antigas Publicado: 11/07/2007 | 10:04

Encontro e diálogo confirmados

Lilian Tahan
Correio Braziliense

O grampo da polícia que levantou suspeitas sobre o envolvimento do ex-deputado distrital e futuro senador da República Gim Argello (PTB) foi o tema da conversa entre o petebista e seu advogado, Maurício Corrêa, na tarde da última segunda-feira. Os dois se falaram por mais de duas horas para esmiuçar os detalhes das acusações que pesam contra Gim. “Nessas horas, o advogado é como o confessor que precisa estar a par de tudo”, disse Corrêa, ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele estuda a possibilidade de entrar com um mandado de segurança na alta Corte tão logo Gim tome posse, para evitar que o cliente responda a um processo administrativo depois de assumir a vaga deixada pelo ex-parlamentar Joaquim Roriz (PMDB).

Uma das “confissões” de Gim ao advogado foi a conversa que o colocou na lista dos suspeitos da polícia e do Ministério Público. O petebista reproduziu a Corrêa o teor de um diálogo gravado no dia 9 de março entre o empresário Nilson Wanderlei, um dos 20 presos na Operação Aquarela, e Deodomiro Alves Silva. Na ocasião, Deodomiro marcou encontro com Wanderlei para tratar de assunto pessoal e disse que se a Polícia Federal resolvesse baixar ali prenderia a todos porque no escritório só “tinha bandido”. O interlocutor referia-se a Gim e ao empresário Nenê Constantino, que estavam no mesmo ambiente. O petebista confirmou o encontro e o diálogo à Corrêa. Disse que a acusação de Deodomiro foi, na verdade, uma “brincadeira boba”.

Indícios
Para a polícia, a conversa é um dos indícios de que Gim pode ter participado de uma operação milionária revestida de suspeitas. Em agosto do ano passado um terreno (no Setor de Áreas Isoladas Sudoeste, em frente ao Carrefour Sul) que teve sua destinação de uso modificada pela Câmara Legislativa foi vendido com valorização de 210%. O protagonista do negócio foi o ex-deputado distrital Wigberto Tartuce, o Vigão, dono da Alphaville Marketing, que arrematou o terreno e o revendeu para a construtora Antares com lucro de R$ 31 milhões. O negócio foi feito em nome de Deodomiro Silva. Soube-se na época do interesse de Nenê Constantino pela transação.

Corrêa diz que ficou aliviado depois da conversa com Gim. “Se o que existe contra ele é essa conversa, não há nada de mais”, avalia o advogado, que condenou o vazamento de informações sigilosas da polícia. Mas o trecho captado nos grampos telefônicos e a confirmação de que Gim é alvo da Operação Aquarela são argumentos suficientes, na opinião do Corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP), para a apuração dos fatos pelo Legislativo. Ele tem dito publicamente que pretende abrir investigação sobre as suspeitas que envolvem Gim, assim que o petebista se apresentar para o cargo no Senado.

 Fortuna em relógios

 

O Instituto de Criminalística (IC) da Polícia Civil do DF concluiu a perícia dos objetos pessoais apreendidos durante a Operação Aquarela. Os peritos analisaram 61 relógios, além de jóias, e estimaram em R$ 343 mil o valor das mercadorias. As peças mais caras, de acordo com dois laudos, são três relógios: um Vacheron Constantin com pulseira de ouro (R$ 50 mil) e um Augerars Pigguet com pulseira de ouro (R$ 50 mil). A maior parte dos relógios foi encontrada na casa do ex-presidente do BRB Tarcísio Franklim de Moura.

Lilian Tahan
Correio Braziliense

O grampo da polícia que levantou suspeitas sobre o envolvimento do ex-deputado distrital e futuro senador da República Gim Argello (PTB) foi o tema da conversa entre o petebista e seu advogado, Maurício Corrêa, na tarde da última segunda-feira. Os dois se falaram por mais de duas horas para esmiuçar os detalhes das acusações que pesam contra Gim. “Nessas horas, o advogado é como o confessor que precisa estar a par de tudo”, disse Corrêa, ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele estuda a possibilidade de entrar com um mandado de segurança na alta Corte tão logo Gim tome posse, para evitar que o cliente responda a um processo administrativo depois de assumir a vaga deixada pelo ex-parlamentar Joaquim Roriz (PMDB).

Uma das “confissões” de Gim ao advogado foi a conversa que o colocou na lista dos suspeitos da polícia e do Ministério Público. O petebista reproduziu a Corrêa o teor de um diálogo gravado no dia 9 de março entre o empresário Nilson Wanderlei, um dos 20 presos na Operação Aquarela, e Deodomiro Alves Silva. Na ocasião, Deodomiro marcou encontro com Wanderlei para tratar de assunto pessoal e disse que se a Polícia Federal resolvesse baixar ali prenderia a todos porque no escritório só “tinha bandido”. O interlocutor referia-se a Gim e ao empresário Nenê Constantino, que estavam no mesmo ambiente. O petebista confirmou o encontro e o diálogo à Corrêa. Disse que a acusação de Deodomiro foi, na verdade, uma “brincadeira boba”.

Indícios
Para a polícia, a conversa é um dos indícios de que Gim pode ter participado de uma operação milionária revestida de suspeitas. Em agosto do ano passado um terreno (no Setor de Áreas Isoladas Sudoeste, em frente ao Carrefour Sul) que teve sua destinação de uso modificada pela Câmara Legislativa foi vendido com valorização de 210%. O protagonista do negócio foi o ex-deputado distrital Wigberto Tartuce, o Vigão, dono da Alphaville Marketing, que arrematou o terreno e o revendeu para a construtora Antares com lucro de R$ 31 milhões. O negócio foi feito em nome de Deodomiro Silva. Soube-se na época do interesse de Nenê Constantino pela transação.

Corrêa diz que ficou aliviado depois da conversa com Gim. “Se o que existe contra ele é essa conversa, não há nada de mais”, avalia o advogado, que condenou o vazamento de informações sigilosas da polícia. Mas o trecho captado nos grampos telefônicos e a confirmação de que Gim é alvo da Operação Aquarela são argumentos suficientes, na opinião do Corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP), para a apuração dos fatos pelo Legislativo. Ele tem dito publicamente que pretende abrir investigação sobre as suspeitas que envolvem Gim, assim que o petebista se apresentar para o cargo no Senado.

 Fortuna em relógios

 

O Instituto de Criminalística (IC) da Polícia Civil do DF concluiu a perícia dos objetos pessoais apreendidos durante a Operação Aquarela. Os peritos analisaram 61 relógios, além de jóias, e estimaram em R$ 343 mil o valor das mercadorias. As peças mais caras, de acordo com dois laudos, são três relógios: um Vacheron Constantin com pulseira de ouro (R$ 50 mil) e um Augerars Pigguet com pulseira de ouro (R$ 50 mil). A maior parte dos relógios foi encontrada na casa do ex-presidente do BRB Tarcísio Franklim de Moura.