antigas Publicado: 8/02/2008 | 08:24

Governistas e oposição disputam criação de CPI

Leandro Colon
Correio Braziliense

DEM e PSDB comandam mutirão por comissão mista. Erro de Romero Jucá atrapalha manobra para restringir investigação ao Senado
 
A oposição botou na rua um mutirão de deputados federais atrás de assinaturas a favor de uma CPI Mista (Câmara e Senado) para investigar o uso abusivo dos cartões corporativos do governo. Enquanto isso, a tropa de choque do presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá que refazer o esforço para garantir uma investigação somente no Senado. Isso porque o líder do governo na Casa, Romero Jucá (PMDB-RR), esqueceu de incluir o número de componentes, o prazo e a previsão de gastos no requerimento que apresentou quarta-feira, pedindo a criação da comissão. Ele tentou consertar ontem, acrescentando os dados à mão, mas não adiantou.

O presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), anunciou em plenário a decisão de devolver o requerimento ao líder. Jucá terá de conseguir que os 32 senadores que assinaram o texto concordem com as alterações de última hora. Ontem, ele mandou um ofício a cada um explicando a situação. Espera as respostas até segunda-feira. Caso contrário, coletará novamente as assinaturas em outro requerimento.

Se o governo cuida de suas trapalhadas, a oposição mira o foco para garantir uma CPI conjunta, unindo senadores e deputados. Como o principal problema mora na Câmara, onde o Palácio do Planalto tem larga maioria, o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) encomendou aos colegas Raul Jungmann (PPS-PE), Fernando Gabeira (PV-RJ), Júlio Delgado (PSB-MG), entre outros, que corram contra o tempo para atingir as 171 assinaturas necessárias para uma CPI na Casa. Segundo Sampaio, 126 deputados já aderiram.

Mutirão
O objetivo principal é esvaziar o pedido de CPI no Senado protocolado por Jucá. O peemedebista quer que os gastos sejam investigados desde 1998, atingindo também o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). A oposição entende que essa investigação será inócua por ter sido proposta pelo próprio Palácio do Planalto. Avalia que uma CPI Mista terá mais impacto em qualquer apuração. Foi assim na CPI dos Correios, que apurou o escândalo do mensalão. “Uma CPI Mista tem o interesse de investigar. A outra, abafar”, afirmou Sampaio.

O tucano admite, entretanto, que a tarefa começou a ficar difícil na Câmara após passar de 120 assinaturas. A partir de agora, será preciso o apoio de deputados da base do governo. Por isso, o mutirão em forma de “pressão”.

A oposição não se preocupa com as assinaturas no Senado. Tem força para garantir a CPI na Casa. Por isso, PSDB e DEM estabeleceram a próxima quarta-feira como data limite na coleta de assinaturas no Congresso. Se fracassarem até lá, entrarão no jogo da CPI apenas no Senado. O que a oposição menos quer é ver o assunto esfriar. “Queremos sentir que não haverá fraude nessa CPI. Senão, vamos agir de maneira enérgica”, disse o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM). O tucano, aliás, marcou reunião com o líder do DEM, José Agripino (RN), na próxima segunda-feira, para discutir o assunto. No dia seguinte, o presidente do Senado pretende reunir os líderes partidários para tratar do mesmo tema.

A briga por CPIs no Congresso sobre o uso de cartões corporativos já virou bate-boca em plenário. Os senadores Heráclito Fortes (DEM-PI) e Eduardo Suplicy (PT-SP) elevaram ontem o tom ao tratarem do tema. O petista disse que Heráclito ficou “desconcertado” com a iniciativa do governo de propor uma CPI. O democrata reagiu e afirmou que o petista se “agacha” perante a crise em torno dos cartões. 
 
