antigas Publicado: 7/11/2008 | 10:31

641 médicos vão reforçar a rede pública

Correio Braziliense

Governo do DF contrata, por meio de concurso público, 1.415 profissionais de saúde. Eles foram empossados ontem. Unidades de Ceilândia e do Gama receberão o maior número de servidores


O Governo do Distrito Federal (GDF) empossou, ontem, 1.415 profissionais de saúde, que ajudarão a diminuir o tempo de espera por atendimento nos hospitais do DF. Além dos novos servidores, o governador José Roberto Arruda disse que o número pode ser acrescido de cerca de 600 funcionários do programa Saúde da Família, que foram dispensados com o fim do contrato com Fundação Zerbini. Eles terão a situação definida na próxima terça-feira, quando a Câmara Legislativa vota um projeto de lei, de autoria do Executivo, que os incorpora aos quadros do governo local.

O governador classificou a solenidade de ontem como “o ato público mais relevante para a saúde pública, desde o início do seu governo”. Os novos contratados, por meio de concurso público, já tiveram as nomeações publicadas no Diário Oficial do DF, entre os últimos meses de agosto e outubro, e foram lotados nos hospitais regionais do DF.

A Secretaria de Saúde não soube especificar com quantos servidores cada hospital foi contemplado, mas informou que as unidades de saúde do Gama e de Ceilândia, que, além da demanda local, atendem grande contingente de pacientes do Entorno, receberam o maior número de profissionais. Dentre os servidores empossados, 641 são médicos.

Nas unidades de atendimento, os novos contratados, principalmente médicos e enfermeiros, são aguardados com ansiedade. No Hospital Regional de Ceilândia (HRC), o vice-diretor José Carlos Teixeira Viula disse que, quando os novos médicos chegarem, o atendimento na emergência deve ser agilizado. Na tarde de ontem, centenas de pessoas aguardavam na recepção. Servidores do HRC disseram que a escala previa três clínicos gerais, das 13h às 19h, mas apenas um médico estava atendendo.

A dona-de-casa Marlene Maria (sobrenome não divulgado) aguardava ser chamada, com fortes dores abdominais, desde o meio-dia. Às 15h30, ainda não tinha sido atendida. O caso do motorista Lecênio Ribeiro de Barros, 57, expõe outro lado da pressão sofrida pelos hospitais do DF. Morador de Bom Jesus da Lapa, na Bahia, ele veio a Brasília à procura de tratamento para a diabetes. Estava na fila desde às 9h.

“A saúde pública do DF e do país não está boa”, reconheceu o governador, durante o evento ontem, realizado no Teatro Nacional. “As pessoas mais humildes, quando procuram grande parte das unidades de atendimento, saem mais tristes do que quando chegaram”, completou. Segundo Arruda, o desafio dos gestores é promover mudanças que garantam a universalização da saúde, prevista na Constituição Federal de 1988, e melhorem o atendimento da população.

Santa Maria
Arruda disse, ainda, que a entrega da gestão do Hospital Regional de Santa Maria para uma organização social é uma iniciativa ousada, que pode promover as melhorias necessárias ao atendimento da população. A unidade está parada, desde abril, e deve ter seu destino definido na próxima terça-feira, quando o Tribunal de Contas do DF (TCDF) decidirá sobre a modelo pretendido pelo GDF.

Arruda também anunciou a criação de um novo hospital público. A unidade será instalada no prédio construído pelo Lar dos Velhinhos, no Núcleo Bandeirante, que faria o atendimento na área de geriatria. Como a instituição não teve condições de colocar em funcionamento o hospital, o GDF vai retomar a área e indenizar a construção. A unidade ainda não tem uma data definida para entrar em funcionamento. “Em 2009, certamente estará pronto”, informou o secretário de Saúde, Augusto Carvalho.

Na próxima semana, o governador viaja a Goiânia e São Paulo para discutir outras iniciativas para incrementar o atendimento à saúde da população da capital federal. Em Goiás, Arruda vai discutir soluções para os hospitais de Águas Lindas e Santo Antônio do Descoberto. Em São Paulo, conhecerá as unidades de Atendimento Médico Ambulatorial (AMA).


SEGURANÇA EM ÁGUAS CLARAS
Moradores de Águas Claras ganharam, ontem, mais um posto comunitário de segurança. A unidade, instalada na Avenida Castanheiras, é a segunda da cidade e a 45ª do DF. O posto terá plantão de 12 policiais durante todo o dia. Na noite de ontem, o governador José Roberto Arruda também inaugurou a obra de iluminação pública da 1ª Avenida Norte/Sul de Samambaia. Em um trecho de seis quilômetros da via, 309 postes de luz foram instalados.

