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Publicado: 25/07/2007 | 10:59
Reforço na segurança está com os dias contados
Breno Costa e Marcello Gazzaneo
Jornal do Brasil
Jornal do Brasil
A festa de encerramento do Pan, no próximo domingo, não vai terminar à meia-noite, mas o efeito Cinderela vai se repetir na área de segurança pública na cidade. O megaaparato policial montado para os Jogos - 19 mil policiais, aproximadamente, estão nas ruas do Rio - vai se desfazer, como um passe de mágica ao inverso. Salvo a presença de um reduzido, e ainda indeterminado, efetivo extra, o carioca voltará a conviver com o crônico problema de efetivo nas ruas.
A Polícia Militar - que colocou 6 mil homens a mais à disposição da cidade durante o Pan, apelando para batalhões do interior, PMs em funções burocráticas e suspensão de férias - anunciou que o esquema termina junto com o Pan. Para as competições do Parapan, que ocorrem entre 12 e 19 de agosto, um outro esquema especial, mas menor, será montado.
A Força Nacional, que conta com mais de 2 mil homens no Rio, ainda não divulgou quantos agentes permanecerão na cidade depois do Pan. Ontem, o JB mostrou que o orçamento do Ministério da Justiça é capaz de manter 700 policiais no Rio até o fim do ano - longe do desejo de 2 mil homens já declarado pelo governo do Estado. O plano da Força para o Parapan também só vai ser divulgado a partir de segunda-feira.
Já a Polícia Federal, que mobilizou 2.500 agentes para garantir a segurança do Pan, informa que o efetivo será reduzido à metade, pelo menos, na semana que vem. A Polícia Rodoviária Federal juntou 2 mil policiais no Rio, na chamada Operação Podium. O esquema era exclusivo para o Pan. Uma entrevista coletiva já está marcada para segunda-feira, quando os próximos passos serão divulgados. Mas a redução imediata de efetivo também é certa.
Entre os cariocas, o temor é de que a rotina de violência retorne. Presidente da Associação dos Moradores do Alto Leblon, Evelyn Rosenzweig acredita ser possível manter o esquema de segurança adotado para os Jogos, com um policiamento ostensivo nas ruas. No bairro, a falta de policiais patrulhando a região continua um problema crônico.
Do que jeito que estava antes do Pan não era bom. Esse policiamento vai fazer falta - atesta Evelyn. - Mas não acredito que a violência vá aumentar. O que vivemos é o ápice.
Diretor do Núcleo de Estudos Estratégicos da Universidade Federal Fluminense (UFF), Ronaldo Leão vê com reservas a questão da segurança pública depois do fim do Pan-Americano. O policiamento voltará a enfrentar, na avaliação do especialista, seu maior algoz: a falta de contingente suficiente.
Tudo voltará ao que era antes. E mesmo se conseguirem manter todo esse esquema de segurança, outras regiões, como a Baixada Fluminense e o interior, continuarão desguarnecidas - argumenta Leão. - Sem policial não há segurança.
O especialista não crê numa nova escalada da violência, mas admite que os índices de criminalidade, que caíram consideravelmente durante o Pan, especialmente na Zona Sul e na Barra, continuarão nos patamares atuais se o efetivo policial não for aumentado e se a estrutura da polícia não for modernizada. A pesquisadora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (Cesec/Ucam) Leonarda Musumeci também vê problemas a longo prazo. Mas, segundo Leonarda, não adianta o governo pensar apenas em entupir as ruas de policiais.
Não adianta só saturar policialmente a cidade, isso só melhora a curto prazo, não é algo que possa ser sustentado. Se não houver investimento forte em treinamento, em inteligência e em polícia científica, se não houver uma reforma na própria estrutura da polícia, vamos depender que aconteça um Pan por mês no Rio - diz Musumeci.
Breno Costa e Marcello Gazzaneo
Jornal do Brasil
Jornal do Brasil
A festa de encerramento do Pan, no próximo domingo, não vai terminar à meia-noite, mas o efeito Cinderela vai se repetir na área de segurança pública na cidade. O megaaparato policial montado para os Jogos - 19 mil policiais, aproximadamente, estão nas ruas do Rio - vai se desfazer, como um passe de mágica ao inverso. Salvo a presença de um reduzido, e ainda indeterminado, efetivo extra, o carioca voltará a conviver com o crônico problema de efetivo nas ruas.
A Polícia Militar - que colocou 6 mil homens a mais à disposição da cidade durante o Pan, apelando para batalhões do interior, PMs em funções burocráticas e suspensão de férias - anunciou que o esquema termina junto com o Pan. Para as competições do Parapan, que ocorrem entre 12 e 19 de agosto, um outro esquema especial, mas menor, será montado.
A Força Nacional, que conta com mais de 2 mil homens no Rio, ainda não divulgou quantos agentes permanecerão na cidade depois do Pan. Ontem, o JB mostrou que o orçamento do Ministério da Justiça é capaz de manter 700 policiais no Rio até o fim do ano - longe do desejo de 2 mil homens já declarado pelo governo do Estado. O plano da Força para o Parapan também só vai ser divulgado a partir de segunda-feira.
Já a Polícia Federal, que mobilizou 2.500 agentes para garantir a segurança do Pan, informa que o efetivo será reduzido à metade, pelo menos, na semana que vem. A Polícia Rodoviária Federal juntou 2 mil policiais no Rio, na chamada Operação Podium. O esquema era exclusivo para o Pan. Uma entrevista coletiva já está marcada para segunda-feira, quando os próximos passos serão divulgados. Mas a redução imediata de efetivo também é certa.
Entre os cariocas, o temor é de que a rotina de violência retorne. Presidente da Associação dos Moradores do Alto Leblon, Evelyn Rosenzweig acredita ser possível manter o esquema de segurança adotado para os Jogos, com um policiamento ostensivo nas ruas. No bairro, a falta de policiais patrulhando a região continua um problema crônico.
Do que jeito que estava antes do Pan não era bom. Esse policiamento vai fazer falta - atesta Evelyn. - Mas não acredito que a violência vá aumentar. O que vivemos é o ápice.
Diretor do Núcleo de Estudos Estratégicos da Universidade Federal Fluminense (UFF), Ronaldo Leão vê com reservas a questão da segurança pública depois do fim do Pan-Americano. O policiamento voltará a enfrentar, na avaliação do especialista, seu maior algoz: a falta de contingente suficiente.
Tudo voltará ao que era antes. E mesmo se conseguirem manter todo esse esquema de segurança, outras regiões, como a Baixada Fluminense e o interior, continuarão desguarnecidas - argumenta Leão. - Sem policial não há segurança.
O especialista não crê numa nova escalada da violência, mas admite que os índices de criminalidade, que caíram consideravelmente durante o Pan, especialmente na Zona Sul e na Barra, continuarão nos patamares atuais se o efetivo policial não for aumentado e se a estrutura da polícia não for modernizada. A pesquisadora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (Cesec/Ucam) Leonarda Musumeci também vê problemas a longo prazo. Mas, segundo Leonarda, não adianta o governo pensar apenas em entupir as ruas de policiais.
Não adianta só saturar policialmente a cidade, isso só melhora a curto prazo, não é algo que possa ser sustentado. Se não houver investimento forte em treinamento, em inteligência e em polícia científica, se não houver uma reforma na própria estrutura da polícia, vamos depender que aconteça um Pan por mês no Rio - diz Musumeci.