antigas Publicado: 29/10/2007 | 08:49

Justiça garante decisões do GDF

Lilian Tahan
Correio Braziliense

As principais questões de interesse do Distrito Federal este ano foram parar no judiciário. Entre elas, venda direta de lotes em condomínios e cumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal pela Câmara Legislativa

Todas as questões consideradas cruciais para o governo local neste primeiro ano de gestão passaram pelo crivo da Justiça. Venda direta de imóveis, derrubada de casas em condomínios irregulares, proibição de vans e tomada de empréstimos estão entre os pontos mais polêmicos das ações do Executivo que tiveram participação do Judiciário. Em três casos, a última palavra veio do Supremo Tribunal Federal (STF).

Na semana passada, um dos temas de maior interesse para o GDF foi decidido no Plenário do STF. Trata-se de um dispositivo jurídico – embargo declaratório – sobre o prazo que a Câmara Legislativa terá para se adequar à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Por unanimidade, os ministros concordaram com a tese do Executivo e do Legislativo local de que seria razoável conceder tempo de oito meses para medir o efeito dos cortes praticados na folha de pagamento da Casa.

A votação que abriu caminho para o governo pegar empréstimos com bancos internacionais – um dos pré-requisitos para a tomada crédito é a obediência à lei – foi o desdobramento de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) analisada em junho também no Supremo. Na ocasião, os ministros consideraram improcedente a Adin que pretendia fixar patamar de gastos com pessoal compatíveis com a dos municípios e determinou o limite de despesas de 3% da Receita Corrente Líquida. 
 
Sentenças estratégicas
O primeiro assunto importante para o GDF que dependeu de veredicto da Justiça foi a venda direta de imóveis em condomínios considerados irregulares. Em abril, o Supremo Tribunal Federal autorizou o governo a negociar com os próprios moradores as casas erguidas em terrenos públicos. Isso foi possível porque nove ministros resolveram derrubar uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) referente à lei de autoria do então deputado federal e atual governador José Roberto Arruda e do deputado Augusto Carvalho. Apenas dois ministros foram contrários à decisão: Cármem Lúcia e o relator da ação Joaquim Barbosa.

O procurador-geral do GDF, Túlio Arantes, afirma que a área
jurídica do governo foi acionada em praticamente todos os temas relevantes do GDF. “Pavimentamos o caminho para as medidas mais polêmicas do governador Arruda”, afirmou Túlio. Na opinião do assessor jurídico da administração local, Marcelo Galvão, o encaminhamento dado pela instância máxima da Justiça aos itens de interesse do governo foram fundamentais para viabilizar a gestão Arruda. Galvão atribui os ganhos de causa do Executivo no Supremo à disposição do GDF em “trazer Brasília para a legalidade”.

Duas outras iniciativas do governo foram a julgamento, mas tiveram um ponto final no Tribunal de Justiça do DF. Uma delas foi a retirada das vans irregulares de circulação. A medida inaugurou o programa de governo para reformular o sistema de transporte na cidade. A determinação, no entanto, perdeu efeito em função de uma liminar concedida pela primeira instância da Justiça local. O GDF recorreu e ganhou no TJDF.

Condomínios
Caminho idêntico percorreu a ordem de derrubada de casas no condomínio Quintas da Alvorada, no Lago Sul. O Executivo conseguiu manter a decisão de interromper as construções existentes com o amparo também do TJDF.

O procurador-geral de Justiça do DF, Leonardo Bandarra, avalia que a participação do Judiciário para encaminhar assuntos do GDF revela uma mudança de comportamento desse poder. Para Bandarra, a Justiça tem demonstrado disposição e aparelhamento suficientes para colocar na pauta e julgar casos imprescindíveis para o DF. “A grande novidade é que o Judiciário está decidindo sobre assuntos que há muito tempo estavam parados à espera de julgamento”, considera o procurador-geral. (LT) 
 
Os principais julgamentos

A decisão mais recente da Justiça sobre tema de interesse para o GDF ocorreu na semana passada. Os ministros do Supremo Tribunal Federal votaram a favor do relatório de Carlos Ayres Britto, o qual acatou recurso do Executivo para conceder prazo de oito meses até que os deputados comprovem obediência à Lei de Responsabilidade Fiscal. O entendimento permite ao GDF pegar empréstimos internacionais.

Em junho, o Supremo derrubou a Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) que propunha fixar o limite de gastos do Poder Legislativo com pessoal em 6% da Receita Corrente Líquida - patamar atribuído aos municípios. A interpretação dos ministros foi a de que para efeito da LRF, o Distrito Federal deve ser tratado como estado e respeitar o teto de despesas de 3%.

A primeira votação no Supremo que interferiu na rotina do GDF foi sobre a venda direta de imóveis em condomínios irregulares. No final de abril, nove dos onze ministros do STF consideraram válida a lei que permitia o governo negociar com os moradores as casas construídas em áreas públicas. Apenas dois ministros foram contrários à decisão: Carmem Lúcia e o relator da ação, Joaquim Barbosa.

A retirada das vans irregulares de circulação foi assunto decidido judicialmente, mas com desfecho no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios. Uma das iniciativas no início da gestão Arruda foi proibir a atuação do sistema alternativo de transporte. A ordem do Executivo, entretanto, foi invalidada em razão de uma liminar concedida pela primeira instância da Justiça local. O GDF recorreu e ganhou no TJDFT.

O Tribunal de Justiça também colocou um ponto final na derrubada de casas no condomínio Quintas da Alvorada, no Lago Sul. Para manter a decisão de interromper as construções consideradas irregulares pelo GDF, o Executivo local recorreu ao TJDFT e tornou sem efeito uma liminar que impedia a ação do governo.