Distribuição dos profissionais

Médicos - 641
Enfermeiros - 186
Cirurgiões dentistas - 26
Especialistas (como nutricionistas, bioquímicos e fonoaudiólogos) - 27
Técnicos em Saúde - 355
Agentes administrativos - 180
Total: 1.415


Secretaria apura fraude

Uma denúncia anônima evitou que a Secretaria de Saúde jogasse mais de R$ 12 milhões pelo ralo, por meio de uma licitação com indícios de fraude. O pedido de compra original, datado de janeiro de 2007, solicitava a aquisição de 35 cadeiras fixas, cinco giratórias, cinco mesas para escritório, outras cinco para refeitório e 500 armários. O material serviria para repor mobiliário no Hospital Regional de Taguatinga (HRT). O pagamento não chegou a ser feito e o processo foi cancelado.

A direção do hospital fez o pedido para a Unidade de Administração Geral (UAG) da secretaria, que dimensionou o custo da compra em cerca de R$ 4,1 milhões. A solicitação foi então enviada para a Central de Compras do GDF, que devolveu a documentação à secretaria para ajustes. Quando o pedido voltou para a Central, o custo total havia pulado para aproximadamente R$ 16 milhões. O preço unitário das cadeiras fixas tinha sido superfaturado, de R$ 225,98 para R$ 1.197,37, e o das giratórias, de R$ 278,88 para R$ 1.425,88. No caso das mesas de escritório, o preço subiu de R$ 421,37 para R$ 3.192,24. Já as mesas para refeições começaram o processo cotadas em R$ 1.588,50 e terminaram em R$ 4.744,72 cada. Os armários subiram de R$ 748 para R$ 1.655,03, ou seja, mais que dobraram de preço.

O levantamento feito pelos técnicos aponta que a fraude ocorreu no caminho de volta do processo da Central de Compras para UAG. Segundo os auditores, ainda havia indícios de direcionamento da compra para uma determinada empresa fornecedora de móveis para escritórios. A auditoria deve ser concluída em um semana.

Segundo o secretário de Saúde, Augusto Carvalho, se for constatada participação de servidor público na fraude, “o responsável será punido à luz do estatuto do serviço público”. (LC)

Correio Braziliense

Governo do DF contrata, por meio de concurso público, 1.415 profissionais de saúde. Eles foram empossados ontem. Unidades de Ceilândia e do Gama receberão o maior número de servidores


O Governo do Distrito Federal (GDF) empossou, ontem, 1.415 profissionais de saúde, que ajudarão a diminuir o tempo de espera por atendimento nos hospitais do DF. Além dos novos servidores, o governador José Roberto Arruda disse que o número pode ser acrescido de cerca de 600 funcionários do programa Saúde da Família, que foram dispensados com o fim do contrato com Fundação Zerbini. Eles terão a situação definida na próxima terça-feira, quando a Câmara Legislativa vota um projeto de lei, de autoria do Executivo, que os incorpora aos quadros do governo local.

O governador classificou a solenidade de ontem como “o ato público mais relevante para a saúde pública, desde o início do seu governo”. Os novos contratados, por meio de concurso público, já tiveram as nomeações publicadas no Diário Oficial do DF, entre os últimos meses de agosto e outubro, e foram lotados nos hospitais regionais do DF.

A Secretaria de Saúde não soube especificar com quantos servidores cada hospital foi contemplado, mas informou que as unidades de saúde do Gama e de Ceilândia, que, além da demanda local, atendem grande contingente de pacientes do Entorno, receberam o maior número de profissionais. Dentre os servidores empossados, 641 são médicos.

Nas unidades de atendimento, os novos contratados, principalmente médicos e enfermeiros, são aguardados com ansiedade. No Hospital Regional de Ceilândia (HRC), o vice-diretor José Carlos Teixeira Viula disse que, quando os novos médicos chegarem, o atendimento na emergência deve ser agilizado. Na tarde de ontem, centenas de pessoas aguardavam na recepção. Servidores do HRC disseram que a escala previa três clínicos gerais, das 13h às 19h, mas apenas um médico estava atendendo.

A dona-de-casa Marlene Maria (sobrenome não divulgado) aguardava ser chamada, com fortes dores abdominais, desde o meio-dia. Às 15h30, ainda não tinha sido atendida. O caso do motorista Lecênio Ribeiro de Barros, 57, expõe outro lado da pressão sofrida pelos hospitais do DF. Morador de Bom Jesus da Lapa, na Bahia, ele veio a Brasília à procura de tratamento para a diabetes. Estava na fila desde às 9h.

