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Publicado: 10/01/2008 | 08:50
Filiações do PDT sob suspeita
Lilian Tahan
Correio Braziliense
Correio Braziliense
Legenda amplia lista de militantes no Distrito Federal com servidores da administração de Sobradinho, que é chefiada por um pedetista
Funcionários contratados pela administração de Sobradinho, que é liderada por um pedetista, ampliaram a lista de filiações do PDT. Em muitos casos, relatados pelos próprios servidores, o compromisso com o partido não foi espontâneo. Ocorreu a partir de um pedido de pessoas ligadas ao administrador da cidade, Eduardo Lopes. As filiações recentes ao partido reforçaram o peso de Sobradinho na convenção regional, em outubro. Apesar de não ser a cidade mais populosa do Distrito Federal, foi a que registrou o segundo maior número de votos (230) no pleito interno.
Servidores contratados no primeiro semestre de 2007 disseram à reportagem do Correio que pouco depois de terem sido efetivados nos cargos, foram incentivados a entrar no partido. Um dos entrevistados conta que as fichas de filiação foram levadas até a administração e entregues aos funcionários por um colaborador político de Eduardo Barbosa. “Eu nunca tive nenhum interesse em entrar em partido algum, mas aceitei a sugestão para não contrariar interesses”, comenta um servidor.
Outro recém-pedetista também confirma que a identidade partidária foi posterior ao emprego na administração de Sobradinho. “Fui convidado pelo pessoal do administrador, mas não me senti pressionado, até porque me identifico com as diretrizes da legenda”, diz. O colega dele, no entanto, considerou o convite uma ordem: “Não é todo mundo que tem coragem de negar uma sugestão do chefe, né?”. Segundo os comissionados, o discurso para convencer integrantes da equipe de Eduardo a fazer parte do PDT é o de que o partido precisa se fortalecer no DF. Os nomes das pessoas ouvidas pela reportagem foram mantidos em sigilo a pedido dos servidores, que temem retaliação.
O administrador de Sobradinho, Eduardo Lopes (PDT), nega que tenha influenciado na decisão de qualquer um dos seus funcionários em se filiar ao PDT. “Fiquei muito magoado com essa história. Nunca pedi nem à minha mãe, meu ao pai, ou meus irmãos que entrassem para o meu partido com o objetivo de me ajudar”, afirmou Lopes. O chefe da administração de Sobradinho foi indicado para ocupar o cargo pelo atual secretário de Justiça e Cidadania que está licenciado do cargo de deputado distrital, Raimundo Ribeiro. O parlamentar é responsável por boa parte das indicações dos cargos comissionados da cidade.
Erro
Na opinião do presidente regional do partido, senador Cristovam Buarque, militância forçada não funciona. Mas o político acha duvidoso que o administrador tenha sugestionado os subordinados a entrar no partido em vez de ter optado por eleger correligionários já filiados. “É no mínimo estranho”, avaliou Cristovam. Para o presidente da sigla se “alguém ingressou no PDT sem ter amor à causa é melhor que saia e fique longe”.
O deputado pelo PDT Antônio Reguffe conta que, após a sua eleição, alguns servidores do gabinete por iniciativa própria se filiaram ao partido. O distrital considera errado qualquer tipo de obrigação nesse sentido. “Se houve coação, o responsável tem que ser punido com rigor. É inadmissível que se utilize da máquina do Estado para se obter proveito político-partidário”, considera o parlamentar.
Lilian Tahan
Correio Braziliense
Correio Braziliense
Legenda amplia lista de militantes no Distrito Federal com servidores da administração de Sobradinho, que é chefiada por um pedetista
Funcionários contratados pela administração de Sobradinho, que é liderada por um pedetista, ampliaram a lista de filiações do PDT. Em muitos casos, relatados pelos próprios servidores, o compromisso com o partido não foi espontâneo. Ocorreu a partir de um pedido de pessoas ligadas ao administrador da cidade, Eduardo Lopes. As filiações recentes ao partido reforçaram o peso de Sobradinho na convenção regional, em outubro. Apesar de não ser a cidade mais populosa do Distrito Federal, foi a que registrou o segundo maior número de votos (230) no pleito interno.
Servidores contratados no primeiro semestre de 2007 disseram à reportagem do Correio que pouco depois de terem sido efetivados nos cargos, foram incentivados a entrar no partido. Um dos entrevistados conta que as fichas de filiação foram levadas até a administração e entregues aos funcionários por um colaborador político de Eduardo Barbosa. “Eu nunca tive nenhum interesse em entrar em partido algum, mas aceitei a sugestão para não contrariar interesses”, comenta um servidor.
Outro recém-pedetista também confirma que a identidade partidária foi posterior ao emprego na administração de Sobradinho. “Fui convidado pelo pessoal do administrador, mas não me senti pressionado, até porque me identifico com as diretrizes da legenda”, diz. O colega dele, no entanto, considerou o convite uma ordem: “Não é todo mundo que tem coragem de negar uma sugestão do chefe, né?”. Segundo os comissionados, o discurso para convencer integrantes da equipe de Eduardo a fazer parte do PDT é o de que o partido precisa se fortalecer no DF. Os nomes das pessoas ouvidas pela reportagem foram mantidos em sigilo a pedido dos servidores, que temem retaliação.
O administrador de Sobradinho, Eduardo Lopes (PDT), nega que tenha influenciado na decisão de qualquer um dos seus funcionários em se filiar ao PDT. “Fiquei muito magoado com essa história. Nunca pedi nem à minha mãe, meu ao pai, ou meus irmãos que entrassem para o meu partido com o objetivo de me ajudar”, afirmou Lopes. O chefe da administração de Sobradinho foi indicado para ocupar o cargo pelo atual secretário de Justiça e Cidadania que está licenciado do cargo de deputado distrital, Raimundo Ribeiro. O parlamentar é responsável por boa parte das indicações dos cargos comissionados da cidade.
Erro
Na opinião do presidente regional do partido, senador Cristovam Buarque, militância forçada não funciona. Mas o político acha duvidoso que o administrador tenha sugestionado os subordinados a entrar no partido em vez de ter optado por eleger correligionários já filiados. “É no mínimo estranho”, avaliou Cristovam. Para o presidente da sigla se “alguém ingressou no PDT sem ter amor à causa é melhor que saia e fique longe”.
O deputado pelo PDT Antônio Reguffe conta que, após a sua eleição, alguns servidores do gabinete por iniciativa própria se filiaram ao partido. O distrital considera errado qualquer tipo de obrigação nesse sentido. “Se houve coação, o responsável tem que ser punido com rigor. É inadmissível que se utilize da máquina do Estado para se obter proveito político-partidário”, considera o parlamentar.