antigas Publicado: 14/12/2007 | 08:00

PSDB sai ferido depois da votação do imposto

Correio Braziliense

De um lado Aécio e Serra, que eram favoráveis à CPMF. Do outro, FHC e Virgílio, contrários. Resultado: um partido dividido
 
O plenário do Senado ficou em silêncio poucas vezes durante a sessão de votação da CPMF. Um desses momentos foi para acompanhar o discurso do líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM). Mais que os ataques contra o tributo, o que chamou a atenção foi a admissão pública da divisão interna dos tucanos. “O meu partido tem vivido momentos muito tensos”, reconheceu Virgílio. Depois, ameaçou deixar a liderança da bancada se os senadores tucanos votassem a favor da CPMF.

O discurso expôs uma divisão que só se aprofundou ao longo dos últimos dias. De um lado estavam os governadores do partido, inclusive os dois pré-candidatos à Presidência da República, Aécio Neves (Minas Gerais) e José Serra (São Paulo). Eles defendiam a aprovação da CPMF e tentaram costurar um acordo com o Palácio do Planalto. Conseguiram concessões importantes. O governo aceitou aumentar os recursos para a saúde, prorrogar a CPMF por apenas um ano e fazer a reforma tributária em 2008. “A nova proposta do governo é uma vitória do país”, disse Aécio Neves. “Virarmos as costas para esta proposta apenas para criar mais dificuldades para o governo não é a postura do PSDB.”

O discurso conciliador dos governadores sensibilizou parte da bancada do Senado. Os parlamentares tucanos se reuniram até as 23h30 de terça-feira e voltaram a se encontrar ontem à tarde, pouco antes da votação. Parlamentares defenderam que a bancada fosse liberada ou que o partido reabrisse a negociação com o Planalto. Esbarraram o tempo todo em Arthur Virgílio e sua ameaça de renunciar à liderança. Ele insistia que a bancada se desmoralizaria em caso de recuo.

Proposta
Virgílio foi o ponta de lança do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que hoje comanda a ala radical do PSDB. Para ele, o PSDB deveria derrubar a CPMF a qualquer custo e impor uma derrota ao governo Lula. Ontem, tucanos diziam que Fernando Henrique recuara e aceitava discutir a última proposta do governo. Mas então já era tarde para reverter a posição da bancada.

A queda da CPMF é uma derrota do governo Lula, mas também é uma derrota de Serra, Aécio e os outros governadores do PSDB. Os efeitos no partido serão grandes. Os senadores perceberam isso e tentaram manter uma porta aberta para a negociação. Disseram estar dispostos a discutir uma reforma tributária com o governo a partir de janeiro. Admitem até recriar a CPMF, mesmo que seja com outro nome.

Divergências no ninho
A disputa em torno da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) tem como pano de fundo a queda-de-braço para ver quem manda no PSDB. Os governadores José Serra e Aécio Neves representam a perspectiva de poder do partido. Os dois comandam os estados mais importantes nas mãos de tucanos e aparecem como favoritos na corrida ao Palácio do Planalto em todas as pesquisas de opinião .

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso encarna o discurso radical, que encanta boa parte do PSDB. A divergência apareceu na elaboração do programa e na convenção do partido, há poucas semanas, mas explodiu quando chegou a hora de discutir um assunto vital, como o imposto do cheque.

Os governadores tinham muitos motivos para apoiar o tributo. O primeiro deles é o caixa. A maior parte da arrecadação do tributo vai para estados e municípios. Para São Paulo, ela representa R$ 6 bilhões por ano. O segundo é político. Serra e Aécio apóiam o princípio da CPMF e o tipo de programa social implantado por Lula.

Pesquisas do próprio PSDB mostram que boa parte das intenções de voto deles para 2010 vem da percepção de que eles não representariam um rompimento com o atual governo. Votar contra a CPMF vai contra essa percepção.

Aécio e Serra passaram o dia ao telefone, tentando virar votos. A outra ala tentou evitar um impasse sugerindo que a votação fosse adiada para o ano que vem, dando tempo a uma nova negociação.

