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Publicado: 22/02/2008 | 09:30
Impasse e briga no Congresso
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Leandro Colon |
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Correio Braziliense |
Romero Jucá pressiona petistas a aceitar acordo para ceder presidência da CPI mista dos cartões à oposição
O isolamento do PT no Congresso é a última cartada do líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), para conseguir um acordo que permita dividir o comando da CPI mista dos Cartões com a oposição. Essa indecisão aumenta o clima de tensão no Senado. Ontem, os senadores Gilvam Borges (PMDB-AP) e Mário Couto (PSDB-PA), que sequer são ouvidos nas negociações, bateram boca e trocaram empurrões dentro do próprio plenário.
O requerimento que cria a CPI foi lido ontem em plenário e os líderes têm cinco sessões para indicar seus integrantes. O tempo é curto para qualquer entendimento. Pressionado pela oposição, Jucá tentou ontem convencer o líder do governo na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS), a topar o acerto. Apoiado pelo líder do PT na Casa, Maurício Rands (PE), Fontana resistiu.
O líder do governo então telefonou ao líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), e pediu apoio na negociação da Câmara. Mesmo recado foi passado ao líder do PR, Luciano Castro (RR). Com isso, Jucá tenta aumentar a pressão sobre Fontana e diminuir a resistência petista.
A articulação foi decidida em reunião entre o senador e o ministro de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro. No encontro, os dois decidiram ainda adotar o discurso de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não vai se envolver na negociação, conforme antecipou ontem o Correio.
A estratégia é tentar passar a imagem de que o Palácio do Planalto está fora de uma articulação que cabe ao Congresso fazer. A verdade, porém, é que setores do próprio Palácio resistem a um acordo e, em cima disso, o PT se ampara no discurso contra a divisão do comando da CPI.
Pelo regimento do Congresso, o PT é dono da relatoria dessa comissão e já indicou o deputado Luiz Sérgio (RJ) para a vaga. Os petistas querem que o PMDB, maior bancada do Senado, não abra mão da presidência. Não admitem que o cargo seja oferecido à oposição.
Receio
Jucá até poderia fechar um acordo no Senado e convencer o PMDB a entregar a presidência da CPI à oposição. O temor dele, no entanto, é ser responsabilizado por um eventual racha da base do governo logo no começo da investigação, o que poderia atrapalhar qualquer estratégia de ação. “Como não há unanimidade na base, o presidente está fora desse processo. Mas vou continuar trabalhando para tentar um acordo”, afirmou.
Logo após a conversa com Múcio e os líderes na Câmara, Jucá conversou com a oposição no plenário do Senado. Avisou o líder do DEM, José Agripino (RN), que está tentando vencer as resistências e prometeu dar uma resposta na próxima segunda-feira. Agripino passou o recado ao líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM).
A oposição começa a perder a paciência com o líder do governo. Tucanos pressionam Jucá por um acerto desde que ele incluiu a gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) no conteúdo de investigação da CPI. Agora, foram avisados de que precisarão esperar até segunda-feira. Uma reunião está marcada para o fim da tarde do mesmo dia no Palácio do Planalto entre Lula e os líderes no Congresso. Há uma expectativa de que possa, enfim, haver uma decisão final nesse encontro.
Enquanto isso, PSDB e DEM usam suas armas. Ontem, Arthur Virgílio cobrou do presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), a leitura do pedido de CPI somente no Senado. Garibaldi deixou o assunto para semana que vem e irritou o líder do PSDB. Tucanos e democratas decidiram então não indicar qualquer membro para a CPI mista enquanto o governo não der uma resposta sobre um acordo e o pedido de investigação exclusiva no Senado não for lido em plenário.
No início da tarde de ontem, Gilvam Borges e Mário Couto ganharam seus 15 minutos de fama. Couto se irritou depois que o colega de Senado chamou a oposição de “irresponsável” na crise dos cartões corporativos. Borges reagiu e afirmou que os adversários do governo fazem “fofoca”. Frente a frente, partiram para agressão verbal. “Vossa Excelência é um vagabundo”, disse Borges, empurrando o tucano. “Safado”, respondeu Couto. Surgiu a turma do “deixa-disso”. Demostenes Torres (DEM-GO) e Kátia Abreu (DEM-TO) separaram os brigões. O corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP) investigará o caso e pode denunciá-los por quebra de decoro.
