antigas Publicado: 7/03/2008 | 09:05

Bandeira branca no alemão e 1.200 homens para proteger Lula

Jornal do Brasil

A visita do presidente Lula às três maiores favelas do Rio, no lançamento do mais ambicioso programa do país de intervenção urbana em áreas carentes, exigiu um verdadeiro aparato de guerra. Lula será acompanhado por 1.200 militares reforçando a segurança no Complexo do Alemão, na Rocinha e em Manguinhos. O general Jorge Félix, chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência, esteve por duas horas no Alemão. Na Cidade de Deus, que não será beneficiada pelas obras do PAC, moradores queimaram carros em protesto pela morte de Michele da Solca Lima, baleada quando lavava roupas em casa. A PM é responsabilizada.

A inédita visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva às três maiores favelas do Rio vai exigir uma operação de guerra das Forças Armadas. Mil e duzentos militares reforçarão a segurança dos complexos do Alemão, Rocinha e Manguinhos. Os últimos detalhes da investida federal às comunidades foram definidos ontem pelo general Jorge Félix, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência. À paisana, Félix passou cerca de duas horas comandando os trabalhos no Largo do Itararé, localidade do Complexo do Alemão que receberá Lula esta manhã. A paz que Lula terá, graças às forças de segurança, é o grande sonho dos moradores. Ontem, vários barracos, kombis, vans e motos circulavam com bandeiras brancas, num claro recado antibelicista.

A receptividade dos moradores tem sido boa - elogiou Felix. - Eu tinha uma imagem do Alemão. Agora, tenho outra - confessou.

Considerado quartel-general do Comando Vermelho, o complexo não dava mostras de ter recebido, ainda ontem, reforço no policiamento. Como acontece desde maio, quatro agentes da Força Nacional vigiavam cada acesso da comunidade. Nos mais delicados - um deles a menos de um quilômetro de onde deve ficar Lula - os soldados da tropa federal ergueram barricadas. O clima era de paz.

O esquema de segurança de Lula é guardado a sete chaves mas, segundo o vice-governador Luiz Fernando Pezão, a presença dos militares não impedirá que o presidente converse com moradores.

O efetivo mobilizado pela vinda de Lula é exatamente o mesmo que falta para garantir o patrulhamento durante as obras Plano de Aceleração do Crescimento. A Secretaria Nacional de Segurança Pública comprometeu-se a mandar mais 1.200 agentes da Força Nacional ao Rio. Os policiais, porém, ainda estão sendo convocados.

Seria irresponsável dar um prazo para que todos cheguem aqui - reconheceu o secretário nacional interino de Segurança Pública, Ricardo Balestreri. - Depois dos Jogos Pan-Americanos, os Estados chamaram de volta seus policiais que serviam no Rio. Só agora estamos revertendo este processo de esgotamento da tropa.

Verba não chegou

Atendendo a um pedido do Estado, a União reservou R$ 55 milhões para serem gastos com armas e munição. A verba, no entanto, está tão distante do Rio quanto o reforço dos agentes. Como o orçamento federal ainda não foi votado, a quantia só poderá ser liberada por medida provisória editada pelo presidente. Lula não descarta atropelar a lentidão do Congresso, caso o orçamento não seja aprovado pelo Legislativo na semana que vem.

Balestreri deposita suas esperanças na Polícia Militar do Distrito Federal. A corporação ofereceu 250 soldados para a missão do PAC no Rio. O secretário quer o dobro.

A crise de efetivo é um drama sério - admitiu. - Quase todos as polícias do país têm um efetivo menor do que o necessário. E ainda temos de atender a pedidos pela contribuição da Força feito por outros Estados.

Pezão: violência "pequena"

A voz dissonante entre os preocupados com o policiamento é do vice-governador Pezão. Em entrevista coletiva, ele considerou a violência das favelas cariocas "até pequena", considerando o abandono imposto nas últimas décadas a estas regiões:

Segurança não será problema. A população apóia as obras e vai deixar de viver em guetos.