Gastos com cartão no Governo de São Paulo

2001 - 5.413.450,07
2002 - 41.809.356,06
2003 - 59.074.790,97
2004 - 75.695.800,57
2005 - 83.318.873,96
2006 - 102.420.889,66
2007 - 108.384.268,26

Saques em dinheiro 2007 - R$ 48.320.507,51

Percentual em relação ao total: 44,58%

Fonte: Liderança do PT na Assembléia Legislativa de SP

Leandro Colon
Correio Braziliense

DEM e PSDB comandam mutirão por comissão mista. Erro de Romero Jucá atrapalha manobra para restringir investigação ao Senado
 
A oposição botou na rua um mutirão de deputados federais atrás de assinaturas a favor de uma CPI Mista (Câmara e Senado) para investigar o uso abusivo dos cartões corporativos do governo. Enquanto isso, a tropa de choque do presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá que refazer o esforço para garantir uma investigação somente no Senado. Isso porque o líder do governo na Casa, Romero Jucá (PMDB-RR), esqueceu de incluir o número de componentes, o prazo e a previsão de gastos no requerimento que apresentou quarta-feira, pedindo a criação da comissão. Ele tentou consertar ontem, acrescentando os dados à mão, mas não adiantou.

O presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), anunciou em plenário a decisão de devolver o requerimento ao líder. Jucá terá de conseguir que os 32 senadores que assinaram o texto concordem com as alterações de última hora. Ontem, ele mandou um ofício a cada um explicando a situação. Espera as respostas até segunda-feira. Caso contrário, coletará novamente as assinaturas em outro requerimento.

Se o governo cuida de suas trapalhadas, a oposição mira o foco para garantir uma CPI conjunta, unindo senadores e deputados. Como o principal problema mora na Câmara, onde o Palácio do Planalto tem larga maioria, o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) encomendou aos colegas Raul Jungmann (PPS-PE), Fernando Gabeira (PV-RJ), Júlio Delgado (PSB-MG), entre outros, que corram contra o tempo para atingir as 171 assinaturas necessárias para uma CPI na Casa. Segundo Sampaio, 126 deputados já aderiram.

Mutirão
O objetivo principal é esvaziar o pedido de CPI no Senado protocolado por Jucá. O peemedebista quer que os gastos sejam investigados desde 1998, atingindo também o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). A oposição entende que essa investigação será inócua por ter sido proposta pelo próprio Palácio do Planalto. Avalia que uma CPI Mista terá mais impacto em qualquer apuração. Foi assim na CPI dos Correios, que apurou o escândalo do mensalão. “Uma CPI Mista tem o interesse de investigar. A outra, abafar”, afirmou Sampaio.

O tucano admite, entretanto, que a tarefa começou a ficar difícil na Câmara após passar de 120 assinaturas. A partir de agora, será preciso o apoio de deputados da base do governo. Por isso, o mutirão em forma de “pressão”.

A oposição não se preocupa com as assinaturas no Senado. Tem força para garantir a CPI na Casa. Por isso, PSDB e DEM estabeleceram a próxima quarta-feira como data limite na coleta de assinaturas no Congresso. Se fracassarem até lá, entrarão no jogo da CPI apenas no Senado. O que a oposição menos quer é ver o assunto esfriar. “Queremos sentir que não haverá fraude nessa CPI. Senão, vamos agir de maneira enérgica”, disse o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM). O tucano, aliás, marcou reunião com o líder do DEM, José Agripino (RN), na próxima segunda-feira, para discutir o assunto. No dia seguinte, o presidente do Senado pretende reunir os líderes partidários para tratar do mesmo tema.

A briga por CPIs no Congresso sobre o uso de cartões corporativos já virou bate-boca em plenário. Os senadores Heráclito Fortes (DEM-PI) e Eduardo Suplicy (PT-SP) elevaram ontem o tom ao tratarem do tema. O petista disse que Heráclito ficou “desconcertado” com a iniciativa do governo de propor uma CPI. O democrata reagiu e afirmou que o petista se “agacha” perante a crise em torno dos cartões. 
 
Gastos com cartão no Governo de São Paulo

2001 - 5.413.450,07
2002 - 41.809.356,06
2003 - 59.074.790,97
2004 - 75.695.800,57
2005 - 83.318.873,96
2006 - 102.420.889,66
2007 - 108.384.268,26

Saques em dinheiro 2007 - R$ 48.320.507,51

Percentual em relação ao total: 44,58%

Fonte: Liderança do PT na Assembléia Legislativa de SP