pior para uma derrota do governo na dipusta para aprovar a prorrogação da CPMF. O fim do imposto, que tira do governo uma receita de R$ 40 bilhões já no próximo ano e coloca em risco a meta de superávit primário, caiu como uma bomba para um mercado financeiro já estressado com a piora na cena externa. A Bovespa operou em terreno negativo durante todo o dia, chegando a recuar 3,5% na sua mínima. No fechamento, a queda do Ibovespa ficou em 2,9%, aos 62.860 pontos.
"A conjuntura não é favorável para um ruído interno (fim da CPMF) que alimenta dúvidas sobre a questão fiscal e o impacto para a taxa de juros", afirma o economista-chefe da GAP Asset Management, Alexandre Maia. Segundo ele, os mercados já vinham oscilando fortemente ao sabor das incertezas quanto ao impacto da crise do subprime (empréstimos imobiliários de alto risco) sobre a economia norte-americana, à eficiência das medidas dos bancos centrais para garantir liquidez ao sistema financeiro, entre outras notícias.
Ontem, o que mais pesou para o aumento da aversão ao risco no mercado internacional foi a surpresa negativa com a inflação americana. Os preços no atacado dos Estados Unidos dispararam 3,2% em novembro (os analistas esperavam avanço de 1,5%), a maior alta em 34 anos, por conta do avanço nos custos da gasolina, informou o Departamento de Trabalho. O núcleo do índice de preços no atacado, que exclui alimentos e energia, subiu 0,4%, o maior ganho desde fevereiro.
Contribuiu ainda para o mau humor externo a mudança de percepção do investidor global em relação à ação coordenada do Fed (BC americano) e outros bancos centrais europeus, que prometeram US$ 64 bilhões a instituições financeiras. A reação inicial de euforia deu lugar à preocupação de que as medidas não serão suficientes para aliviar o aperto no crédito. Na Europa, índice FTSEurofirst 300 caiu 2,27%, puxado pelas ações de bancos. Em Wall Street, as bolsas operaram em baixa durante todo o dia, mas reverteram no final puxadas pelas ações da Honeywell, após a empresa ter divulgado previsão de lucro maior para 2008.
Os mercados locais de dólar e juros futuros também reagiram negativamente à não aprovação da CPMF. O dólar teve um dia bastante volátil. Ao final, se valorizou 0,28%, a R$ 1,779. Os juros futuros, negociados na BM&F, avançaram com força. O contrato de DI com vencimento em janeiro de 2010 registrou taxa anual de 12,67%, ante 12,45% do último ajuste. Janeiro de 2009, o mais negociado, fechou com taxa anual de 12%, ante 11,83% do ajuste anterior. Embora a instabilidade na cena externa tenha colaborado para a piora nos DIs, a maior pressão sobre a expectativa de juro veio mesmo da não-prorrogação do imposto do cheque.
Para Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, embora a cena externa tenha piorado, o fator que mais influenciou o mercado local foi o fim da CPMF. "Além de perder receita, o governo se mostrou incapaz de se articular e aprovar o imposto", diz. "A cautela do mercado se justifica porque ninguém sabe como o governo vai resolver a perda da receita."
O grande risco, na avaliação de Roberto Padovani, estrategista de investimento sênio para América Latina do banco WestLB, é o governo optar por reduzir o superávit primário, o que pode resultar em um aumento dos juros domésticos ou ao menos uma Selic estável por mais tempo. Para Maia, da GAP, independentemente do fim da CPMF, a ata do Copom divulgada ontem pela manhã já sinalizava um balanço de riscos entre atividade e inflação mais negativo, indicando que a taxa Selic pode ficar estável por mais tempo. "Não dá para vislumbrar queda de juros antes de um ano", afirma. "Também não descarto alta, no caso de piora dos riscos", acrescenta o economista.
Contudo, os economistas afirmam que a reação dos investidores era de se esperar. "O mercado não gostou. Com pressão inflacionária, fim de CPMF e piora do cenário externo, o investidor, inclusive o estrangeiro, decidiu colocar suas barbas de molho", diz Marcelo Pereira, da TAG Investimentos. No caso da Bolsa, que vinha operando perto de seus picos, os investidores aproveitaram as notícias ruins para realizar lucro, afirma o analista-chefe da Corretora Souza Barros, Clodoir Vieira. "Teve fogo de palha, a Bolsa não precisava ter caído tanto", ressalta. As ações da Vale, com maior peso no índice, caíram 4,23%.
Daqui para frente, segundo o economista-chefe do BNP Paribas, Alexandre Lintz, o caminho a ser tomado pelo governo será determinante para a maior ou menor deterioração do cenário. "Se o governo decidir cortar gastos, diminuindo o tamanho do estado, a queda do imposto pode até ter sido boa, contribuindo para um cenário de longo prazo ainda mais positivo para o Brasil."