Com agências

Jornal do Brasil

A visita do presidente Lula às três maiores favelas do Rio, no lançamento do mais ambicioso programa do país de intervenção urbana em áreas carentes, exigiu um verdadeiro aparato de guerra. Lula será acompanhado por 1.200 militares reforçando a segurança no Complexo do Alemão, na Rocinha e em Manguinhos. O general Jorge Félix, chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência, esteve por duas horas no Alemão. Na Cidade de Deus, que não será beneficiada pelas obras do PAC, moradores queimaram carros em protesto pela morte de Michele da Solca Lima, baleada quando lavava roupas em casa. A PM é responsabilizada.

A inédita visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva às três maiores favelas do Rio vai exigir uma operação de guerra das Forças Armadas. Mil e duzentos militares reforçarão a segurança dos complexos do Alemão, Rocinha e Manguinhos. Os últimos detalhes da investida federal às comunidades foram definidos ontem pelo general Jorge Félix, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência. À paisana, Félix passou cerca de duas horas comandando os trabalhos no Largo do Itararé, localidade do Complexo do Alemão que receberá Lula esta manhã. A paz que Lula terá, graças às forças de segurança, é o grande sonho dos moradores. Ontem, vários barracos, kombis, vans e motos circulavam com bandeiras brancas, num claro recado antibelicista.

A receptividade dos moradores tem sido boa - elogiou Felix. - Eu tinha uma imagem do Alemão. Agora, tenho outra - confessou.

Considerado quartel-general do Comando Vermelho, o complexo não dava mostras de ter recebido, ainda ontem, reforço no policiamento. Como acontece desde maio, quatro agentes da Força Nacional vigiavam cada acesso da comunidade. Nos mais delicados - um deles a menos de um quilômetro de onde deve ficar Lula - os soldados da tropa federal ergueram barricadas. O clima era de paz.

O esquema de segurança de Lula é guardado a sete chaves mas, segundo o vice-governador Luiz Fernando Pezão, a presença dos militares não impedirá que o presidente converse com moradores.

O efetivo mobilizado pela vinda de Lula é exatamente o mesmo que falta para garantir o patrulhamento durante as obras Plano de Aceleração do Crescimento. A Secretaria Nacional de Segurança Pública comprometeu-se a mandar mais 1.200 agentes da Força Nacional ao Rio. Os policiais, porém, ainda estão sendo convocados.

Seria irresponsável dar um prazo para que todos cheguem aqui - reconheceu o secretário nacional interino de Segurança Pública, Ricardo Balestreri. - Depois dos Jogos Pan-Americanos, os Estados chamaram de volta seus policiais que serviam no Rio. Só agora estamos revertendo este processo de esgotamento da tropa.

Verba não chegou

Atendendo a um pedido do Estado, a União reservou R$ 55 milhões para serem gastos com armas e munição. A verba, no entanto, está tão distante do Rio quanto o reforço dos agentes. Como o orçamento federal ainda não foi votado, a quantia só poderá ser liberada por medida provisória editada pelo presidente. Lula não descarta atropelar a lentidão do Congresso, caso o orçamento não seja aprovado pelo Legislativo na semana que vem.

Balestreri deposita suas esperanças na Polícia Militar do Distrito Federal. A corporação ofereceu 250 soldados para a missão do PAC no Rio. O secretário quer o dobro.

A crise de efetivo é um drama sério - admitiu. - Quase todos as polícias do país têm um efetivo menor do que o necessário. E ainda temos de atender a pedidos pela contribuição da Força feito por outros Estados.

Pezão: violência "pequena"

A voz dissonante entre os preocupados com o policiamento é do vice-governador Pezão. Em entrevista coletiva, ele considerou a violência das favelas cariocas "até pequena", considerando o abandono imposto nas últimas décadas a estas regiões:

Segurança não será problema. A população apóia as obras e vai deixar de viver em guetos.

Com agências