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Publicado: 14/09/2007 | 09:54
Gosto amargo depois da absolvição
Leandro Colon e Ugo Braga
Correio Braziliense
Correio Braziliense
Partidos de oposição admitem traições durante julgamento no plenário que livrou Renan. Os petistas também foram alvo de críticas entre senadores
Ninguém discute no Senado que o voto secreto salvou o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), no julgamento da última quarta-feira. A procura agora é pelos senadores responsáveis por sua absolvição. Em clima de ressaca política, o Senado viveu ontem um dia de balanço da votação. Nas contas da oposição e de governistas, o PT aparece como protagonista da maioria das seis abstenções e integrantes do DEM e do PSDB surgem entre os 40 votos a favor de Renan. Ao todo, 35 optaram pela cassação, seis a menos que o necessário.
Nos corredores vazios, bem diferente da confusão de quarta-feira, senadores avaliaram ontem a responsabilidade pelo resultado. Há um consenso de que a absolvição não deve ser debitada somente na conta petista. A oposição admite traições, embora não pretenda, por enquanto, seguir o caminho da retaliação. “O PT foi responsável pela abstenção. Mas houve traições nos outros partidos”, disse Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), desafeto político de Renan e sempre apontado como eventual candidato da oposição para sucedê-lo.
Na contabilidade informal feita por alguns senadores, predomina a avaliação de que, pelo menos, quatro abstenções foram do PT. Isso diante de um cenário em que senadores de outros partidos, como Francisco Dornelles (PP-RJ) e Mão Santa (PMDB-PI), e até o próprio Renan, indicaram que também optaram pela abstenção.
Na oposição, as defecções saem de DEM e PSDB. Pelo menos cinco dos 17 senadores do DEM teriam votado pela absolvição de Renan. No PSDB, três dos 13 senadores sempre aparecem a favor do presidente do Senado. São parlamentares que, apesar de ocupar uma cadeira da oposição, nunca esconderam a proximidade com Renan e seu grupo político.
“É de se supor que não houve (traição). Mas se contarmos os votos do PMDB, do PDT, do PSol que vieram para cá, pode ser que tenha havido (traição)”, afirmou o líder do DEM, José Agripino (RN). “Se aconteceu, é um fato que lamento, só posso lamentar”, ressaltou. Caça às bruxas? “De jeito nenhum, esse assunto já passou.”
Um dos autores do pedido de cassação no Conselho de Ética, Renato Casagrande (PSB-ES) não hesitou em criticar os colegas. “Muitos que falaram que votariam a favor do relatório pela cassação não fizeram isso. É leviano apontar um partido. Temos votos no PT e em outros partidos pela absolvição”, afirmou.
Aloizio Mercadante (PT-SP), que diz ter votado pela abstenção, saiu em defesa do seu partido. “O PT nunca disse que votaria pela cassação. A alegação dos senadores (da oposição) não tem procedência”, disse, lembrando que o PT liberou sua bancada na votação.
Bola da vez
Mercadante, aliás, foi a bola da vez dos senadores em conversas reservadas. Muitos o criticaram por ameaçar apresentar um requerimento durante a sessão para adiar a votação. Para alguns senadores, Mercadante tentou lucrar politicamente com a manobra. O petista nega essa intenção, mas admite que pode ter errado ao propor o adiamento naquele momento. “A minha sugestão foi tardia, eu reconheço. Não apresentei antes porque não tinha pensando isso. E não a formalizei em plenário porque o Renan não aceitou, e a oposição disse que era manobra. Fui vencido na tentativa”, afirmou.
Mercadante, aliás, foi a bola da vez dos senadores em conversas reservadas. Muitos o criticaram por ameaçar apresentar um requerimento durante a sessão para adiar a votação. Para alguns senadores, Mercadante tentou lucrar politicamente com a manobra. O petista nega essa intenção, mas admite que pode ter errado ao propor o adiamento naquele momento. “A minha sugestão foi tardia, eu reconheço. Não apresentei antes porque não tinha pensando isso. E não a formalizei em plenário porque o Renan não aceitou, e a oposição disse que era manobra. Fui vencido na tentativa”, afirmou.