“A saúde pública do DF e do país não está boa”, reconheceu o governador, durante o evento ontem, realizado no Teatro Nacional. “As pessoas mais humildes, quando procuram grande parte das unidades de atendimento, saem mais tristes do que quando chegaram”, completou. Segundo Arruda, o desafio dos gestores é promover mudanças que garantam a universalização da saúde, prevista na Constituição Federal de 1988, e melhorem o atendimento da população.

Santa Maria
Arruda disse, ainda, que a entrega da gestão do Hospital Regional de Santa Maria para uma organização social é uma iniciativa ousada, que pode promover as melhorias necessárias ao atendimento da população. A unidade está parada, desde abril, e deve ter seu destino definido na próxima terça-feira, quando o Tribunal de Contas do DF (TCDF) decidirá sobre a modelo pretendido pelo GDF.

Arruda também anunciou a criação de um novo hospital público. A unidade será instalada no prédio construído pelo Lar dos Velhinhos, no Núcleo Bandeirante, que faria o atendimento na área de geriatria. Como a instituição não teve condições de colocar em funcionamento o hospital, o GDF vai retomar a área e indenizar a construção. A unidade ainda não tem uma data definida para entrar em funcionamento. “Em 2009, certamente estará pronto”, informou o secretário de Saúde, Augusto Carvalho.

Na próxima semana, o governador viaja a Goiânia e São Paulo para discutir outras iniciativas para incrementar o atendimento à saúde da população da capital federal. Em Goiás, Arruda vai discutir soluções para os hospitais de Águas Lindas e Santo Antônio do Descoberto. Em São Paulo, conhecerá as unidades de Atendimento Médico Ambulatorial (AMA).


SEGURANÇA EM ÁGUAS CLARAS
Moradores de Águas Claras ganharam, ontem, mais um posto comunitário de segurança. A unidade, instalada na Avenida Castanheiras, é a segunda da cidade e a 45ª do DF. O posto terá plantão de 12 policiais durante todo o dia. Na noite de ontem, o governador José Roberto Arruda também inaugurou a obra de iluminação pública da 1ª Avenida Norte/Sul de Samambaia. Em um trecho de seis quilômetros da via, 309 postes de luz foram instalados.

Distribuição dos profissionais

Médicos - 641
Enfermeiros - 186
Cirurgiões dentistas - 26
Especialistas (como nutricionistas, bioquímicos e fonoaudiólogos) - 27
Técnicos em Saúde - 355
Agentes administrativos - 180
Total: 1.415


Secretaria apura fraude

Uma denúncia anônima evitou que a Secretaria de Saúde jogasse mais de R$ 12 milhões pelo ralo, por meio de uma licitação com indícios de fraude. O pedido de compra original, datado de janeiro de 2007, solicitava a aquisição de 35 cadeiras fixas, cinco giratórias, cinco mesas para escritório, outras cinco para refeitório e 500 armários. O material serviria para repor mobiliário no Hospital Regional de Taguatinga (HRT). O pagamento não chegou a ser feito e o processo foi cancelado.

A direção do hospital fez o pedido para a Unidade de Administração Geral (UAG) da secretaria, que dimensionou o custo da compra em cerca de R$ 4,1 milhões. A solicitação foi então enviada para a Central de Compras do GDF, que devolveu a documentação à secretaria para ajustes. Quando o pedido voltou para a Central, o custo total havia pulado para aproximadamente R$ 16 milhões. O preço unitário das cadeiras fixas tinha sido superfaturado, de R$ 225,98 para R$ 1.197,37, e o das giratórias, de R$ 278,88 para R$ 1.425,88. No caso das mesas de escritório, o preço subiu de R$ 421,37 para R$ 3.192,24. Já as mesas para refeições começaram o processo cotadas em R$ 1.588,50 e terminaram em R$ 4.744,72 cada. Os armários subiram de R$ 748 para R$ 1.655,03, ou seja, mais que dobraram de preço.

O levantamento feito pelos técnicos aponta que a fraude ocorreu no caminho de volta do processo da Central de Compras para UAG. Segundo os auditores, ainda havia indícios de direcionamento da compra para uma determinada empresa fornecedora de móveis para escritórios. A auditoria deve ser concluída em um semana.

Segundo o secretário de Saúde, Augusto Carvalho, se for constatada participação de servidor público na fraude, “o responsável será punido à luz do estatuto do serviço público”. (LC)