Correio Braziliense

De um lado Aécio e Serra, que eram favoráveis à CPMF. Do outro, FHC e Virgílio, contrários. Resultado: um partido dividido
 
O plenário do Senado ficou em silêncio poucas vezes durante a sessão de votação da CPMF. Um desses momentos foi para acompanhar o discurso do líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM). Mais que os ataques contra o tributo, o que chamou a atenção foi a admissão pública da divisão interna dos tucanos. “O meu partido tem vivido momentos muito tensos”, reconheceu Virgílio. Depois, ameaçou deixar a liderança da bancada se os senadores tucanos votassem a favor da CPMF.

O discurso expôs uma divisão que só se aprofundou ao longo dos últimos dias. De um lado estavam os governadores do partido, inclusive os dois pré-candidatos à Presidência da República, Aécio Neves (Minas Gerais) e José Serra (São Paulo). Eles defendiam a aprovação da CPMF e tentaram costurar um acordo com o Palácio do Planalto. Conseguiram concessões importantes. O governo aceitou aumentar os recursos para a saúde, prorrogar a CPMF por apenas um ano e fazer a reforma tributária em 2008. “A nova proposta do governo é uma vitória do país”, disse Aécio Neves. “Virarmos as costas para esta proposta apenas para criar mais dificuldades para o governo não é a postura do PSDB.”

O discurso conciliador dos governadores sensibilizou parte da bancada do Senado. Os parlamentares tucanos se reuniram até as 23h30 de terça-feira e voltaram a se encontrar ontem à tarde, pouco antes da votação. Parlamentares defenderam que a bancada fosse liberada ou que o partido reabrisse a negociação com o Planalto. Esbarraram o tempo todo em Arthur Virgílio e sua ameaça de renunciar à liderança. Ele insistia que a bancada se desmoralizaria em caso de recuo.

Proposta
Virgílio foi o ponta de lança do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que hoje comanda a ala radical do PSDB. Para ele, o PSDB deveria derrubar a CPMF a qualquer custo e impor uma derrota ao governo Lula. Ontem, tucanos diziam que Fernando Henrique recuara e aceitava discutir a última proposta do governo. Mas então já era tarde para reverter a posição da bancada.

A queda da CPMF é uma derrota do governo Lula, mas também é uma derrota de Serra, Aécio e os outros governadores do PSDB. Os efeitos no partido serão grandes. Os senadores perceberam isso e tentaram manter uma porta aberta para a negociação. Disseram estar dispostos a discutir uma reforma tributária com o governo a partir de janeiro. Admitem até recriar a CPMF, mesmo que seja com outro nome.

Divergências no ninho
A disputa em torno da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) tem como pano de fundo a queda-de-braço para ver quem manda no PSDB. Os governadores José Serra e Aécio Neves representam a perspectiva de poder do partido. Os dois comandam os estados mais importantes nas mãos de tucanos e aparecem como favoritos na corrida ao Palácio do Planalto em todas as pesquisas de opinião .

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso encarna o discurso radical, que encanta boa parte do PSDB. A divergência apareceu na elaboração do programa e na convenção do partido, há poucas semanas, mas explodiu quando chegou a hora de discutir um assunto vital, como o imposto do cheque.

Os governadores tinham muitos motivos para apoiar o tributo. O primeiro deles é o caixa. A maior parte da arrecadação do tributo vai para estados e municípios. Para São Paulo, ela representa R$ 6 bilhões por ano. O segundo é político. Serra e Aécio apóiam o princípio da CPMF e o tipo de programa social implantado por Lula.

Pesquisas do próprio PSDB mostram que boa parte das intenções de voto deles para 2010 vem da percepção de que eles não representariam um rompimento com o atual governo. Votar contra a CPMF vai contra essa percepção.

Aécio e Serra passaram o dia ao telefone, tentando virar votos. A outra ala tentou evitar um impasse sugerindo que a votação fosse adiada para o ano que vem, dando tempo a uma nova negociação.