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Publicado: 11/12/2007 | 09:51
Proposta indecente pela CPMF
Lilian Tahan e Izabelle Torres
Correio Braziliense
Correio Braziliense
Numa tentativa frustada, articuladores do Planalto tentam deslocar Adelmir Santana para o GDF, abrindo espaço a um suplente do PMDB, partido favorável à prorrogação do imposto do cheque no Senado
Na ansiedade de conseguir maioria no Senado Federal para prorrogar a CPMF, o governo federal tentou de tudo. Até mesmo trocar senador de oposição. Uma das possibilidades engendradas para somar votos a favor do imposto sobre os cheques foi deslocar o senador Adelmir Santana (DEM-DF) do posto que ocupa na Casa para abrir espaço a seu substituto, um segundo-suplente peemedebista que, segundo os cálculos palacianos, seria mais fácil cooptar.
A idéia nascida entre articulares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi a de propor ao chefe do Executivo do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), que abrisse uma vaga de secretário de estado na estrutura do GDF para abrigar Adelmir Santana. O político substituiu o atual vice-governador do DF, Paulo Octávio (DEM), no início do ano. Com o deslocamento do parlamentar, a vaga no Senado passaria a ser ocupada por Abdala Karim Nabut, filiado ao PMDB — partido que integra a base de apoio do governo federal.
A proposta chegou aos ouvidos do governador do DF há uns 20 dias. “Realmente fui sondado por um emissário do Planalto, mas descartei a possibilidade na hora”, disse Arruda. Mesmo dentro do partido, que no Congresso Nacional faz oposição a Lula, o chefe do Executivo no DF não se coloca como um crítico da CPMF: “Nem acho que seja um dos piores impostos, mas o meu partido fechou questão sobre o tema, decisão que vou acompanhar”.
Em janeiro, ele foi o anfitrião de um encontro em Brasília no qual os governadores propunham fechar apoio à prorrogação do imposto desde que o tributo fosse partilhado (uma fatia de 30%) entre estados e municípios. Os recursos deveriam ser investidos em saúde. Na opinião de Arruda, um acordo prévio com os representantes estaduais teria saído mais barato e menos desgastante para o governo que, agora, negocia afoito voto a voto da matéria.
Simpatia
A simpatia de Adelmir ao governo federal (reiteradamente expressa pelo senador), o desejo do parlamentar de ter mais espaço no GDF ( há menos de dois meses, ele ameaçou sair do partido para pleitear mais poder na administração local) e mais a boa vontade de Arruda para com o presidente Lula (a relação entre os dois tem se mostrado bastante amistosa) levou os articulares do governo a imaginar uma composição com o GDF em prol da CPMF.
Com a pronta negativa de Arruda, a hipótese de uma oferta no GDF não chegou a se concretizar. Mas a tentativa do governo federal de articular a transferência de Adelmir com uma mãozinha de Arruda não soou estranha nem mesmo para o senador. O próprio parlamentar tenta especular o motivo do governo para imaginar que uma articulação como essa poderia render um voto a mais para a aprovação do imposto sobre os cheques: “Não nego que sou simpático ao governo e sempre que puder vou ajudar, mas o limite é o fechamento de questão. Sou neófito na política, mas não sou burro”, disse Adelmir.
Realmente fui sondado por um emissário do Planalto, mas descartei a possibilidade na hora
Governador José Roberto Arruda (DEM-DF)
Articulação confirmada
O ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, admitiu ontem a existência de uma articulação com o governador José Roberto Arruda (DEM) para tentar acomodar o senador de oposição Adelmir Santana (DEM) no GDF e assim afastá-lo da decisão sobre a CPMF. O ministro disse, no entanto, que não tem qualquer ligação com o processo costurado nos bastidores do governo. “Eu soube disso. Mas confesso que não acho simpático trocar alguém na véspera da votação”, afirmou.
José Múcio reconheceu a importância de cada voto computado no processo pela aprovação do imposto sobre cheques, mas ressaltou que o governo precisa ser cauteloso nas negociações. “Não queremos realizar atos bruscos e pouco simpáticos. Claro que a intenção é aprovar a matéria e que cada voto é uma multidão. Mas pretendo contar com a consciência dos senadores”, disse.