Lilian Tahan
Correio Braziliense

As principais questões de interesse do Distrito Federal este ano foram parar no judiciário. Entre elas, venda direta de lotes em condomínios e cumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal pela Câmara Legislativa

Todas as questões consideradas cruciais para o governo local neste primeiro ano de gestão passaram pelo crivo da Justiça. Venda direta de imóveis, derrubada de casas em condomínios irregulares, proibição de vans e tomada de empréstimos estão entre os pontos mais polêmicos das ações do Executivo que tiveram participação do Judiciário. Em três casos, a última palavra veio do Supremo Tribunal Federal (STF).

Na semana passada, um dos temas de maior interesse para o GDF foi decidido no Plenário do STF. Trata-se de um dispositivo jurídico – embargo declaratório – sobre o prazo que a Câmara Legislativa terá para se adequar à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Por unanimidade, os ministros concordaram com a tese do Executivo e do Legislativo local de que seria razoável conceder tempo de oito meses para medir o efeito dos cortes praticados na folha de pagamento da Casa.

A votação que abriu caminho para o governo pegar empréstimos com bancos internacionais – um dos pré-requisitos para a tomada crédito é a obediência à lei – foi o desdobramento de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) analisada em junho também no Supremo. Na ocasião, os ministros consideraram improcedente a Adin que pretendia fixar patamar de gastos com pessoal compatíveis com a dos municípios e determinou o limite de despesas de 3% da Receita Corrente Líquida. 
 
Sentenças estratégicas
O primeiro assunto importante para o GDF que dependeu de veredicto da Justiça foi a venda direta de imóveis em condomínios considerados irregulares. Em abril, o Supremo Tribunal Federal autorizou o governo a negociar com os próprios moradores as casas erguidas em terrenos públicos. Isso foi possível porque nove ministros resolveram derrubar uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) referente à lei de autoria do então deputado federal e atual governador José Roberto Arruda e do deputado Augusto Carvalho. Apenas dois ministros foram contrários à decisão: Cármem Lúcia e o relator da ação Joaquim Barbosa.

O procurador-geral do GDF, Túlio Arantes, afirma que a área
jurídica do governo foi acionada em praticamente todos os temas relevantes do GDF. “Pavimentamos o caminho para as medidas mais polêmicas do governador Arruda”, afirmou Túlio. Na opinião do assessor jurídico da administração local, Marcelo Galvão, o encaminhamento dado pela instância máxima da Justiça aos itens de interesse do governo foram fundamentais para viabilizar a gestão Arruda. Galvão atribui os ganhos de causa do Executivo no Supremo à disposição do GDF em “trazer Brasília para a legalidade”.

Duas outras iniciativas do governo foram a julgamento, mas tiveram um ponto final no Tribunal de Justiça do DF. Uma delas foi a retirada das vans irregulares de circulação. A medida inaugurou o programa de governo para reformular o sistema de transporte na cidade. A determinação, no entanto, perdeu efeito em função de uma liminar concedida pela primeira instância da Justiça local. O GDF recorreu e ganhou no TJDF.

Condomínios
Caminho idêntico percorreu a ordem de derrubada de casas no condomínio Quintas da Alvorada, no Lago Sul. O Executivo conseguiu manter a decisão de interromper as construções existentes com o amparo também do TJDF.

O procurador-geral de Justiça do DF, Leonardo Bandarra, avalia que a participação do Judiciário para encaminhar assuntos do GDF revela uma mudança de comportamento desse poder. Para Bandarra, a Justiça tem demonstrado disposição e aparelhamento suficientes para colocar na pauta e julgar casos imprescindíveis para o DF. “A grande novidade é que o Judiciário está decidindo sobre assuntos que há muito tempo estavam parados à espera de julgamento”, considera o procurador-geral. (LT) 
 
Os principais julgamentos

A decisão mais recente da Justiça sobre tema de interesse para o GDF ocorreu na semana passada. Os ministros do Supremo Tribunal Federal votaram a favor do relatório de Carlos Ayres Britto, o qual acatou recurso do Executivo para conceder prazo de oito meses até que os deputados comprovem obediência à Lei de Responsabilidade Fiscal. O entendimento permite ao GDF pegar empréstimos internacionais.

Em junho, o Supremo derrubou a Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) que propunha fixar o limite de gastos do Poder Legislativo com pessoal em 6% da Receita Corrente Líquida - patamar atribuído aos municípios. A interpretação dos ministros foi a de que para efeito da LRF, o Distrito Federal deve ser tratado como estado e respeitar o teto de despesas de 3%.

A primeira votação no Supremo que interferiu na rotina do GDF foi sobre a venda direta de imóveis em condomínios irregulares. No final de abril, nove dos onze ministros do STF consideraram válida a lei que permitia o governo negociar com os moradores as casas construídas em áreas públicas. Apenas dois ministros foram contrários à decisão: Carmem Lúcia e o relator da ação, Joaquim Barbosa.

A retirada das vans irregulares de circulação foi assunto decidido judicialmente, mas com desfecho no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios. Uma das iniciativas no início da gestão Arruda foi proibir a atuação do sistema alternativo de transporte. A ordem do Executivo, entretanto, foi invalidada em razão de uma liminar concedida pela primeira instância da Justiça local. O GDF recorreu e ganhou no TJDFT.

O Tribunal de Justiça também colocou um ponto final na derrubada de casas no condomínio Quintas da Alvorada, no Lago Sul. Para manter a decisão de interromper as construções consideradas irregulares pelo GDF, o Executivo local recorreu ao TJDFT e tornou sem efeito uma liminar que impedia a ação do governo.