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Leandro Colon |
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Correio Braziliense |
Romero Jucá pressiona petistas a aceitar acordo para ceder presidência da CPI mista dos cartões à oposição
O isolamento do PT no Congresso é a última cartada do líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), para conseguir um acordo que permita dividir o comando da CPI mista dos Cartões com a oposição. Essa indecisão aumenta o clima de tensão no Senado. Ontem, os senadores Gilvam Borges (PMDB-AP) e Mário Couto (PSDB-PA), que sequer são ouvidos nas negociações, bateram boca e trocaram empurrões dentro do próprio plenário.
O requerimento que cria a CPI foi lido ontem em plenário e os líderes têm cinco sessões para indicar seus integrantes. O tempo é curto para qualquer entendimento. Pressionado pela oposição, Jucá tentou ontem convencer o líder do governo na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS), a topar o acerto. Apoiado pelo líder do PT na Casa, Maurício Rands (PE), Fontana resistiu.
O líder do governo então telefonou ao líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), e pediu apoio na negociação da Câmara. Mesmo recado foi passado ao líder do PR, Luciano Castro (RR). Com isso, Jucá tenta aumentar a pressão sobre Fontana e diminuir a resistência petista.
A articulação foi decidida em reunião entre o senador e o ministro de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro. No encontro, os dois decidiram ainda adotar o discurso de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não vai se envolver na negociação, conforme antecipou ontem o Correio.
A estratégia é tentar passar a imagem de que o Palácio do Planalto está fora de uma articulação que cabe ao Congresso fazer. A verdade, porém, é que setores do próprio Palácio resistem a um acordo e, em cima disso, o PT se ampara no discurso contra a divisão do comando da CPI.
Pelo regimento do Congresso, o PT é dono da relatoria dessa comissão e já indicou o deputado Luiz Sérgio (RJ) para a vaga. Os petistas querem que o PMDB, maior bancada do Senado, não abra mão da presidência. Não admitem que o cargo seja oferecido à oposição.
Receio
Jucá até poderia fechar um acordo no Senado e convencer o PMDB a entregar a presidência da CPI à oposição. O temor dele, no entanto, é ser responsabilizado por um eventual racha da base do governo logo no começo da investigação, o que poderia atrapalhar qualquer estratégia de ação. “Como não há unanimidade na base, o presidente está fora desse processo. Mas vou continuar trabalhando para tentar um acordo”, afirmou.
Logo após a conversa com Múcio e os líderes na Câmara, Jucá conversou com a oposição no plenário do Senado. Avisou o líder do DEM, José Agripino (RN), que está tentando vencer as resistências e prometeu dar uma resposta na próxima segunda-feira. Agripino passou o recado ao líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM).
A oposição começa a perder a paciência com o líder do governo. Tucanos pressionam Jucá por um acerto desde que ele incluiu a gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) no conteúdo de investigação da CPI. Agora, foram avisados de que precisarão esperar até segunda-feira. Uma reunião está marcada para o fim da tarde do mesmo dia no Palácio do Planalto entre Lula e os líderes no Congresso. Há uma expectativa de que possa, enfim, haver uma decisão final nesse encontro.
Enquanto isso, PSDB e DEM usam suas armas. Ontem, Arthur Virgílio cobrou do presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), a leitura do pedido de CPI somente no Senado. Garibaldi deixou o assunto para semana que vem e irritou o líder do PSDB. Tucanos e democratas decidiram então não indicar qualquer membro para a CPI mista enquanto o governo não der uma resposta sobre um acordo e o pedido de investigação exclusiva no Senado não for lido em plenário.
No início da tarde de ontem, Gilvam Borges e Mário Couto ganharam seus 15 minutos de fama. Couto se irritou depois que o colega de Senado chamou a oposição de “irresponsável” na crise dos cartões corporativos. Borges reagiu e afirmou que os adversários do governo fazem “fofoca”. Frente a frente, partiram para agressão verbal. “Vossa Excelência é um vagabundo”, disse Borges, empurrando o tucano. “Safado”, respondeu Couto. Surgiu a turma do “deixa-disso”. Demostenes Torres (DEM-GO) e Kátia Abreu (DEM-TO) separaram os brigões. O corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP) investigará o caso e pode denunciá-los por quebra de decoro.