Lilian Tahan e Izabelle Torres
Correio Braziliense
Correio Braziliense
Numa tentativa frustada, articuladores do Planalto tentam deslocar Adelmir Santana para o GDF, abrindo espaço a um suplente do PMDB, partido favorável à prorrogação do imposto do cheque no Senado
Na ansiedade de conseguir maioria no Senado Federal para prorrogar a CPMF, o governo federal tentou de tudo. Até mesmo trocar senador de oposição. Uma das possibilidades engendradas para somar votos a favor do imposto sobre os cheques foi deslocar o senador Adelmir Santana (DEM-DF) do posto que ocupa na Casa para abrir espaço a seu substituto, um segundo-suplente peemedebista que, segundo os cálculos palacianos, seria mais fácil cooptar.
A idéia nascida entre articulares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi a de propor ao chefe do Executivo do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), que abrisse uma vaga de secretário de estado na estrutura do GDF para abrigar Adelmir Santana. O político substituiu o atual vice-governador do DF, Paulo Octávio (DEM), no início do ano. Com o deslocamento do parlamentar, a vaga no Senado passaria a ser ocupada por Abdala Karim Nabut, filiado ao PMDB — partido que integra a base de apoio do governo federal.
A proposta chegou aos ouvidos do governador do DF há uns 20 dias. “Realmente fui sondado por um emissário do Planalto, mas descartei a possibilidade na hora”, disse Arruda. Mesmo dentro do partido, que no Congresso Nacional faz oposição a Lula, o chefe do Executivo no DF não se coloca como um crítico da CPMF: “Nem acho que seja um dos piores impostos, mas o meu partido fechou questão sobre o tema, decisão que vou acompanhar”.
Em janeiro, ele foi o anfitrião de um encontro em Brasília no qual os governadores propunham fechar apoio à prorrogação do imposto desde que o tributo fosse partilhado (uma fatia de 30%) entre estados e municípios. Os recursos deveriam ser investidos em saúde. Na opinião de Arruda, um acordo prévio com os representantes estaduais teria saído mais barato e menos desgastante para o governo que, agora, negocia afoito voto a voto da matéria.
Simpatia
A simpatia de Adelmir ao governo federal (reiteradamente expressa pelo senador), o desejo do parlamentar de ter mais espaço no GDF ( há menos de dois meses, ele ameaçou sair do partido para pleitear mais poder na administração local) e mais a boa vontade de Arruda para com o presidente Lula (a relação entre os dois tem se mostrado bastante amistosa) levou os articulares do governo a imaginar uma composição com o GDF em prol da CPMF.
Com a pronta negativa de Arruda, a hipótese de uma oferta no GDF não chegou a se concretizar. Mas a tentativa do governo federal de articular a transferência de Adelmir com uma mãozinha de Arruda não soou estranha nem mesmo para o senador. O próprio parlamentar tenta especular o motivo do governo para imaginar que uma articulação como essa poderia render um voto a mais para a aprovação do imposto sobre os cheques: “Não nego que sou simpático ao governo e sempre que puder vou ajudar, mas o limite é o fechamento de questão. Sou neófito na política, mas não sou burro”, disse Adelmir.
Realmente fui sondado por um emissário do Planalto, mas descartei a possibilidade na hora
Governador José Roberto Arruda (DEM-DF)
Articulação confirmada
O ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, admitiu ontem a existência de uma articulação com o governador José Roberto Arruda (DEM) para tentar acomodar o senador de oposição Adelmir Santana (DEM) no GDF e assim afastá-lo da decisão sobre a CPMF. O ministro disse, no entanto, que não tem qualquer ligação com o processo costurado nos bastidores do governo. “Eu soube disso. Mas confesso que não acho simpático trocar alguém na véspera da votação”, afirmou.
José Múcio reconheceu a importância de cada voto computado no processo pela aprovação do imposto sobre cheques, mas ressaltou que o governo precisa ser cauteloso nas negociações. “Não queremos realizar atos bruscos e pouco simpáticos. Claro que a intenção é aprovar a matéria e que cada voto é uma multidão. Mas pretendo contar com a consciência dos senadores”, disse.