Gazeta Mercantil

O momento não poderia ser pior para uma derrota do governo na dipusta para aprovar a prorrogação da CPMF. O fim do imposto, que tira do governo uma receita de R$ 40 bilhões já no próximo ano e coloca em risco a meta de superávit primário, caiu como uma bomba para um mercado financeiro já estressado com a piora na cena externa. A Bovespa operou em terreno negativo durante todo o dia, chegando a recuar 3,5% na sua mínima. No fechamento, a queda do Ibovespa ficou em 2,9%, aos 62.860 pontos.
"A conjuntura não é favorável para um ruído interno (fim da CPMF) que alimenta dúvidas sobre a questão fiscal e o impacto para a taxa de juros", afirma o economista-chefe da GAP Asset Management, Alexandre Maia. Segundo ele, os mercados já vinham oscilando fortemente ao sabor das incertezas quanto ao impacto da crise do subprime (empréstimos imobiliários de alto risco) sobre a economia norte-americana, à eficiência das medidas dos bancos centrais para garantir liquidez ao sistema financeiro, entre outras notícias.
Ontem, o que mais pesou para o aumento da aversão ao risco no mercado internacional foi a surpresa negativa com a inflação americana. Os preços no atacado dos Estados Unidos dispararam 3,2% em novembro (os analistas esperavam avanço de 1,5%), a maior alta em 34 anos, por conta do avanço nos custos da gasolina, informou o Departamento de Trabalho. O núcleo do índice de preços no atacado, que exclui alimentos e energia, subiu 0,4%, o maior ganho desde fevereiro.
Contribuiu ainda para o mau humor externo a mudança de percepção do investidor global em relação à ação coordenada do Fed (BC americano) e outros bancos centrais europeus, que prometeram US$ 64 bilhões a instituições financeiras. A reação inicial de euforia deu lugar à preocupação de que as medidas não serão suficientes para aliviar o aperto no crédito. Na Europa, índice FTSEurofirst 300 caiu 2,27%, puxado pelas ações de bancos. Em Wall Street, as bolsas operaram em baixa durante todo o dia, mas reverteram no final puxadas pelas ações da Honeywell, após a empresa ter divulgado previsão de lucro maior para 2008.
Os mercados locais de dólar e juros futuros também reagiram negativamente à não aprovação da CPMF. O dólar teve um dia bastante volátil. Ao final, se valorizou 0,28%, a R$ 1,779. Os juros futuros, negociados na BM&F, avançaram com força. O contrato de DI com vencimento em janeiro de 2010 registrou taxa anual de 12,67%, ante 12,45% do último ajuste. Janeiro de 2009, o mais negociado, fechou com taxa anual de 12%, ante 11,83% do ajuste anterior. Embora a instabilidade na cena externa tenha colaborado para a piora nos DIs, a maior pressão sobre a expectativa de juro veio mesmo da não-prorrogação do imposto do cheque.
Para Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, embora a cena externa tenha piorado, o fator que mais influenciou o mercado local foi o fim da CPMF. "Além de perder receita, o governo se mostrou incapaz de se articular e aprovar o imposto", diz. "A cautela do mercado se justifica porque ninguém sabe como o governo vai resolver a perda da receita."
O grande risco, na avaliação de Roberto Padovani, estrategista de investimento sênio para América Latina do banco WestLB, é o governo optar por reduzir o superávit primário, o que pode resultar em um aumento dos juros domésticos ou ao menos uma Selic estável por mais tempo. Para Maia, da GAP, independentemente do fim da CPMF, a ata do Copom divulgada ontem pela manhã já sinalizava um balanço de riscos entre atividade e inflação mais negativo, indicando que a taxa Selic pode ficar estável por mais tempo. "Não dá para vislumbrar queda de juros antes de um ano", afirma. "Também não descarto alta, no caso de piora dos riscos", acrescenta o economista.
Contudo, os economistas afirmam que a reação dos investidores era de se esperar. "O mercado não gostou. Com pressão inflacionária, fim de CPMF e piora do cenário externo, o investidor, inclusive o estrangeiro, decidiu colocar suas barbas de molho", diz Marcelo Pereira, da TAG Investimentos. No caso da Bolsa, que vinha operando perto de seus picos, os investidores aproveitaram as notícias ruins para realizar lucro, afirma o analista-chefe da Corretora Souza Barros, Clodoir Vieira. "Teve fogo de palha, a Bolsa não precisava ter caído tanto", ressalta. As ações da Vale, com maior peso no índice, caíram 4,23%.
Daqui para frente, segundo o economista-chefe do BNP Paribas, Alexandre Lintz, o caminho a ser tomado pelo governo será determinante para a maior ou menor deterioração do cenário. "Se o governo decidir cortar gastos, diminuindo o tamanho do estado, a queda do imposto pode até ter sido boa, contribuindo para um cenário de longo prazo ainda mais positivo para o Brasil."