Leandro Colon e Ugo Braga
Correio Braziliense
Correio Braziliense
Partidos de oposição admitem traições durante julgamento no plenário que livrou Renan. Os petistas também foram alvo de críticas entre senadores
Ninguém discute no Senado que o voto secreto salvou o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), no julgamento da última quarta-feira. A procura agora é pelos senadores responsáveis por sua absolvição. Em clima de ressaca política, o Senado viveu ontem um dia de balanço da votação. Nas contas da oposição e de governistas, o PT aparece como protagonista da maioria das seis abstenções e integrantes do DEM e do PSDB surgem entre os 40 votos a favor de Renan. Ao todo, 35 optaram pela cassação, seis a menos que o necessário.
Nos corredores vazios, bem diferente da confusão de quarta-feira, senadores avaliaram ontem a responsabilidade pelo resultado. Há um consenso de que a absolvição não deve ser debitada somente na conta petista. A oposição admite traições, embora não pretenda, por enquanto, seguir o caminho da retaliação. “O PT foi responsável pela abstenção. Mas houve traições nos outros partidos”, disse Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), desafeto político de Renan e sempre apontado como eventual candidato da oposição para sucedê-lo.
Na contabilidade informal feita por alguns senadores, predomina a avaliação de que, pelo menos, quatro abstenções foram do PT. Isso diante de um cenário em que senadores de outros partidos, como Francisco Dornelles (PP-RJ) e Mão Santa (PMDB-PI), e até o próprio Renan, indicaram que também optaram pela abstenção.
Na oposição, as defecções saem de DEM e PSDB. Pelo menos cinco dos 17 senadores do DEM teriam votado pela absolvição de Renan. No PSDB, três dos 13 senadores sempre aparecem a favor do presidente do Senado. São parlamentares que, apesar de ocupar uma cadeira da oposição, nunca esconderam a proximidade com Renan e seu grupo político.
“É de se supor que não houve (traição). Mas se contarmos os votos do PMDB, do PDT, do PSol que vieram para cá, pode ser que tenha havido (traição)”, afirmou o líder do DEM, José Agripino (RN). “Se aconteceu, é um fato que lamento, só posso lamentar”, ressaltou. Caça às bruxas? “De jeito nenhum, esse assunto já passou.”
Um dos autores do pedido de cassação no Conselho de Ética, Renato Casagrande (PSB-ES) não hesitou em criticar os colegas. “Muitos que falaram que votariam a favor do relatório pela cassação não fizeram isso. É leviano apontar um partido. Temos votos no PT e em outros partidos pela absolvição”, afirmou.
Aloizio Mercadante (PT-SP), que diz ter votado pela abstenção, saiu em defesa do seu partido. “O PT nunca disse que votaria pela cassação. A alegação dos senadores (da oposição) não tem procedência”, disse, lembrando que o PT liberou sua bancada na votação.
Bola da vez
Mercadante, aliás, foi a bola da vez dos senadores em conversas reservadas. Muitos o criticaram por ameaçar apresentar um requerimento durante a sessão para adiar a votação. Para alguns senadores, Mercadante tentou lucrar politicamente com a manobra. O petista nega essa intenção, mas admite que pode ter errado ao propor o adiamento naquele momento. “A minha sugestão foi tardia, eu reconheço. Não apresentei antes porque não tinha pensando isso. E não a formalizei em plenário porque o Renan não aceitou, e a oposição disse que era manobra. Fui vencido na tentativa”, afirmou.
Mercadante, aliás, foi a bola da vez dos senadores em conversas reservadas. Muitos o criticaram por ameaçar apresentar um requerimento durante a sessão para adiar a votação. Para alguns senadores, Mercadante tentou lucrar politicamente com a manobra. O petista nega essa intenção, mas admite que pode ter errado ao propor o adiamento naquele momento. “A minha sugestão foi tardia, eu reconheço. Não apresentei antes porque não tinha pensando isso. E não a formalizei em plenário porque o Renan não aceitou, e a oposição disse que era manobra. Fui vencido na tentativa”, afirmou.