antigas Publicado: 24/01/2008 | 09:15

Delúbio fala, mas só se repete

Alessandra Pereira
Correio Braziliense

Ex-tesoureiro do PT nega-se a responder muitas das perguntas feitas por procuradores e advogados sobre o suposto esquema de compra de votos e volta a citar versões para justificar empréstimos
 
Em depoimento de cerca de duas horas no Fórum Criminal da Justiça Federal, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares negou-se ontem a responder várias perguntas feitas por procuradores e advogados em tentativa de esclarecer detalhes do chamado escândalo do mensalão. Delúbio é um dos 40 réus em ação penal sobre o caso que corre no Supremo Tribunal Federal (STF). No processo, responde por supostos crimes de formação de quadrilha e corrupção ativa.

Segundo advogados que acompanharam o depoimento, Delúbio, valendo-se de uma prerrogativa legal, não deu respostas na maioria das vezes em que foi perguntado pela juíza da Segunda Vara Criminal Federal, Silvia Maria Rocha, sobre encontros com políticos acusados de participação no esquema. Além disso, repetiu versões apresentadas anteriormente para justificar empréstimos contratados pelo PT no BMG e no Banco Rural. Declarou, por exemplo, que com as operações o partido quitou dívidas de campanhas para prefeito e vereadores em 2004 e custeou viagens de petistas para a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2003.

O ex-tesoureiro do PT voltou a dizer que o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu e o presidente Lula não sabiam das transações, que conversava diretamente com o empresário Marcos Valério, acusado de operar o mensalão, e que o esquema, tal qual desenhado pelo Ministério Público Federal, jamais existiu. Segundo a denúncia apresentada ao STF, uma quadrilha foi formada na administração federal para desviar recursos públicos e garantir dinheiro suficiente para pagar uma mesada a deputados em troca de votos.

Soares chegou às 14h30 acompanhado do advogado Celso Vilardi. Nenhum dos dois concedeu entrevista na chegada. O interrogatório terminou às 18h50. Delúbio e o advogado deixaram o prédio da Justiça Federal às 21h45 por terem ficado acompanhando a leitura do interrogatório com a finalidade de confirmar os termos das declarações do ex-tesoureiro à juíza. Segundo Vilardi, foram apresentados novos argumentos técnicos para defender o petista das acusações.

Os advogados do ex-ministro da Secretaria de Comunicação Luiz Gushiken, José Roberto Leal de Carvalho, do ex-ministro José Dirceu, José Luís Oliveira Lima, e do Banco Rural, José Carlos Dias, também acompanharam os depoimentos. Carvalho considerou um erro o processo contra Gushiken. “É um absurdo porque não há nenhuma prova contra o meu cliente”, disse, sobre a decisão do STF de aceitar a denúncia por peculato contra o ex-ministro. 
 
Dirceu define estratégia
O ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu, réu no processo aberto no Supremo Tribunal Federal (STF) para apurar o caso do mensalão, já desenhou a estratégia para se defender das acusações de corrupção ativa e lavagem de dinheiro. Dirceu, que irá depor hoje na 2ª Vara Criminal da Justiça Federal em São Paulo, pretende contestar mais uma vez a credibilidade do ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), que incluiu seu nome nas denúncias referentes ao caso.

Além disso, o deputado cassado quer rebater cada um dos pontos da denúncia que serviu de base para o inquérito. O plano foi traçado pelo advogado de Dirceu, José Luís Oliveira Lima. “Ele vai negar o argumento de que participou desse suposto esquema do mensalão, até porque ninguém fala isso além de Roberto Jefferson, que é réu confesso”, disse o advogado. “Vamos rebater os pontos da denúncia um a um.”

Oliveira Lima aproveitou a tarde de ontem para acompanhar os primeiros depoimentos colhidos em São Paulo sobre o caso. 
 
Suspensão de obras
O Ministério Público Federal (MPF) propôs ontem ação civil pública para suspender as obras de construção da nova sede do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região, em Brasília, estimada em 480 milhões. Na avaliação de procuradores da República no Distrito Federal, a obra é “um atentado ao princípio da economicidade”. Projetado por Oscar Niemeyer, o prédio ocupará área de 169 mil m² no Setor de Administração Federal Sul.

Os 51 desembargadores terão direito a gabinetes de 350 m² cada, área superior à dos gabinetes dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Para o procurador Rômulo Moreira, autor da ação, o projeto apresenta exageros inaceitáveis, principalmente considerando a já comum ocorrência de desvio de recursos em tais obras. Ele mencionou também a necessidade de cortes nas verbas nos três poderes por causa do fim da CPMF. Procurada pelo Correio, a assessoria de imprensa do TRF informou que não se manifestaria sobre a ação do MPF.

Alessandra Pereira
Correio Braziliense

Ex-tesoureiro do PT nega-se a responder muitas das perguntas feitas por procuradores e advogados sobre o suposto esquema de compra de votos e volta a citar versões para justificar empréstimos
 
Em depoimento de cerca de duas horas no Fórum Criminal da Justiça Federal, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares negou-se ontem a responder várias perguntas feitas por procuradores e advogados em tentativa de esclarecer detalhes do chamado escândalo do mensalão. Delúbio é um dos 40 réus em ação penal sobre o caso que corre no Supremo Tribunal Federal (STF). No processo, responde por supostos crimes de formação de quadrilha e corrupção ativa.

Segundo advogados que acompanharam o depoimento, Delúbio, valendo-se de uma prerrogativa legal, não deu respostas na maioria das vezes em que foi perguntado pela juíza da Segunda Vara Criminal Federal, Silvia Maria Rocha, sobre encontros com políticos acusados de participação no esquema. Além disso, repetiu versões apresentadas anteriormente para justificar empréstimos contratados pelo PT no BMG e no Banco Rural. Declarou, por exemplo, que com as operações o partido quitou dívidas de campanhas para prefeito e vereadores em 2004 e custeou viagens de petistas para a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2003.

O ex-tesoureiro do PT voltou a dizer que o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu e o presidente Lula não sabiam das transações, que conversava diretamente com o empresário Marcos Valério, acusado de operar o mensalão, e que o esquema, tal qual desenhado pelo Ministério Público Federal, jamais existiu. Segundo a denúncia apresentada ao STF, uma quadrilha foi formada na administração federal para desviar recursos públicos e garantir dinheiro suficiente para pagar uma mesada a deputados em troca de votos.

Soares chegou às 14h30 acompanhado do advogado Celso Vilardi. Nenhum dos dois concedeu entrevista na chegada. O interrogatório terminou às 18h50. Delúbio e o advogado deixaram o prédio da Justiça Federal às 21h45 por terem ficado acompanhando a leitura do interrogatório com a finalidade de confirmar os termos das declarações do ex-tesoureiro à juíza. Segundo Vilardi, foram apresentados novos argumentos técnicos para defender o petista das acusações.

Os advogados do ex-ministro da Secretaria de Comunicação Luiz Gushiken, José Roberto Leal de Carvalho, do ex-ministro José Dirceu, José Luís Oliveira Lima, e do Banco Rural, José Carlos Dias, também acompanharam os depoimentos. Carvalho considerou um erro o processo contra Gushiken. “É um absurdo porque não há nenhuma prova contra o meu cliente”, disse, sobre a decisão do STF de aceitar a denúncia por peculato contra o ex-ministro. 
 
Dirceu define estratégia
O ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu, réu no processo aberto no Supremo Tribunal Federal (STF) para apurar o caso do mensalão, já desenhou a estratégia para se defender das acusações de corrupção ativa e lavagem de dinheiro. Dirceu, que irá depor hoje na 2ª Vara Criminal da Justiça Federal em São Paulo, pretende contestar mais uma vez a credibilidade do ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), que incluiu seu nome nas denúncias referentes ao caso.

Além disso, o deputado cassado quer rebater cada um dos pontos da denúncia que serviu de base para o inquérito. O plano foi traçado pelo advogado de Dirceu, José Luís Oliveira Lima. “Ele vai negar o argumento de que participou desse suposto esquema do mensalão, até porque ninguém fala isso além de Roberto Jefferson, que é réu confesso”, disse o advogado. “Vamos rebater os pontos da denúncia um a um.”

Oliveira Lima aproveitou a tarde de ontem para acompanhar os primeiros depoimentos colhidos em São Paulo sobre o caso. 
 
Suspensão de obras
O Ministério Público Federal (MPF) propôs ontem ação civil pública para suspender as obras de construção da nova sede do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região, em Brasília, estimada em 480 milhões. Na avaliação de procuradores da República no Distrito Federal, a obra é “um atentado ao princípio da economicidade”. Projetado por Oscar Niemeyer, o prédio ocupará área de 169 mil m² no Setor de Administração Federal Sul.

Os 51 desembargadores terão direito a gabinetes de 350 m² cada, área superior à dos gabinetes dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Para o procurador Rômulo Moreira, autor da ação, o projeto apresenta exageros inaceitáveis, principalmente considerando a já comum ocorrência de desvio de recursos em tais obras. Ele mencionou também a necessidade de cortes nas verbas nos três poderes por causa do fim da CPMF. Procurada pelo Correio, a assessoria de imprensa do TRF informou que não se manifestaria sobre a ação do MPF.